Porém atenta a natureza das queixas dos senhores médicos, dizendo-se muito injustiça-dos no seu percurso, teria sido interessante que o jornalista lhes tivesse perguntado se por acaso tinham ingressado no curso de medicina por terem beneficiado da maravilhosa estratégia pedagógica deste colégio aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/vergonhosa-impunidade-no-acesso-ao.html a mesma que determinou que outros alunos que andaram num escola pública não pudessem ter ingressado num curso de medicina a que tinham legitimamente muito mais direito.
Trata-se sem dúvida de uma interessante tese, vinda logo do lobby que durante dezenas de anos agiu no sentido de garantir que a coberto de interesses puramente particulares não houvesse formação médica a não ser nas Universidades de Lisboa, Porto e Coimbra. Até na vizinha Espanha diziam que a nossa Ordem dos Médicos tinha enfeitiçado os sucessivos Governos deste país, só assim se compreendendo esse monopólio formativo (leia-se estrangulamento de vagas por via de nefasto corporativismo). Nessa altura porém não lhe interessava rigorosamente nada que o nosso país abrisse mais escolas médicas para dessa forma "investir" na formação médica de outros Portugueses. Quando o descaramento anda de mão dada com a hipocrisia o resultado costuma ser este. E por conta disso Portugal teve de andar a importar médicos de Cuba ao mesmo tempo que já em 2012 tinhamos de aturar um outro Bastonário da Ordem dos médicos a alertar para o terrível perigo do excesso de médicos.
https://www.publico.pt/2012/12/17/sociedade/noticia/portugal-a-caminho-de-ter-medicos-a-mais-alerta-bastonario-1577694





