terça-feira, 30 de novembro de 2021

O mestre da manipulação e a banalidade do mal

 


Quando em 29 de Novembro escrevi o post acima não poderia evidentemente conhecer ainda o conteúdo de um artigo que foi publicado no dia seguinte, onde se comentam resultados de estudos de uma equipa de investigadores da Austrália e da Alemanha, e onde se fala da capacidade de a inteligência artificial se tornar mestre na manipulação de humanos e da banalidade do mal  https://www.discovermagazine.com/technology/ai-is-learning-to-manipulate-us-and-we-dont-know-exactly-how

Trata-se de uma capacidade que evidentemente só pode constituir mais um motivo de alegria para os referidos CEOs, já que uma tal mestria na manipulação, de certeza que permitirá aumentar as vendas das suas empresas. Patéticas e profundamente ingénuas são por isso as declarações que defendem que o problema se poderá resolver se os Governos dos diferentes países acordarem em elaborar um código de ética que regule o funcionamento da inteligência artificial, esquecendo que a sociedade moderna está cheia de cartas, códigos e regulamentos de ética que são violados de forma rotineira (basta olhar por exemplo para as repetidas e grosseiras violações dos codígos de ética da investigação com animais que foram detectadas inclusive nas melhores universidades do mundo) como se percebe aliás pelo próprio algoritmo do Facebook que lucra com acções que são exactamente o oposto de um algoritmo regulado por principios éticos:
"Facebook profits from the proliferation of extremism, bullying, hate speech, disinformation, conspiracy theory, and rhetorical violence" https://link.springer.com/article/10.1007/s43681-021-00068-x

As firmas que aliciam investigadores para ganharem dinheiro a vender a co-autoria de artigos

 


Ainda na sequência do post acima e das afirmações reproduzidas no final do mesmo, de um catedrático da Universidade de Stanford, a quem os currículos com um número invulgar de publicações suscitavam muitas dúvidas. Transcrevo abaixo um texto contido num email que recebi ontem de uma organização chamada Vision-Science, que básicamente me propôs vender co-autorias de algum artigo que eu faça:
 "a. You will take the main responsibility for developing the research design, writing the draft, submitting the article to a journal, etc. 
b. We will invite other researchers to join into your paper as the co-author. The collaborator will provide financial support to your paper. The amount of funds will be based on the type of authorship of co-author (second/first) and the targeted journal (such as quartile, IF)"
 
Note-se que este negócio da venda de co-autorias já tinha sido denunciado na conhecida revista Science https://www.science.org/content/blog-post/authorship-sale-papers-sale-everything-sale onde até se pode ler que vendem artigos que já foram publicados na China em lingua Chinesa e que após a respectiva tradução podem ser novamente publicados em inglês por outros autores em revistas Ocidentais. 

O que porém lá não é dito é que é precisamente naqueles artigos com centenas ou milhares de co-autores, que se tornaram moda (praga) nos últimos anos, que é muito mais fácil vender co-autorias porque é muito dificil senão mesmo impossivel saber o contributo individual de tantos co-autores.  Não admira por isso que um estudo sobre centenas de artigos da área da medicina tenha descoberto quase 18% com co-autorias ficticias. 

PS - É evidente que vender co-autorias está ao mesmo nível daquilo que faz o famoso catedrático Didier Raoult e que lhe permitiu acumular milhares de artigos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html infelizmente o "modus operandi" do Sr. Raoult não é caso único na ciência mas apenas a ponta do iceberg. 


Nominations are now open until March 2022 for the 1 million euros 3rd edition Gulbenkian Prize for Humanity

 

"The Gulbenkian Prize for Humanity aims to recognize people, groups of people and/ or organizations from all over the world whose contributions to mitigation and adaptation to climate change stand out for its novelty, innovation and impact...the Calouste Gulbenkian Foundation considers any potential recognition areas that can contribute to one or a number of the following outcomes: 

Mitigation: reduction or prevention of greenhouse gas emissions or the increased absorption of already emitted GHG. The mitigation actions require the use of new technologies, clean energy sources, industrial processing, reducing deforestation, reforestation or restoring terrestrial, marine and coastal natural ecosystems, improved methods of sustainable farming and land use, and changes in individual and collective behaviors. 

Adaptation: reducing the negative consequences of climate change by taking measures to prevent or minimize impacts that can no longer be avoided, such as rising sea levels, extreme weather events and food insecurity, with actions that include technological measures, nature-based solutions and behavioral changes"


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

O sonho molhado dos CEOs

 


Ainda na sequência do post acima é bastante postivo constatar que um livro publicado este mês e comentado na semana passada na revista The Economist, já esteja à venda em Portugal https://www.wook.pt/livro/a-era-da-inteligencia-artificial-henry-a-kissinger/25534704

Mas como aperitivo ao mesmo afigura-se especialmente benéfico ler algumas das extensas criticas que o mesmo recebeu, como por exemplo a do professor Joseph Nye da Universidade de Harvard  https://www.project-syndicate.org/onpoint/age-of-ai-and-our-human-future-review-kissinger-schmidt-by-joseph-s-nye-2021-11

Bastante menos simpáticas são porém as criticas recebidas na Amazon https://www.amazon.com/Age-I-Our-Human-Future/dp/0316273805 e as mesmas nem sequer incidem sobre um aspecto fulcral, pois se há empresas como a própria Amazon em que os trabalhadores são forçados a urinar para garrafas imagine-se a esfuziante alegria dos CEOs em saber que no futuro terão ao seu dispor trabalhadores robotizados absurdamente inteligentes, que não necessitam de casas de banho nem perdem tempo a alimentar-se, que nunca fazem greves, que nunca se queixam nem muito menos formam sindicatos,  que nunca se cansam mesmo trabalhando 24 horas por dia, que nunca adoecem, que nunca faltam ao trabalho, e que nem sequer recebem qualquer salário ou qualquer outro subsidio, o que bem vistas as coisas é uma situação muitíssimo mais vantajosa para os CEOs do que aquela de que usufruiam os antigos donos de escravos. 

O próximo (deplorável) Presidente da Assembleia da República

 

Agora que Rui Rio (um candidato que curiosamente recusou debates com o seu adversário, o que deve ser uma nova e estranha forma de fazer politica) se tornou no candidato do PSD às próximas eleições legislativas, que serão quase de certeza ganhas pelo António Costa, já é possível saber pelo menos uma coisa, que é altamente provável que o próximo Presidente da Assembleia da República seja aquele inominável senhor cuja fronha inicia o presente post. Um pesadelo altamente perturbante que os Portugueses definitivamente não merecem. 

Seja como for, que ganhe o PS ou que ganhe o PSD é indiferente, porque quem perde é sempre Portugal, já que foram políticos daqueles dois partidos que nos últimos 47 anos andaram a sangrar este país para encher os bolsos deles e dos seus familiares e amigos. Foram os mesmos que aprovaram uma Constituição que permite a tortura de animais de companhia, os mesmos que  alteraram a lei para beneficiar os corruptos e também os condenados por crimes de pedofilia, os mesmos que aprovaram  as vergonhosas subvenções vitalícias para a classe politica, os mesmos que permitiram e continuam a permitir o tal escândalo milionário que é campeão absoluto neste blogue  e ainda os mesmos que recentemente aprovaram uma lei que impede a sua prisão  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/deputados-aprovam-lei-que-impede-que_21.html

PS - Que pena que não seja possível cruzar o mapa abaixo, que mostra os distritos onde Rui Rio venceu, com um mapa de Portugal onde se pudesse saber quais os distritos onde existe mais homofobia, para assim se poder aferir se a homofobia pesou na vitória do Rui Rio. Na verdade convém ter presente que não foi há assim tantos anos que num exame de Direito da Universidade de Lisboa se comparou o casamento entre dois homossexuais ao casamento entre uma pessoa e um animal doméstico.https://sicnoticias.pt/pais/2010-04-22-exame-universitario-compara-casamento-gay-a-uniao-de-humanos-e-animais3




domingo, 28 de novembro de 2021

China´s Nobel gap

 


The post above failed to mention the paradox of a country whose students tops PISA assessment but that has a mediocre performance in what concerns Nobel prizes (a Chinese obsession that was also confirmed in an interesting paper by Cong Cao published in the journal Minerva). 

A retired researcher of the University of Melbourne suggested that the Chinese education system is to blame because it views asking questions by students as a negative phenomenon:
"on the Chinese educational system, a question asked by a student at Chinese schools might mean one of the following two things: (1) the student is silly and did not understand what the teacher already explained (and what everybody else understood), or (2) the student is too ambitious and wants to show a teacher in a bad light–that the teacher cannot answer a new question"http://www.josephjordania.com/files/A-HUMAN-STORY-COMPLETE-2020-7-7.pdf

PS - Of course in what concerns Nobel prizes let´s not forget that USA is also a powerhouse in decline https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/the-future-of-researchthe-18-billion.html


Sequestro de carbono permite abatimento no IRS

 


É interessante constatar que depois do artigo choque de há duas semanas atrás, vide post acima, onde se falou de valorizações de mais de 2000%, ontem a secção de economia do Expresso voltou a dedicar um artigo aos terrenos agrícolas onde novamente se insiste que os mesmos são um investimento que "gera um rendimento sólido", quase parecendo que o Expresso está a contribuir activamente para empolar uma bolha, para juntar aquela outra bolha do mercado habitacional, que recentemente motivou um aviso da Comissão Europeia a Portugal. 

Ainda se ao menos o carbono (que esta semana atingiu o valor recorde de 73 euros por tonelada no mercado de futuros) sequestrado em certas espécies agrícolas pudesse ser descontado nos impostos seria um passo fundamental na implementação da agenda radical que defende a taxação da poluição, como defendeu o Secretário-Geral da ONU há dois anos atrás e como já defendia em 1970 o Nobel da Física  Norman Ramsey https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00963402.1970.11457790?journalCode=rbul20

PS - Nos EUA há créditos fiscais para sequestro de carbono mas infelizmente não incluem o sequestro por via de espécies vegetais. Felizmente porém que a Europa já está bastante mais avançada nessa matéria e de facto já não faltam muitos anos para que o "carbon farming" também possa gerar créditos fiscais  https://oppla.eu/new-european-commission-carbon-farming-initiative

sábado, 27 de novembro de 2021

Universidade Nova é a líder dos casos de incumprimento

 


Depois de no post acima ter apresentado a lista das instituições com maior (e com menor) número de revisões confirmadas apresenta-se abaixo uma análise mais fina, que mostra o resultado da diferença entre o rácio de revisões/100 docentes ETI e o rácio de publicações/100 docentes ETI indexadas na Scopus em 2021, onde se percebe que a Universidade Nova é aquela com o maior desvio entre revisões e publicações, logo aquela com o maior nível de incumprimento do importante dever de revisão, dever esse que no futuro será ainda mais importante https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/universities-should-stop-producing.html

Sobre este tema tenha-se presente que hoje mesmo é possível ler na Times Higher Education um artigo da nova Directora da IOP Publishing (que esteve muitos anos na Wiley) sobre o tema das revisões de publicações, relativamente às quais partilha as mesmas preocupações, que já há alguns anos foram expressas por um conhecido catedrático de medicina da Universidade de Stanford, que num artigo de 2014, que já recebeu várias centenas de citações, sugeriu corrigir/aperfeiçoar as actividades que devem ser valorizadas a nível académico, vide Tabela 2 do mesmo,  onde por exemplo se sugere tirar valor ao número de artigos, já que alguns/muitos desses artigos podem ser artigos irrelevantes ou até de baixa qualidade, mesmo que tenham sido publicados em revistas conhecidas. https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1001747 

UNova................  -176
UPorto................. -137
ULisboa................. -74
IPCA..................... -66
IPol.Beja............... -40
IPol.Bragança........ -9
UAçores................. -1
UAberta................ +27
IPol.Viana C......... +32
IPol.Viseu............. +37
UMinho................. +37
ISCTE................... +43
UMadeira............. +46
UCoimbra............. +61
IPol.Santarém...... +64
IPol.Setubal......... +68
IPol.Porto............. +71
IPol.Coimbra....... +74
IPol.Tomar........... +81
IPol.Lisboa.......... +90
IPol.Leiria.......... +100
UÉvora...............+103
IPol.Guarda........+192
UAveiro.............. +154
IPol.C.Branco.... +178
UTAD................. +221
UBI..................... +286
UALG................. +301
IPolPortalegre.... +371

Neste contexto vale a pena reproduzir as declarações de uma professora de medicina da Universidade de Sydney, Amanda Salis (cujo número de revisões, como não podia deixar de ser, é superior ao número de publicações): 
“I have observed a change of culture at the National Health and Medical Research Council-NHMRC and at research institutes in the past 5-10 years that has encouraged the addition of peer review activity to research applications. It is no longer enough to just be doing great research; you also need to demonstrate that you are contributing to your profession more broadly. Peer review is an important means by which researchers can contribute to the growth of their profession, and demonstrating that you have done a certain amount of peer review (via a verifiable means such as Publons) proves that you are indeed making contributions to the greater good of research”.

PS - O supracitado catedrático da Universidade de Stanford foi o mesmo que em 2016 escreveu que quando olhava para alguns currículos volumosos contendo um elevado número de artigos, ficava na dúvida se eram o resultado de trabalho árduo e brilhante liderança ou antes a prova de esquemas muito pouco éticos, incluindo de excelência na escravidão de jovens investigadores:
"It is sometimes difficult to tell whether a superb CV with a lengthy publication list reflects hard work and brilliant leadership or the composite product of dexterous power game networking, gift authorship [24], and excellence in the slave trade of younger researchers"

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Desempenho de 16 instituições de ensino superior em termos de colaborações internacionais


Se se admitir que agora que o centro de gravidade da economia mundial regressou à Ásia (de onde garantidamente não sairá tão cedo, vide artigo do Andrew Monaghan, que foi mencionado no post acessível no link acima e também o artigo publicado na revista The Economist comentado aqui, então isso significa que as universidades Portuguesas com mais colaborações com investigadores daquele país asiático, que é agora recorde-se o novo campeão mundial dos artigos altamente citados muito contribuem para minorar a sobejamente conhecida irrelevância do impacto internacional da ciência Portuguesa, https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/carlos-fiolhaisa-fraca-qualidade-da.html pelo que decorre daqui que, como mostram as duas imagens abaixo (que revelam as percentagens de colaborações relativamente ao total de publicações indexadas na base de dados Scopus) que são as universidades da Madeira, do Minho e de Coimbra as que mais se tem preocupado com essa importante questão, sendo dificil de perceber porque é que ao mesmo tempo há muitas outras instituições de ensino superior que se preocupam muitíssimo menos ou quase nada com a mesma. 





Controversial law that transforms precarious Post-Doc contracts into permanent positions was approved

 

"Berlin’s legislature took a radical step to address the precarious employment situation that plagues many early-career researchers. It passed a law requiring universities to offer new postdoc hires a pathway to a permanent position"

It is true that the law recently approved by the City-State of Berlin, see link above, is not perfect and will bring challenges in terms of budget compliance, but it is advisable to look at those challenges in a different way, in a less fossilized way. And that way requires us to ask ourselves what areas of activity it is necessary to stimulate in a knowledge economy and even more in a context of a climate apocalypse, which led the Executive Vice President of the European Union, Frans Timmermans, to recently express concern about his grandson, born in 2020, that may have  to fight with other human beings for water and food in a not-too-distant future

In what concerns who´s gone pay the aforementioned controversial but virtuous rain of post-doc positions let´s not forget that every year, Europe loses tens of billions of euros in tax evasion (and that is why the relentless German obsession with chasing big tax evaders even acting within the limits of legality and buying lists with information that was stolen from banks is in my view absolutely understandable) which means that only 10% of this amount would allow for the permanent hiring of almost 300,000 permanent post-doc positions in Europe. 

This extraordinary research funding exercise is also crucial for Europe's economic recovery and the person who said it was not anyone passionate about science, but the President of the European Central Bank, Christine Lagarde in a statement produced at the World Economic Forum.

PS - And I don't even need to waste any time mentioning the obvious, that today's society needs substantial measures to tackle the growing cult of ignorance that I commented on November 1st https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/attenborough-versus-ronaldo-or.html

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O catedrático Sobrinho Simões e a infalível receita educativa para NÃO fabricar excelentes investigadores

 

A primeira vez que ouvi alguém, com elevado prestigio académico, referir-se publicamente à importância primordial da formulação de questões, foi na pessoa do catedrático Sobrinho Simões, que no Palácio de Belém em Outubro de 2017 disse que "aquilo que distingue a espécie humana não é a capacidade de dar respostas mas a de fazer perguntas".

Depois disso foi também num livro de Julho de 2020 de um académico aposentado da Universidade de Melbourne, cujo primeiro capítulo é precisamente sobre a importância de fazer perguntas. Onde se fica a saber que o sistema educativo tradicional, que privilegia dar respostas e não fazer perguntas tem arruinado (leia-se tem desgraçado) o futuro de sucessivas gerações de estudantes, sendo o mais flagrante exemplo disso mesmo o "sucesso" dos estudantes Chineses (na China entendem que há apenas duas razões para justificar o comportamento dos alunos que tem o hábito de fazer muitas perguntas, ou são alunos burros ou são alunos dissimulados e velhacos que querem mostrar que o Professor não sabe a resposta) nos testes PISA que (sem surpresa) não encontra correspondência com o flagrante insucesso da mesma China em termos de prémios Nobel, que é a maior prova de um sistema de ensino que até foi bastante útil para a economia industrial do século 20, mas é absolutamente desadequado quanto a suprir as necessidades de uma economia do conhecimento o século 21. Sobre a flagrante falácia dos testes PISA vale a pena recordar um post de 2019 aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/pisa-best-students-in-world.html

Coisa bastante diferente e muito mais problemática são os inúmeros desafios que o futuro trará no que respeita à formulação de perguntas, como se percebe através das investigações da omnipresente (e quase omnisciente) google no respeitante a ensinar a inteligência artificial a fazer perguntas e mais recentemente através de resultados de investigações que aproveitaram a inusitada capacidade da inteligência artificial para formular hipóteses. https://www.scientificamerican.com/article/ai-generates-hypotheses-human-scientists-have-not-thought-of/

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Aprovada lei polémica que transforma contratos precários de investigadores Pós-Doc em contratos permanentes


"Berlin’s legislature took a radical step to address the precarious employment situation that plagues many early-career researchers. It passed a law requiring universities to offer new postdoc hires a pathway to a permanent position"

É verdade que a lei recentemente aprovada pela cidade Estado Berlin, vide link acima, não é perfeita e trará consigo muitos desafios desde logo o da cabimentação orçamental, porém é preciso olhar para o problema de uma outra forma, mais desempoeirada (leia-se menos fossilizada). E essa forma requer que nos interroguemos sobre que áreas de actividade é que se torna necessário estimular numa economia do conhecimento e ainda por cima num contexto de apocalipse climático, que leva a que até mesmo o Vice-Presidente Executivo da União Europeia, Frans Timmermans, recentemente se tenha mostrado preocupado quanto à possibilidade do seu neto, nascido em 2020, ter num futuro não muito longínquo de lutar contra outros humanos por água e comida. 

Já sobre saber-se onde é que a Alemanha e os restantes países europeus irão buscar dinheiro para sustentar a tal polémica mas virtuosa transição, é importante recordar que a Europa perde todos os anos largas dezenas de milhares de milhões de euros em fuga aos impostos (e é por isso que a implacável obsessão Alemã de perseguir os grandes evasores fiscais mesmo agindo no limite da legalidade e comprando listas com informação que foi roubada a bancos é a meu ver absolutamente compreensível e até bastante louvável atenta a magnitude do problema) o que significa que apenas 10% do referido e criminoso valor permitiria contratar de forma permanente quase 300.000 investigadores pós-docs na Europa e se eles fossem distribuidos de forma proporcional atenta a dimensão de cada país então a Portugal caberiam 4000 contratos permanentes para pós-doutorados. 

Essa alocação de verbas à investigação é além disso crucial para a recuperação económica da Europa e quem o afirmou não foi nenhum apaixonado pela ciência, mas sim a Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde em declarações produzidas no World Economic Forum.  

PS - E nem sequer preciso de perder tempo a referir o óbvio, que a sociedade actual necessita de medidas substanciais que ajudem a combater o crescente culto da ignorância, que neste blogue comentei no passado dia 1 de Novembro aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/ronaldo-versus-attenborough.html

Happiness and climate apocalypse

    

Still following the article published in Nature on August 20, that showed that it would cost just 1% of global GDP per year to implement the Paris agreement, and a mere 5% of global GDP each year to implement the Sustainable Development Goals, it makes sense to remember S.L.Mansholt (image above), a Dutch politician who served as Vice-President of the European Commission also known for having coined the phrase Gross National Happiness (GNH) in 1972 as an alternative for GDP, a concept which is especially relevant in the context of the current apocalyptic climate emergency and especially in the context of Frans Timmermans (EU Executive Vice-President) recent words when he said that his grandson will have to fight with other human beings for water and food. 

In this context, it is important to remember the study that showed happiness increases with individual income until a threshold of 35,000 USD per year (at least for European countries) meaning that the suggestion of a maximum wealth-income cap of about 190 million USD  that was suggested in the post below can hardly be considered a communist one https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/can-190-million-usd-threshold-be.html

PS - Let´s also not forget the article published in February of this year where one can read the following inescapable truth: "As the efficiency as with which we make use of Eart´s finite bounty is bounded (by the laws of physics), there is necessarily some maximum sustainable level of GDP"

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Um atestado de ignorância para 5 juízes

 


Aquele tema premente comentado no post acima que envergonha Portugal a nível europeu está em brasa ´e hoje no jornal Público há um catedrático da Universidade de Lisboa que contribui para alimentar a fogueira. Se o dicionário define como ignorante, aquele que não sabe o bastante da sua profissão então é inequívoco que o artigo do referido catedrático passa literalmente um atestado de ignorância aos juízes lá mencionados. https://www.publico.pt/2021/11/23/opiniao/opiniao/tribunal-constitucional-regride-40-anos-1985863

PS - O supracitado artigo não é porém a única coisa com interesse no jornal Público de hoje, interessantes são também as declarações do ex-banqueiro Rendeiro que afirma que o Dr. Ricardo Salgado é protegido pelo sistema. Algo que não constitui nenhuma novidade como repetidamente se escreveu neste blogue como por exemplo aqui E já agora porque será que até hoje ainda não foram tornados públicos os nomes dos jornalistas a quem o referido Ricardo Salgado pagou para não revelarem a verdadeira situação financeira do BES ? É claro que o facto de haver jornalistas que conhecem a tal lista secreta e que até agora não tiveram a decência de revelar o seu conteúdo talvez se fique a dever aquele interessante estudo de investigadores Norte-Americanos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/porque-e-que-os-amigos-dos-vigaristas-e.html

Terá sido este o único Português que se tornou milionário sem sujar as mãos com sangue ?


A imprensa do passado fim de semana achou pertinente perder o seu tempo com o Palácio da Brejoeira que está à venda por 25 milhões de euros. Algo que não é novidade pois que já no passado mês de Julho tinha sido noticia na imprensa escrita https://www.jn.pt/local/noticias/viana-do-castelo/moncao/noticia-na-forbes-faz-disparar-interessados-por-palacio-portugues-a-venda-por-25-milhoes--13946629.html

Infelizmente (e prestando um péssimo serviço ao verdadeiro jornalismo que dita que só interessam as noticias que alguém não quer ver publicadas pois que o resto são relações públicas) sobre a origem da fortuna com que foi construído o dito Palácio nem uma única palavra. Mas não é preciso grande esforço para se descobrir que o mesmo foi edificado no século 19 graças a uma imensa fortuna que um certo Luís Pereira Velho de Moscoso conseguiu  no Brasil  https://www.revistarua.pt/palacio-da-brejoeira/

Resta por isso saber se Luís Pereira Velho de Moscoso terá sido o único Português que no século 19 andou no Brasil e se tornou milionário sem sujar as mãos com sangue de escravos, isto numa altura em que a regra do enriquecimento rápido no Brasil envolvia escravatura, como sucedeu com várias centenas de famílias que regressaram a Portugal no século 19 com uma fortuna colossal, que aos dias de hoje ascenderia a muitos milhares de milhões de euros (vide livro de um investigador da Universidade do Porto), como também sucedeu com o conhecido traficante de escravos Joaquim Ferreira dos Santos (1.º Barão de Ferreira, 1.º Visconde de Ferreira e 1.º Conde de Ferreira) que comentei num email de Agosto de 2019 e posteriormente num post de Novembro do mesmo ano  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/the-trajectory-of-great-slave-trader-of.html ?

Trata-se convém recordar do mesmíssimo Joaquim Ferreira que em Junho de 2020 tinha motivado um artigo no jornal Público por parte de um ex-Director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto sob o sugestivo título de "Conde de Ferreira: negreiro ou benemérito?" https://www.publico.pt/2020/06/16/opiniao/noticia/conde-ferreira-negreiro-benemerito-1920759


segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Recomendações de vários investigadores para conseguir um aumento de citações

  


Ainda na sequência do post acima onde fiz referência a estudo que indica que linguas não se devem utilizar na escrita de artigos para maximizar o seu impacto e onde também fiz referência às recomendações inscritas num artigo publicado nos Proceedings of the Royal Society, vale a pena ler um Editorial acessível no link abaixo que revela o que deve e não deve ser o título de um artigo para ter mais impacto na comunidade científica. https://pubs.acs.org/doi/full/10.1021/acs.langmuir.1c01117

E claro que convém também não esquecer aquelas duas conhecidas recomendações fundamentais aconselhadas por investigadores da Suiça e dos EUA, a primeira que dita que quando se citam outros artigos deve dar-se preferência a artigos que já sejam altamente citados e a segunda que aconselha a que no estabelecimento de colaborações se deve dar preferência a colaborações com investigadores pertencentes a universidades de topo,  ou quando isso não for possível que pelo menos se dê preferência a colaborações com investigadores daquele país que recentemente se tornou o novo campeão mundial dos artigos altamente citados  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/highly-cited-paperschina-is-new-number.html

Desenganem-se porém aqueles que acham que basta fazer artigos em colaboração com investigadores de universidades de topo para logo se conseguir um elevado número de citações. A prova de que isso não é suficiente pode encontrar-se no famoso programa MIT Portugal que deu origem a artigos que estão muito longe de serem artigos bastante citados, vide alguns deles abaixo:


E se isso sucede nas publicações conjuntas com investigadores do famoso MIT, muito mais provável é que também suceda com as publicações conjuntas com investigadores da Espanha e do Brasil, países onde nunca houve, não há, nem vai haver universidades de topo, razão pelo que o seu crescimento foi criticado aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evolucao-das-colaboracoes-cientificas.html

domingo, 21 de novembro de 2021

Evolução das colaborações científicas dos investigadores Portugueses com investigadores estrangeiros nos últimos 60 anos


A figura acima mostra a evolução das publicações científicas dos investigadores Portugueses, indexadas na base Scopus, as quais contaram com a colaboração de investigadores estrangeiros. Os sete países estrangeiros apresentados são aqueles com os quais Portugal apresenta maior número de publicações conjuntas. O eixo vertical, em escala logarítmica, representa a percentagem de publicações face à produção indexada total de Portugal. 

A primeira conclusão é que houve um aumento substancial da percentagem de publicações conjuntas com investigadores dos referidos países, subindo de forma sustentada desde 1960-90 até 2016-2020. Infelizmente a qualidade dessas colaborações foi decrescendo com o tempo, já que durante várias décadas o Reino Unido foi o primeiro país estrangeiro com o qual Portugal partilhava mais publicações conjuntas porém há mais de uma década que esse lugar foi ocupado pela Espanha, que não é um país cuja ciência seja conhecida por ser líder mundial, o que se afigura assim muito pouco promissor para o futuro do impacto da ciência Portuguesa, especialmente se levarmos em conta que o centro de gravidade da economia mundial regressou novamente à Ásia, de onde não sairá tão cedo  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/six-books-to-understand-future.html

Também porque se no período 1960-90 Portugal tinha quase tantas publicações em conjunto com investigadores Alemães do que com investigadores da Espanha, Itália e Brasil, agora as publicações conjuntas com investigadores Alemães são em número 4 vezes menor do que as publicações em conjunto com os investigadores Espanhóis, Italianos e Brasileiros. Aliás o Brasil é precisamente o país que apresenta o maior crescimento de publicações conjuntas com Portugal, quando era suposto que o nosso país estivesse a crescer no número de publicações conjuntas com investigadores de países com um sistema científico muito mais robusto do que o nosso, o que não é como se sabe o caso do Brasil, um pais cujas instituições científicas infelizmente foram praticamente arrasadas pelo Presidente Bolsonaro  https://www.insidehighered.com/news/2021/11/11/brazil-cuts-federal-science-spending-90-percent

Recorde-se que a perda progressiva da competitividade científica de Portugal é bem evidente no facto das melhores universidades nacionais se andarem a afundar no ranking Shanghai onde já só há três universidades (ULisboa, UPorto e UMinho) nos primeiros 500 lugares. A universidade Nova de Lisboa até já aparece abaixo de Universidades do Paquistão, do Irão e do Egipto. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/o-incompreensivel-desempenho-cientifico.html

A própria universidade de Lisboa ainda deve parte da sua classificação ao Nobel Egas Moniz de 1949, que segundo as regras do referido ranking vai perdendo peso com o passar do tempo o que significa que a Universidade de Lisboa dificilmente conseguirá evitar a sua queda futura no ranking Shanghai https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/as-descidas-da-universidade-de-lisboa.html

Deputados aprovam lei que impede que a polícia os possa prender

  

"deputados nacionais e membros do Governo, deputados regionais e membros dos governos regionais não podem ser detidos ou presos sem autorização, respectivamente, da Assembleia da República e das assembleias legislativas regionais"

O esclarecedor (e infame) texto acima, que faz parte de uma lei aprovada esta semana no Parlamento, foi revelado num artigo do jornal Público e eu até acho que os Portugueses podem sentir-se agradecidos pela modéstia da redacção da referida lei, porque os nossos deputados podiam ter dado largas à sua imensa imaginação e aprovado uma lei que ditasse que qualquer um deles só poderia ser preso quando terminasse o seu mandato, também que o tempo de privação de liberdade teria de ser cumprido em hotel de 6 estrelas, pago obviamente pelo Orçamento de Estado e ainda que a remuneração de deputado se manteria na totalidade durante o cumprimento da pena. 

Ontem um conhecido catedrático jubilado da Universidade de Coimbra de nome Vital Moreira escreveu a propósito das decisões dos nossos queridos deputados que ocorre neste país a "captura do Estado por um grupo profissional poderoso" referindo-se aos advogados, o tal grupo profissional que acha que um vencimento de 4000 euros/mês é indignamente baixo, (mal) habituados que estão a salários entre 8000 e 28.000 euros  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/milionarias-sociedades-de-advogados.html

Curiosa e coincidentemente no inicio deste mês, mais precisamente em 8 de Novembro, eu tinha escrito neste blogue algo não muito diferente acerca de um: "Parlamento que nos últimos 47 anos esteve sempre  refém dos interesses particulares dos deputados em especial dessa nefasta espécie que são os deputados-advogados" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/um-escandalo-sem-prazo-de-validade.html

Porém e muito antes disso, em Abril de 2019, também já tinha escrito sobre  o "assalto" dos advogados à Assembleia da República e sobre a aberrante anomalia estatística que era o facto dos advogados representarem 20% dos deputados da Assembleia da República quando aquela classe profissional constitui menos de 1% da população Portuguesa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/como-e-que-chegamos-miseraveis-salarios.html uma situação tão aberrante e inaceitável como seria aceitar que 20% dos deputados fossem por exemplo coveiros ou futebolistas. 

PS - O tal post escandaloso comentado em 8 de Novembro continua sem abrandar o número de visualizações de tal forma que agora já possui 6 vezes mais do que o segundo mais visto de sempre. 

sábado, 20 de novembro de 2021

Engenheiros artistas e médicos assassinos que recitam poesia e tocam violino

 


Ainda sobre a tal revolução pedagógica mencionada no post acima, onde se fala de futuros engenheiros do IST a frequentar unidades curriculares de Belas Artes, convém recordar que essas inovações pedagógicas também irão fazer parte da nova formação médica da Universidade do Porto, onde os futuros médicos diplomados por aquela universidade poderão aprender poesia e violino https://noticias.up.pt/estudantes-de-medicina-do-icbas-vao-aprender-poesia-e-musica/

E é certo e sabido que agora que há máquinas capazes de fazer diagnósticos com uma eficácia muito superior à de especialistas médicos (hoje mesmo o caderno principal do Expresso contém um artigo sobre a robotização e o futuro do trabalho onde se fala de um robô que a Ordem dos Médicos da China autorizou que faça diagnósticos e passe receitas médicas) significa isso que há algumas unidades curriculares dos antigos planos de estudos do curso de medicina que devem ser substituidas por outras, que são muito mais necessárias, onde os futuros médicos possam por exemplo aprender sobre qual a forma mais adequada (leia-se empática) de tratarem os doentes, já que há de certeza absoluta candidatos a médico que escolheram aquela profissão unicamente para poderem facturar à grande como estes aqui e muito menos ou quase nada pelo grande amor que nutrem pelas pessoas portadores de enfermidades. 

E já nem falo dos psicopatas que escolheram a profissão médica pela possibilidade que tal profissão lhes propicia de poderem dar largas à sua psicopatia, como aquele médico que matou mais de 200 pessoas ou aquele outro de nome Christopher Duntsch (que os Portugueses ficaram a conhecer há pouco tempo através da HBO) que desgraçou a vida a dezenas de pacientes, tendo morto dois deles e que em boa hora foi condenado a prisão perpétua. 

PS - Infelizmente e como recordou o recentemente falecido e muito elogiado George Steiner, que foi professor em várias universidades, incluido em Oxford e Harvard, a cultura não impede que alguém seja um psicopata assassino https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/porque-e-que-cultura-nao-e-antidoto.html

O cadastrado cheio de sorte e a bolseira injustiçada no país das leis corrompidas



Já se sabia que o Código Penal deste país incentivava as grandes burlas (pois a pena para uma burla de alguns milhares de euros é exactamente a mesma que é aplicada numa burla de vários milhões) e ainda que é muito misericordioso face aos crimes dos pedófilos e dos corruptos, vide posts acima, e agora fica-se também a saber, através de um artigo da revista Sábado, que o referido Código também mostra grande generosidade perante um criminoso de longo cadastro, que incluí roubo agravado, posse de arma proibida, emissão de cheque sem cobertura, especulação e falsidade de depoimento, a quem uma juíza de nome Sónia Kietzmann Lopes, concedeu a liberdade condicional. Pelas conta da revista Sábado o referido finório, esteve apenas 1 (um) ano num estabelecimento prisional.

Compare-se o caso acima que foi divulgado pela revista Sábado com a incompreensível recusa de liberdade condicional a uma investigadora que nunca tinha cometido qualquer crime na vida e que foi condenada a vários anos de prisão, por ter chamado corruptos a vários juízes, no âmbito de um concurso de uma bolsa de estudo onde existiram graves irregularidades https://www.publico.pt/2018/09/13/sociedade/noticia/tribunal-rejeita-liberdade-condicional-a-investigadora-maria-de-lurdes-lopes-rodrigues-1843945 

PS - Em 2017, já depois de ter sido presa, a revista Sábado conseguiu entrevistar a referida investigadora, o esclarecedor conteúdo da mesma está acessível no link abaixo https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/05/04/entrevista-a-revista-sabado-maria-de-lurdes-libertacao-imediata/

The flawed Clarivate list of influential scientists will remain flawed even after the third change in its methodology



The list of scientists elaborated annually by Clarivate Analytics is still shrouded in controversy. After 2018, and as a result of the criticism it received from the scientific community, it started to include a new category "Cross-Field". After it also decided to remove articles with more than 30 affiliations, and this year a new change on the methodology has occurred. This time Clarivate Analytics says it decided to remove (evil) articles with more than 30 authors.

But why is the magic number 30 and not 29, or 28, or 27, or 26, or 25, or 24, or 23 etc etc etc? Clarivate Analytics says nothing about this, probably because secrecy seems to be the soul of the business. More likely it does not want to recognize that its methodology is irremediably flawed, as has been recognized by several researchers, such as Docampo & Cram (2019), Asknes &Aagaard (2021), or more recently Koltun &Hafner (2021) https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html

To Clarivate Analytics' great misfortune, some Stanford University researchers went out of their way to try to solve the aforementioned limitations and presented a list that is scientifically much more reliable. https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/3?fbclid=IwAR1vdz It solves the serious problem of articles with tens, hundreds or thousands of authors, at the same time, it also avoids the nonsense of Clarivate Analytics' list, that put together researchers from very different areas forgetting that they have very different citation patterns as was shown by Lillquist and Green  https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-010-0162-3

Last but not least, the list of researchers at Stanford University (as opposed to the flawed Clarivate Analytics list) is guided by the principle of transparency and thus makes raw data available to anyone.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

What kind of chaos does Academia really need ?

 

A retired Full Professor of the University of Minho wrote a small piece titled "Predicting the Future" about the importance of chaos for the success of organizations.  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/academia-portuguesa-necessita-de.html

But what kind of chaos does Academia really need ? The slack type chaos that can lead to "an increase in creative projects, particularly relatively complex, high-quality projects” the Schumpeterian creative destruction chaos, or the absolutely disruptive "Better to reign in Hell than serve in Heaven" Milton´s kind of chaos?

PS - In the picture above, Satan in the Council summons the rebel angels. His famous speech reminds me that of Niall Ferguson who intends to reign in his new Hellish like  University https://www.washingtonpost.com/outlook/2021/11/15/not-so-hidden-purpose-university-austin/
 

As ilustres investigadoras Portuguesas descriminadas pela comunicação social

     


Ainda na sequência do post acima onde foi mencionado o nome de uma cientista altamente citada pertencente à Universidade de Lisboa, cujo trabalho científico a comunicação social sempre ignorou, listam-se abaixo o nome de outras investigadoras que a mesma comunicação social descriminou, tendo optado por dar destaque quase exclusivo à catedrática Elvira Fortunato que no ranking da Universidade de Stanford, curiosamente, aparece muito abaixo das referidas investigadoras. 

Paula Isabel Moreira............Universidade de Coimbra (foto no inicio do post)
Maria Carmo-Fonseca.........Universidade de Lisboa
Helena Pereira.....................Universidade de Lisboa

Nos últimos anos a comunicação social deu algum destaque ao nome da Catedrática Helena Pereira, mas somente por conta de ela se ter tornado Presidente da FCT e não por conta da sua obra científica. E fenómeno similar já tinha ocorrido com a Maria do Carmo Fonseca que só passou a receber alguma atenção mediática depois de ter ganho o prémio Pessoa.

PS - Uma pesquisa no Público encontra 70 noticias com o nome da catedrática Elvira Fortunato, um número muito superior ao das noticias que mencionam o nome do seu marido, o catedrático Rodrigo Martins, que a mesma imprensa também tem andado a descriminar há muito tempo https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/uma-duvida-sobre-invencao-da.html quase parecendo que estão a germinar em Portugal as ideias radicais daquela lésbica furiosa, que já mereceu um artigo na revista The Economist e que defende que aquilo que é feito por homens dever ser desprezado por todas as mulheres https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/lesbica-francesa-vem-em-socorro-do.html

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

UAveiro, UBI e UCoimbra são as instituições onde os investigadores menos merecem a solução radical

 


Ainda sobre a tal solução radical mencionada no post acima segue abaixo, para cada uma das instituições de ensino superior públicas, o rácio médio revisões nos últimos 12 meses/100 docentes ETI confirmadas na plataforma Publons-Clarivate. 

1 - UAveiro................642 revisões por cada 100 ETIs
2 - UBI.......................572
3 - UCoimbra.............495
4 - IPolPortalegre......486
5 - UALG...................475
6 - UTAD...................467
7 - UPorto.................405. 
8 - UMinho................385
9 - ISCTE..................354
10 - UNova................351
11 - IPol.Viana C.......309
12 - ULisboa..............276
13 - IPol.Leiria...........249
14 - IPol.Porto...........248
15 - IPol.Guarda........246
16 - UÉvora...............240
17 - IPol.C.Branco.....236
18 - UMadeira............217
19 - IPol.Bragança.....214
20 - IPCA...................202
21 - IPol.Coimbra......171
22 - IPol.Lisboa.........171
23 - UAçores.............143
24 - IPol.Setubal.......131
25 - IPol.Viseu...........130
26 - IPol.Tomar..........123
27 - IPol.Santarém....102
28 - UAberta..............100
29 - IPol.Beja...............25

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

A falhada lista de cientistas influentes vai continuar falhada mesmo após a terceira alteração da metodologia

 

A tal lista de cientistas elaborada anualmente pela Clarivate Analytics continua em bolandas. Depois de em 2018, e em resultado das criticas que recebeu por parte da comunidade científica, ter passado a incluir uma nova categoria e depois de também ter decidido remover os artigos com mais de 30 afiliações a referida lista volta este ano a apresentar mais uma alteração da sua metodologia, desta vez a Clarivate Analytics diz que decidiu eliminar os (malvados) artigos com mais de 30 autores

Porque é que o número mágico da malvadez é 30 e não 29, ou 28, ou 27, ou 26, ou 25, ou 24, ou 23 etc etc etc ? Sobre isso porém a  Clarivate Analytics nada diz porque o segredo parece ser a alma do negócio, talvez porque muito provavelmente aquela não queira dar a mão à palmatória e reconhecer que a sua metodologia está errada de forma irremediável, como já foi reconhecido por vários investigadores, como por exemplo o Docampo &Cram (2019), Asknes&Aagaard (2021) ou mais recentemente o Koltun&Hafner (2021) https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html

Para grande azar da Clarivate Analytics alguns investigadores da Universidade de Stanford, meteram-se ao caminho para resolver as limitações referidas e apresentaram uma lista que é cientificamente muito mais fiável, pois soluciona o grave problema dos artigos com dezenas, centenas ou milhares de autores, ao mesmo tempo que também evita as asneiras da lista da Clarivate Analytics que em má hora achou boa ideia misturar alhos com bugalhos, isto é, juntou no mesmo grupo investigadores de áreas muito diferentes. https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/3?fbclid=IwAR1vdz

PS - Por último e não menos importante a lista dos investigadores da Universidade de Stanford (ao contrário da falhada lista da Clarivate Analytics) pauta-se pelo principio da transparência e assim disponibiliza os dados em bruto a quem os queira consultar, o que desde logo permite saber de forma rápida quem são os investigadores que sistematicamente abusam das auto-citações.