quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

A revolução de 25 de Novembro de 2021 e o caos na Universidade do Minho

  

Passam hoje precisamente 381 anos desde a famosa e revolucionária data em que um grupo de Portugueses coriáceos matou e atirou por uma janela uma execrável figura de nome Miguel de Vasconcelos, curiosamente há poucos dias atrás "celebrou-se" uma não menos revolucionária data, que teve lugar há 46 anos atrás, no dia 25 de Novembro, e por uma estranha coincidência, também em 25 de Novembro, de 2021, o Gabinete de Comunicação da Universidade do Minho (email abaixo), quase que iniciou uma "revolução" com um comunicado acerca de um certo ranking, onde deu destaque a um certo (e não menos coriáceo) investigador https://orcid.org/0000-0001-7767-6787 que é culpado do "crime" de lesa-majestade, de ainda não se ter submetido ao sacrossanto ritual do beija-mão dos catedráticos da sua área científica e muito pior do que isso por já ter colocado quase uma dúzia deles em tribunal, por via de concursos com contornos incompreensíveis, que os próprios tribunais reconheceram e que lhe valeram o intrigante cognome de "Perigoso Litigante". Ou quem sabe talvez alguém no referido Gabinete também partilhe das iluminadas ideias do catedrático aposentado da mesma universidade, Renato Morgado, também Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros) sobre a necessidade de algum caos na Academia, como condição absolutamente indispensável à prossecução da sua transcendente missão. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/academia-portuguesa-necessita-de.html



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De: Gabinete de Comunicação e Imagem
Enviado: 25 de novembro de 2021 12:54
Para: Gabinete de Comunicação e Imagem
Assunto: UMinho tem meia centena de cientistas entre os mais influentes do mundo
 

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UMinho tem meia centena de cientistas entre os mais influentes do mundo

 

A Universidade do Minho tem 53 cientistas no grupo dos 2% mais influentes do mundo ao longo do último ano, segundo um estudo da Universidade de Stanford (EUA) e do grupo editorial Elsevier. A lista, chamada “World’s Top 2% Scientists 2021”, inclui 190 mil cientistas, sendo 703 deles em Portugal. A UMinho surge com 15 centros de I&D representados e o seu primeiro cientista na lista global é Fernando Pacheco-Torgal (6088º lugar).

 

O documento apresenta os melhores investigadores do planeta por 22 áreas e 176 disciplinas, considerando o seu índice, o volume de publicações e as citações dos seus trabalhos, segundo dados da base Scopus até agosto de 2021. Esta lista anual surgiu em 2019, com o objetivo de criar um repositório público sobre o impacto e a influência dos investigadores no progresso do conhecimento científico e para combater abusos de autocitação.

 

CEB - Centro de Engenharia Biológica (17 cientistas): Aloia Romaní, António Vicente, Artur Cavaco-Paulo, Eduardo Gudiña, Eduardo Soares, Eliana Souto, Joana Azeredo, José António Teixeira, Lígia Rodrigues, Lucília Domingues, Madalena Alves, Mariana Henriques, Miguel Gama, Nuno Cerca, Rosário Oliveira, Russell Paterson e Sónia Silva;

Centro de Física (8): Carlos Miguel Costa, Clarisse Ribeiro, José González-Méijome, Nuno Peres, Pedro Martins, Senentxu Lanceros-Mendez, Vasco Teixeira e Yuliy Bludov;

Grupo 3B’s (6): Banani Kundu, Manuela Gomes, Miguel Oliveira, Nuno Neves, Rui L. Reis e Subhas Kundu;

Centro ALGORITMI (4): João Luís Afonso, Paulo Cortez, Sérgio Pereira e Vítor Monteiro;

ISISE - Instituto de Sustentabilidade e Inovação em Engenharia de Estruturas (3): Joaquim Barros, Paulo Lourenço e Tiago Miguel Ferreira;

2C2T - Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2): Andre Zille e Raul Fangueiro;

CMEMS - Centro de Microssistemas Eletromecânicos (2): Filipe Samuel Silva e Paulo Flores;

ICVS - Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (2): António Salgado e Nuno Sousa;

NIPE - Núcleo de Investigação em Políticas Económicas e Empresariais (2): José Carlos Brandão e José Carlos Pinho;

CBMA - Centro de Biologia Molecular e Ambiental (2): Jorge M. Pacheco e Ronaldo Sousa;

Centro de Química (1): Rita Figueira;

CIEC - Centro de Investigação em Estudos da Criança (1): Assunção Flores;

CTAC - Centro de Investigação em Território, Ambiente e Construção (1): Fernando Pacheco-Torgal;

ICT - Instituto de Ciências da Terra (1): José Brilha;

IPC - Instituto de Polímeros e Compósitos (1): Júlio Viana.

 

Há uma semana, foi também publicada uma lista que representa 1% dos cientistas mais citados do mundo – “Highly Cited Researchers 2021”, da Clarivate Analytics e com dados da base Web of Science entre 2010 e 2020 –, incluindo dois investigadores da UMinho entre 6602 a nível mundial. No planeta há mais de sete milhões de cientistas.

 

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Gabinete de Comunicação e Imagem
Universidade do Minho
Braga . Guimarães | Portugal


Catedrático Jubilado acusa Governo

 

O Catedrático Jubilado Vital Moreira mostrou ontem profunda indignação perante a recente decisão deste cadavérico Governo que escolheu para a nova direcção do CRESAP, dois docentes do ISCTE e dois da FDUL, o que na sua perspectiva constitui uma descriminação das restantes universidades, por ser a prova que neste país existem instituições de ensino superior preferidas pelo Governo https://causa-nossa.blogspot.com/2021/11/lisbon-first-26-circuito-fechado.html

O catedrático Vital Moreira não o disse mas a preferência deste triste Governo pelo ISCTE é de tal ordem que até já tinha conseguido enfiar, mesmo à martelada, um politólogo do ISCTE no Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, talvez para substituir o especialista em engenharia civil que lá falta https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/os-lideres-academicos-cientificos-que.html

O catedrático Vital Moreira também não o disse, mas a preferência deste lamentável Governo pelo ISCTE é de tal ordem que entre largas centenas de docentes com um currículo académico de elevado prestigio foi escolher precisamente um académico de fraco currículo, do mesmo ISCTE, para ser o Comissário das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril https://onovo.pt/politica/pedro-adao-e-silva-tem-um-curriculo-fraco-HK369108

Acresce que é altamente reprovável (mas muito elucidativo) que as preferências deste deplorável Governo passem por instituições do ensino superior, que nos últimos anos tem vindo a ser noticia por péssimas razões, inclusive por falsificação de actas de provas académicas: 

FCT__Publicações médias anuais por investigador ETI na base Scopus em 29 áreas científicas

 

Na sequência do post acima sobre as citações médias de 29 áreas científicas segue abaixo o valor médio anual de publicações indexadas por investigador ETI, de acordo com o mesmo estudo da Elsevier. 


Agricultura e Ciências Florestais........................................................2,2 publicações/ano/ETI 
Ciência Animal e Ciências Veterinárias..............................................2,1
Tecnologia de Produtos de Base Biológica ou Ciências Aliment.......1,8
Ciências Bioquímicas.........................................................................2,3
Bioengenharia....................................................................................2,0
Ciência Biológicas ou Biologia Ambiental..........................................1,9
Biomedicina........................................................................................2,1
Biotecnologia.....................................................................................2,4
Gestão...............................................................................................1,5
Engenharia Química..........................................................................3,0
Química..............................................................................................2,9
Engenharia Civil.................................................................................2,5
Investigação Clínica...........................................................................4,8
Ciências e Engenharia dos Computadores........................................4,0
Diagnóstico, Terapêutica e Saúde Pública.........................................2,6
Economia...........................................................................................1,9
Engenharia Electrotécnica.................................................................4,3
Ciências Ambientais...........................................................................2,2
Biologia Experimental.........................................................................1,9
Geociências........................................................................................2,0
Imunologia e Infeção..........................................................................2,2
Ciências e Tecnologia do Mar............................................................2,3
Ciência e Engenharia de Materiais....................................................3,0
Matemática.........................................................................................2,1
Engenharia Mecânica e Sistemas de Engenharia..............................2,8
Nanociências e Nanotecnologia..........................................................3,1
Neurociências, Envelhecimento e Doenças Degenerativas................1,6
Física...................................................................................................3,3
Psicologia............................................................................................1,8

Sobre os valores médios de publicações indexadas listados acima é importante relembrar o seguinte. Se é verdade que os mesmos se reportam a um estudo de 2013, que incidiu nas publicações do quinquénio 2008-2012, não é menos verdade que 2012 foi precisamente o ano em que Portugal ultrapassou a Alemanha (e antes disso já tinha ultrapassado a Itália e a França) no rácio publicações indexadas na base Scopus por milhão de habitantes, pelo que dificilmente se pode aceitar que se diga que as referidas médias são baixas.  

Coisa bastante diferente e que se afigura especialmente bizarra é que haja quem tenha médias de publicações indexadas anuais que são muitissimo superiores aos valores médios acima listados (que nalguns casos chegam a ser 3000% superiores), configurando desvios estatísticos absolutamente incompreensíveis, e que ainda por cima se pretenda que as mesmas são a prova da existência de uma raça superior de investigadores, dotados de capacidades sobre-humanas e capazes de trabalhar 24 horas por dia, 365 dias por ano, o que significaria também, que aqueles investigadores cuja produtividade é ligeiramente inferior à média, seriam assim e afinal investigadores muito preguiçosos, tese essa que é porém cruamente desmentida pela comparação internacional também acima referida.  

PS - Tenha-se ainda presente que o dilúvio de publicações a nível mundial está a prejudicar a ciência. Facto que já tinha sido referido por vários autores, como por exemplo há três anos atrás num artigo publicado no Journal of Informetrics, facto que voltou a ser referido num artigo de 2020 publicado na revista Science e que ainda recentemente o voltou a ser https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/the-deluge-of-papers-is-obstructing_13.html

Engenharia Civil - Coincidência ou Divina Providência

 


Tendo em conta que como se mostrou no post acima que quase 50% dos 40 artigos rmais citados de sempre (por investigadores estrangeiros) da área da Engenharia Civil tiveram a colaboração de investigadores da Universidade do Minho, tendo em conta que são da mesma universidade mais de 50% dos livros de engenharia civil, mais citados, indexados na Scopus, tendo ainda em conta que pertence igualmente à engenharia civil da Universidade do Minho o primeiro artigo publicado em revista internacional sobre sequestro de carbono em materiais de construção, e tendo também em conta que são investigadores da engenharia civil da universidade do Minho que lideram uma interessante (mas problemática) áreaserá que é tudo apenas uma grande coincidência ou uma invulgar generosidade da Divina Providência ?  

PS - A palavra "problemática" acima referida pode perceber-se melhor pelo trecho abaixo:

terça-feira, 30 de novembro de 2021

O mestre da manipulação e a banalidade do mal

 


Quando em 29 de Novembro escrevi o post acima não poderia evidentemente conhecer ainda o conteúdo de um artigo que foi publicado no dia seguinte, onde se comentam resultados de estudos de uma equipa de investigadores da Austrália e da Alemanha, e onde se fala da capacidade de a inteligência artificial se tornar mestre na manipulação de humanos e da banalidade do mal  https://www.discovermagazine.com/technology/ai-is-learning-to-manipulate-us-and-we-dont-know-exactly-how

Trata-se de uma capacidade que evidentemente só pode constituir mais um motivo de alegria para os referidos CEOs, já que uma tal mestria na manipulação, de certeza que permitirá aumentar as vendas das suas empresas. Patéticas e profundamente ingénuas são por isso as declarações que defendem que o problema se poderá resolver se os Governos dos diferentes países acordarem em elaborar um código de ética que regule o funcionamento da inteligência artificial, esquecendo que a sociedade moderna está cheia de cartas, códigos e regulamentos de ética que são violados de forma rotineira (basta olhar por exemplo para as repetidas e grosseiras violações dos codígos de ética da investigação com animais que foram detectadas inclusive nas melhores universidades do mundo) como se percebe aliás pelo próprio algoritmo do Facebook que lucra com acções que são exactamente o oposto de um algoritmo regulado por principios éticos:
"Facebook profits from the proliferation of extremism, bullying, hate speech, disinformation, conspiracy theory, and rhetorical violence" https://link.springer.com/article/10.1007/s43681-021-00068-x

As firmas que aliciam investigadores para ganharem dinheiro a vender a co-autoria de artigos

 


Ainda na sequência do post acima e das afirmações reproduzidas no final do mesmo, de um catedrático da Universidade de Stanford, a quem os currículos com um número invulgar de publicações suscitavam muitas dúvidas. Transcrevo abaixo um texto contido num email que recebi ontem de uma organização chamada Vision-Science, que básicamente me propôs vender co-autorias de algum artigo que eu faça:
 "a. You will take the main responsibility for developing the research design, writing the draft, submitting the article to a journal, etc. 
b. We will invite other researchers to join into your paper as the co-author. The collaborator will provide financial support to your paper. The amount of funds will be based on the type of authorship of co-author (second/first) and the targeted journal (such as quartile, IF)"
 
Note-se que este negócio da venda de co-autorias já tinha sido denunciado na conhecida revista Science https://www.science.org/content/blog-post/authorship-sale-papers-sale-everything-sale onde até se pode ler que vendem artigos que já foram publicados na China em lingua Chinesa e que após a respectiva tradução podem ser novamente publicados em inglês por outros autores em revistas Ocidentais. 

O que porém lá não é dito é que é precisamente naqueles artigos com centenas ou milhares de co-autores, que se tornaram moda (praga) nos últimos anos, que é muito mais fácil vender co-autorias porque é muito dificil senão mesmo impossivel saber o contributo individual de tantos co-autores.  Não admira por isso que um estudo sobre centenas de artigos da área da medicina tenha descoberto quase 18% com co-autorias ficticias. 

PS - É evidente que vender co-autorias está ao mesmo nível daquilo que faz o famoso catedrático Didier Raoult e que lhe permitiu acumular milhares de artigos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html infelizmente o "modus operandi" do Sr. Raoult não é caso único na ciência mas apenas a ponta do iceberg. 


Nominations are now open until March 2022 for the 1 million euros 3rd edition Gulbenkian Prize for Humanity

 

"The Gulbenkian Prize for Humanity aims to recognize people, groups of people and/ or organizations from all over the world whose contributions to mitigation and adaptation to climate change stand out for its novelty, innovation and impact...the Calouste Gulbenkian Foundation considers any potential recognition areas that can contribute to one or a number of the following outcomes: 

Mitigation: reduction or prevention of greenhouse gas emissions or the increased absorption of already emitted GHG. The mitigation actions require the use of new technologies, clean energy sources, industrial processing, reducing deforestation, reforestation or restoring terrestrial, marine and coastal natural ecosystems, improved methods of sustainable farming and land use, and changes in individual and collective behaviors. 

Adaptation: reducing the negative consequences of climate change by taking measures to prevent or minimize impacts that can no longer be avoided, such as rising sea levels, extreme weather events and food insecurity, with actions that include technological measures, nature-based solutions and behavioral changes"


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

O sonho molhado dos CEOs

 


Ainda na sequência do post acima é bastante postivo constatar que um livro publicado este mês e comentado na semana passada na revista The Economist, já esteja à venda em Portugal https://www.wook.pt/livro/a-era-da-inteligencia-artificial-henry-a-kissinger/25534704

Mas como aperitivo ao mesmo afigura-se especialmente benéfico ler algumas das extensas criticas que o mesmo recebeu, como por exemplo a do professor Joseph Nye da Universidade de Harvard  https://www.project-syndicate.org/onpoint/age-of-ai-and-our-human-future-review-kissinger-schmidt-by-joseph-s-nye-2021-11

Bastante menos simpáticas são porém as criticas recebidas na Amazon https://www.amazon.com/Age-I-Our-Human-Future/dp/0316273805 e as mesmas nem sequer incidem sobre um aspecto fulcral, pois se há empresas como a própria Amazon em que os trabalhadores são forçados a urinar para garrafas imagine-se a esfuziante alegria dos CEOs em saber que no futuro terão ao seu dispor trabalhadores robotizados absurdamente inteligentes, que não necessitam de casas de banho nem perdem tempo a alimentar-se, que nunca fazem greves, que nunca se queixam nem muito menos formam sindicatos,  que nunca se cansam mesmo trabalhando 24 horas por dia, que nunca adoecem, que nunca faltam ao trabalho, e que nem sequer recebem qualquer salário ou qualquer outro subsidio, o que bem vistas as coisas é uma situação muitíssimo mais vantajosa para os CEOs do que aquela de que usufruiam os antigos donos de escravos. 

O próximo (deplorável) Presidente da Assembleia da República

 

Agora que Rui Rio (um candidato que curiosamente recusou debates com o seu adversário, o que deve ser uma nova e estranha forma de fazer politica) se tornou no candidato do PSD às próximas eleições legislativas, que serão quase de certeza ganhas pelo António Costa, já é possível saber pelo menos uma coisa, que é altamente provável que o próximo Presidente da Assembleia da República seja aquele inominável senhor cuja fronha inicia o presente post. Um pesadelo altamente perturbante que os Portugueses definitivamente não merecem. 

Seja como for, que ganhe o PS ou que ganhe o PSD é indiferente, porque quem perde é sempre Portugal, já que foram políticos daqueles dois partidos que nos últimos 47 anos andaram a sangrar este país para encher os bolsos deles e dos seus familiares e amigos. Foram os mesmos que aprovaram uma Constituição que permite a tortura de animais de companhia, os mesmos que  alteraram a lei para beneficiar os corruptos e também os condenados por crimes de pedofilia, os mesmos que aprovaram  as vergonhosas subvenções vitalícias para a classe politica, os mesmos que permitiram e continuam a permitir o tal escândalo milionário que é campeão absoluto neste blogue  e ainda os mesmos que recentemente aprovaram uma lei que impede a sua prisão  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/deputados-aprovam-lei-que-impede-que_21.html

PS - Que pena que não seja possível cruzar o mapa abaixo, que mostra os distritos onde Rui Rio venceu, com um mapa de Portugal onde se pudesse saber quais os distritos onde existe mais homofobia, para assim se poder aferir se a homofobia pesou na vitória do Rui Rio. Na verdade convém ter presente que não foi há assim tantos anos que num exame de Direito da Universidade de Lisboa se comparou o casamento entre dois homossexuais ao casamento entre uma pessoa e um animal doméstico.https://sicnoticias.pt/pais/2010-04-22-exame-universitario-compara-casamento-gay-a-uniao-de-humanos-e-animais3




domingo, 28 de novembro de 2021

China´s Nobel gap

 


The post above failed to mention the paradox of a country whose students tops PISA assessment but that has a mediocre performance in what concerns Nobel prizes (a Chinese obsession that was also confirmed in an interesting paper by Cong Cao published in the journal Minerva). 

A retired researcher of the University of Melbourne suggested that the Chinese education system is to blame because it views asking questions by students as a negative phenomenon:
"on the Chinese educational system, a question asked by a student at Chinese schools might mean one of the following two things: (1) the student is silly and did not understand what the teacher already explained (and what everybody else understood), or (2) the student is too ambitious and wants to show a teacher in a bad light–that the teacher cannot answer a new question"http://www.josephjordania.com/files/A-HUMAN-STORY-COMPLETE-2020-7-7.pdf

PS - Of course in what concerns Nobel prizes let´s not forget that USA is also a powerhouse in decline https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/the-future-of-researchthe-18-billion.html


Sequestro de carbono permite abatimento no IRS

 


É interessante constatar que depois do artigo choque de há duas semanas atrás, vide post acima, onde se falou de valorizações de mais de 2000%, ontem a secção de economia do Expresso voltou a dedicar um artigo aos terrenos agrícolas onde novamente se insiste que os mesmos são um investimento que "gera um rendimento sólido", quase parecendo que o Expresso está a contribuir activamente para empolar uma bolha, para juntar aquela outra bolha do mercado habitacional, que recentemente motivou um aviso da Comissão Europeia a Portugal. 

Ainda se ao menos o carbono (que esta semana atingiu o valor recorde de 73 euros por tonelada no mercado de futuros) sequestrado em certas espécies agrícolas pudesse ser descontado nos impostos seria um passo fundamental na implementação da agenda radical que defende a taxação da poluição, como defendeu o Secretário-Geral da ONU há dois anos atrás e como já defendia em 1970 o Nobel da Física  Norman Ramsey https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00963402.1970.11457790?journalCode=rbul20

PS - Nos EUA há créditos fiscais para sequestro de carbono mas infelizmente não incluem o sequestro por via de espécies vegetais. Felizmente porém que a Europa já está bastante mais avançada nessa matéria e de facto já não faltam muitos anos para que o "carbon farming" também possa gerar créditos fiscais  https://oppla.eu/new-european-commission-carbon-farming-initiative

sábado, 27 de novembro de 2021

Universidade Nova é a líder dos casos de incumprimento

 


Depois de no post acima ter apresentado a lista das instituições com maior (e com menor) número de revisões confirmadas apresenta-se abaixo uma análise mais fina, que mostra o resultado da diferença entre o rácio de revisões/100 docentes ETI e o rácio de publicações/100 docentes ETI indexadas na Scopus em 2021, onde se percebe que a Universidade Nova é aquela com o maior desvio entre revisões e publicações, logo aquela com o maior nível de incumprimento do importante dever de revisão, dever esse que no futuro será ainda mais importante https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/universities-should-stop-producing.html

Sobre este tema tenha-se presente que hoje mesmo é possível ler na Times Higher Education um artigo da nova Directora da IOP Publishing (que esteve muitos anos na Wiley) sobre o tema das revisões de publicações, relativamente às quais partilha as mesmas preocupações, que já há alguns anos foram expressas por um conhecido catedrático de medicina da Universidade de Stanford, que num artigo de 2014, que já recebeu várias centenas de citações, sugeriu corrigir/aperfeiçoar as actividades que devem ser valorizadas a nível académico, vide Tabela 2 do mesmo,  onde por exemplo se sugere tirar valor ao número de artigos, já que alguns/muitos desses artigos podem ser artigos irrelevantes ou até de baixa qualidade, mesmo que tenham sido publicados em revistas conhecidas. https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1001747 

UNova................  -176
UPorto................. -137
ULisboa................. -74
IPCA..................... -66
IPol.Beja............... -40
IPol.Bragança........ -9
UAçores................. -1
UAberta................ +27
IPol.Viana C......... +32
IPol.Viseu............. +37
UMinho................. +37
ISCTE................... +43
UMadeira............. +46
UCoimbra............. +61
IPol.Santarém...... +64
IPol.Setubal......... +68
IPol.Porto............. +71
IPol.Coimbra....... +74
IPol.Tomar........... +81
IPol.Lisboa.......... +90
IPol.Leiria.......... +100
UÉvora...............+103
IPol.Guarda........+192
UAveiro.............. +154
IPol.C.Branco.... +178
UTAD................. +221
UBI..................... +286
UALG................. +301
IPolPortalegre.... +371

Neste contexto vale a pena reproduzir as declarações de uma professora de medicina da Universidade de Sydney, Amanda Salis (cujo número de revisões, como não podia deixar de ser, é superior ao número de publicações): 
“I have observed a change of culture at the National Health and Medical Research Council-NHMRC and at research institutes in the past 5-10 years that has encouraged the addition of peer review activity to research applications. It is no longer enough to just be doing great research; you also need to demonstrate that you are contributing to your profession more broadly. Peer review is an important means by which researchers can contribute to the growth of their profession, and demonstrating that you have done a certain amount of peer review (via a verifiable means such as Publons) proves that you are indeed making contributions to the greater good of research”.

PS - O supracitado catedrático da Universidade de Stanford foi o mesmo que em 2016 escreveu que quando olhava para alguns currículos volumosos contendo um elevado número de artigos, ficava na dúvida se eram o resultado de trabalho árduo e brilhante liderança ou antes a prova de esquemas muito pouco éticos, incluindo de excelência na escravidão de jovens investigadores:
"It is sometimes difficult to tell whether a superb CV with a lengthy publication list reflects hard work and brilliant leadership or the composite product of dexterous power game networking, gift authorship [24], and excellence in the slave trade of younger researchers"

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Desempenho de 16 instituições de ensino superior em termos de colaborações internacionais


Se se admitir que agora que o centro de gravidade da economia mundial regressou à Ásia (de onde garantidamente não sairá tão cedo, vide artigo do Andrew Monaghan, que foi mencionado no post acessível no link acima e também o artigo publicado na revista The Economist comentado aqui, então isso significa que as universidades Portuguesas com mais colaborações com investigadores daquele país asiático, que é agora recorde-se o novo campeão mundial dos artigos altamente citados muito contribuem para minorar a sobejamente conhecida irrelevância do impacto internacional da ciência Portuguesa, https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/carlos-fiolhaisa-fraca-qualidade-da.html pelo que decorre daqui que, como mostram as duas imagens abaixo (que revelam as percentagens de colaborações relativamente ao total de publicações indexadas na base de dados Scopus) que são as universidades da Madeira, do Minho e de Coimbra as que mais se tem preocupado com essa importante questão, sendo dificil de perceber porque é que ao mesmo tempo há muitas outras instituições de ensino superior que se preocupam muitíssimo menos ou quase nada com a mesma. 





Controversial law that transforms precarious Post-Doc contracts into permanent positions was approved

 

"Berlin’s legislature took a radical step to address the precarious employment situation that plagues many early-career researchers. It passed a law requiring universities to offer new postdoc hires a pathway to a permanent position"

It is true that the law recently approved by the City-State of Berlin, see link above, is not perfect and will bring challenges in terms of budget compliance, but it is advisable to look at those challenges in a different way, in a less fossilized way. And that way requires us to ask ourselves what areas of activity it is necessary to stimulate in a knowledge economy and even more in a context of a climate apocalypse, which led the Executive Vice President of the European Union, Frans Timmermans, to recently express concern about his grandson, born in 2020, that may have  to fight with other human beings for water and food in a not-too-distant future

In what concerns who´s gone pay the aforementioned controversial but virtuous rain of post-doc positions let´s not forget that every year, Europe loses tens of billions of euros in tax evasion (and that is why the relentless German obsession with chasing big tax evaders even acting within the limits of legality and buying lists with information that was stolen from banks is in my view absolutely understandable) which means that only 10% of this amount would allow for the permanent hiring of almost 300,000 permanent post-doc positions in Europe. 

This extraordinary research funding exercise is also crucial for Europe's economic recovery and the person who said it was not anyone passionate about science, but the President of the European Central Bank, Christine Lagarde in a statement produced at the World Economic Forum.

PS - And I don't even need to waste any time mentioning the obvious, that today's society needs substantial measures to tackle the growing cult of ignorance that I commented on November 1st https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/attenborough-versus-ronaldo-or.html

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O catedrático Sobrinho Simões e a infalível receita educativa para NÃO fabricar excelentes investigadores

 

A primeira vez que ouvi alguém, com elevado prestigio académico, referir-se publicamente à importância primordial da formulação de questões, foi na pessoa do catedrático Sobrinho Simões, que no Palácio de Belém em Outubro de 2017 disse que "aquilo que distingue a espécie humana não é a capacidade de dar respostas mas a de fazer perguntas".

Depois disso foi também num livro de Julho de 2020 de um académico aposentado da Universidade de Melbourne, cujo primeiro capítulo é precisamente sobre a importância de fazer perguntas. Onde se fica a saber que o sistema educativo tradicional, que privilegia dar respostas e não fazer perguntas tem arruinado (leia-se tem desgraçado) o futuro de sucessivas gerações de estudantes, sendo o mais flagrante exemplo disso mesmo o "sucesso" dos estudantes Chineses (na China entendem que há apenas duas razões para justificar o comportamento dos alunos que tem o hábito de fazer muitas perguntas, ou são alunos burros ou são alunos dissimulados e velhacos que querem mostrar que o Professor não sabe a resposta) nos testes PISA que (sem surpresa) não encontra correspondência com o flagrante insucesso da mesma China em termos de prémios Nobel, que é a maior prova de um sistema de ensino que até foi bastante útil para a economia industrial do século 20, mas é absolutamente desadequado quanto a suprir as necessidades de uma economia do conhecimento o século 21. Sobre a flagrante falácia dos testes PISA vale a pena recordar um post de 2019 aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/pisa-best-students-in-world.html

Coisa bastante diferente e muito mais problemática são os inúmeros desafios que o futuro trará no que respeita à formulação de perguntas, como se percebe através das investigações da omnipresente (e quase omnisciente) google no respeitante a ensinar a inteligência artificial a fazer perguntas e mais recentemente através de resultados de investigações que aproveitaram a inusitada capacidade da inteligência artificial para formular hipóteses. https://www.scientificamerican.com/article/ai-generates-hypotheses-human-scientists-have-not-thought-of/

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Aprovada lei polémica que transforma contratos precários de investigadores Pós-Doc em contratos permanentes


"Berlin’s legislature took a radical step to address the precarious employment situation that plagues many early-career researchers. It passed a law requiring universities to offer new postdoc hires a pathway to a permanent position"

É verdade que a lei recentemente aprovada pela cidade Estado Berlin, vide link acima, não é perfeita e trará consigo muitos desafios desde logo o da cabimentação orçamental, porém é preciso olhar para o problema de uma outra forma, mais desempoeirada (leia-se menos fossilizada). E essa forma requer que nos interroguemos sobre que áreas de actividade é que se torna necessário estimular numa economia do conhecimento e ainda por cima num contexto de apocalipse climático, que leva a que até mesmo o Vice-Presidente Executivo da União Europeia, Frans Timmermans, recentemente se tenha mostrado preocupado quanto à possibilidade do seu neto, nascido em 2020, ter num futuro não muito longínquo de lutar contra outros humanos por água e comida. 

Já sobre saber-se onde é que a Alemanha e os restantes países europeus irão buscar dinheiro para sustentar a tal polémica mas virtuosa transição, é importante recordar que a Europa perde todos os anos largas dezenas de milhares de milhões de euros em fuga aos impostos (e é por isso que a implacável obsessão Alemã de perseguir os grandes evasores fiscais mesmo agindo no limite da legalidade e comprando listas com informação que foi roubada a bancos é a meu ver absolutamente compreensível e até bastante louvável atenta a magnitude do problema) o que significa que apenas 10% do referido e criminoso valor permitiria contratar de forma permanente quase 300.000 investigadores pós-docs na Europa e se eles fossem distribuidos de forma proporcional atenta a dimensão de cada país então a Portugal caberiam 4000 contratos permanentes para pós-doutorados. 

Essa alocação de verbas à investigação é além disso crucial para a recuperação económica da Europa e quem o afirmou não foi nenhum apaixonado pela ciência, mas sim a Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde em declarações produzidas no World Economic Forum.  

PS - E nem sequer preciso de perder tempo a referir o óbvio, que a sociedade actual necessita de medidas substanciais que ajudem a combater o crescente culto da ignorância, que neste blogue comentei no passado dia 1 de Novembro aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/ronaldo-versus-attenborough.html

Happiness and climate apocalypse

    

Still following the article published in Nature on August 20, that showed that it would cost just 1% of global GDP per year to implement the Paris agreement, and a mere 5% of global GDP each year to implement the Sustainable Development Goals, it makes sense to remember S.L.Mansholt (image above), a Dutch politician who served as Vice-President of the European Commission also known for having coined the phrase Gross National Happiness (GNH) in 1972 as an alternative for GDP, a concept which is especially relevant in the context of the current apocalyptic climate emergency and especially in the context of Frans Timmermans (EU Executive Vice-President) recent words when he said that his grandson will have to fight with other human beings for water and food. 

In this context, it is important to remember the study that showed happiness increases with individual income until a threshold of 35,000 USD per year (at least for European countries) meaning that the suggestion of a maximum wealth-income cap of about 190 million USD  that was suggested in the post below can hardly be considered a communist one https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/can-190-million-usd-threshold-be.html

PS - Let´s also not forget the article published in February of this year where one can read the following inescapable truth: "As the efficiency as with which we make use of Eart´s finite bounty is bounded (by the laws of physics), there is necessarily some maximum sustainable level of GDP"

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Um atestado de ignorância para 5 juízes

 


Aquele tema premente comentado no post acima que envergonha Portugal a nível europeu está em brasa ´e hoje no jornal Público há um catedrático da Universidade de Lisboa que contribui para alimentar a fogueira. Se o dicionário define como ignorante, aquele que não sabe o bastante da sua profissão então é inequívoco que o artigo do referido catedrático passa literalmente um atestado de ignorância aos juízes lá mencionados. https://www.publico.pt/2021/11/23/opiniao/opiniao/tribunal-constitucional-regride-40-anos-1985863

PS - O supracitado artigo não é porém a única coisa com interesse no jornal Público de hoje, interessantes são também as declarações do ex-banqueiro Rendeiro que afirma que o Dr. Ricardo Salgado é protegido pelo sistema. Algo que não constitui nenhuma novidade como repetidamente se escreveu neste blogue como por exemplo aqui E já agora porque será que até hoje ainda não foram tornados públicos os nomes dos jornalistas a quem o referido Ricardo Salgado pagou para não revelarem a verdadeira situação financeira do BES ? É claro que o facto de haver jornalistas que conhecem a tal lista secreta e que até agora não tiveram a decência de revelar o seu conteúdo talvez se fique a dever aquele interessante estudo de investigadores Norte-Americanos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/porque-e-que-os-amigos-dos-vigaristas-e.html