sábado, 25 de setembro de 2021

A idosa mulher de um famoso ex-Presidente de Câmara a quem o Estado deu dezenas de hectares e dezenas de milhares de euros para ela ser jovem agricultora


O implacável jornalista António Cerejo, cujas investigações tem aterrorizado tantos políticos e que tem descoberto inúmeras malfeitorias que tem ocorrido ali para os lados de Castelo Branco, acaba de descobrir mais uma muito pouco edificante, em Idanha-a-Nova, que se junta a uma outra, sobre burla de uma autarca socialista, revelada no passado mês de Março.  

No artigo abaixo, hoje publicado, fica-se a saber que a mulher do ex-Presidente da Câmara de Castelo Branco (antes já tinha sido Presidente da Câmara de Idanha-a-Nova), Joaquim Morão (sobre quem o mesmo António Cerejo também escreveu um interessante artigo), médica aposentada e ainda actualmente directora clínica da Santa Casa da Misericórdia, recebeu do Estado Português 16 hectares de terras e dezenas de milhares de euros como condição para produzir 220 toneladas de figo da Índia, revela porém o mesmo artigo que não vendeu um único figo, e atentas as reduzidas despesas de apenas escassas centenas de euros obteve lucros astronómicos, o que significa que a referida médica também sabe a famosa receita para o sucesso económico, neste desgraçado país, que desde 1974 anda a ser sangrado de forma impune por uma classe politica reles e destituída de qualquer vergonha.
"Nas contas da sociedade unipessoal Conceição Morão Ldª, titular dos contratos de sub-arrendamento e de financiamento, percebe-se que até agora a empresa não vendeu um único figo e não criou um único posto de trabalho, permanente ou a tempo parcial. Além disso, registou gastos com pessoal apenas em 2018 e 2020, sendo que esses gastos são de escassas centenas de euros"

PS - A imagem acima mostra não só o famoso Ex-presidente de Câmara. mas também em segundo plano, a deputada Hortense Martins, que também sabe fazer excelentes negócios com lucros superiores a 500% https://www.publico.pt/2020/11/18/politica/noticia/exautarca-deputada-lucraram-525-terreno-subestacao-ren-1939586 

Artigo - Portugal abaixo do Irão no ranking de países em termos da qualidade da investigação

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html

Ainda sobre as centenas de catedráticos com zero publicações altamente citadas, de que no post acima se nomearam algumas dezenas, vale a pena olhar para o recente artigo mencionado no post abaixo de ontem, que mostra que o Irão, aparece acima de Portugal num ranking de países em termos da qualidade da investigação relativamente ao rácio número de investigadores altamente citados/(PIB/capita). 


sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Country ranking of research success using Stanford highly cited scientists list


See below a paper that was put online this month. Check Table 1 in page 11 for the country ranking normalized by number of inhabitants and GDP.

"Bibliometrics provides accurate, cheap and simple descriptions of research systems and should lay the foundations for research policy. However, disconnections between bibliometric knowledge and research policy frequently misguide the research policy in many countries. A way of correcting these disconnections might come from the use of simple indicators of research performance. One such simple indicator is the number of highly cited researchers, which can be used under the assumption that a research system that produces and employs many highly cited researchers will be more successful than others with fewer of them. Here, we validate the use of the number of highly cited researchers (Ioannidis et al. 2020; PLoS Biol 18(10): e3000918) for research assessment at the country level and determine a country ranking of research success"

https://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/2109/2109.01366.pdf


Raquel Varela quebra mais dois recordes

 


Não sei muito bem porque motivo, mas o post acima sobre a polémica do currículo da investigadora Raquel Varela, o qual já tinha quebrados dois recordes, o de post mais visto dos últimos 7 dias e também dos últimos 30 dias, acaba de ultrapassar mais dois recordes, o de post mais visto nos últimos 3 meses e também dos últimos seis meses (tendo destronado o post sobre a Reitora que falsificou uma acta de uma prova académica). O post em questão é agora (estranhamente) o 4º mais visto de sempre deste blog e não admira que ainda possa vir a destronar algum daqueles abaixo que constituem o trio dos mais vistos de sempre:







quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Paper - "Civil disobedience in scientific authorship"

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html

Still following the above posts about those scientists who can even write articles in their sleep and who are ruining science integrity (because if it is humanly possible that someone can produce hundreds of publications in a single year then those who can only produce two or three dozen in the same period must be dumb and those who produce less than a dozen of these then can only be mentally retarded) it is worth reading the article below from researchers at Maastricht University and Basel University. where the case of professor Sarah Elgin is mentioned, as an example of civil disobedience:

"Whether in the form of pseudonyms, guest authors or creative authorship attribution processes, civil disobedience in authorship serves the explicit purpose of demonstrating how many of the written and unwritten rules governing the distribution of credit and other resources in academia reinforce a long series of inequalities...we would see civil disobedience in faculty members such as in the case of Sarah Elgin, who included hundreds of students as authors on a publication. In fact, her actions are exemplary of civil disobedience...


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Ainda a polémica à volta do currículo da investigadora Raquel Varela e os Cheats (vigaristas, charlatães, trapaceiros)

 

Ainda sobre o post acima onde comentei um artigo do jornal Público acerca do currículo da investigadora Raquel Varela, o qual é pertinente recordar em poucas horas recebeu tantas visitas que se tornou logo no post mais visto dos últimos 7 dias e pouco depois também quebrou o recorde dos posts mais vistos nos últimos 30 dias, acho importante divulgar que o jornal  Público resolveu entretanto fazer mais um artigo, onde fornece mais pormenores sobre os artigos da Raquel Varela, no mesmo são apontadas discrepâncias entre o número de artigos que estarão indexados e o número daqueles que não estarão. https://www.publico.pt/2021/09/21/sociedade/noticia/raquel-varela-contabilizou-67-artigos-cientificos-so-metade-numero-1978291

Eu custa-me estar a defender novamente a investigadora Raquel Varela porque discordo frontalmente da maior parte das opiniões dela, mas acho que a gravidade do assunto o justifica. Ora bem, sobre a problemática da indexação é importante recordar aqueles muitos que não o sabem o seguinte. A anterior plataforma De Góis onde os investigadores tinham que colocar os seus currículos possuia uma ligação directa à Web of Science e também à Scopus que permitia  confirmar de forma automática se uma publicação estava ou não indexada naquelas bases de dados. Pois bem essa funcionalidade deixou de existir na nova plataforma Ciência Vitae, o que permite confusões como a presente que só podem ser dissipadas acedendo ás referidas plataformas, pelo que se há culpas de indexação a apontar a alguém então também aqueles que fizeram desaparecer essa funcionalidade agora as devem assumir. 

Além disso parece que o jornal Público se esquece que nos termos do concurso a que a investigadora Raquel Varela se candidatou, só interessam as principais actividades e resultados, pelo que é assim secundário o número total de publicações, mas sim somente o conteúdo (e não o número) das mais importantes.  Mas vamos ainda assim admitir, por hipotese, que a investigadora errou de forma grosseira na contabilização do numero de publicações indexadas, como alega a Direcção do IHC, factualidade que só pode porém ser devidamente comprovada no local próprio, isto é em sede de processo disciplinar, respeitadas as garantias de defesa da acusada (algo que está longe de tipificar uma grave infracção de integridade científica pois que essas envolvem segundo o famoso MIT, a fabricação de resultados, a falsificação da investigação, o plágio do trabalho de terceiros e a interferência dolosa no trabalho de outros investigadores), será que esse erro de contabilização pode induzir os avaliadores da sua candidatura ao engano ? Só se eles fossem extremamente incompetentes é que isso se poderia admitir, porque nenhum avaliador que se preze perde muito tempo com a longa lista de publicações que os candidatos inserem nos seus currículos, tentando sempre confirmar essa informação nas plataformas Scopus (ou Web of Science) pois é uma pesquisa que se faz em poucos segundos. E foi aliás sempre isso que fiz nas várias dezenas de projectos de investigação que nos últimos dez anos fui convidado a avaliar em quize países de quase todos continentes.  

Até porque é importante recordar aos leigos que há quem tenha muitas publicações, mas que são na sua maioria irrelevantes, que poucos leram e ninguém citou, como sucede com um dos 8 professores que mencionei no post anterior, que pasme-se tem zero citações na base Scopus, pelo que é assim muito menos importante o número de publicações e muito mais as citações que elas receberam de outros investigadores. E mais ainda se essas citações tiverem sido feitas por investigadores estrangeiros que trabalhem nas melhores universidades do Planeta https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/using-stanford-mit-harvard-citations-as.html ou mesmo por vencedores de prémios Nobel como aliás facilmente se percebe aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/academicos-portugueses-cuja-obra.html

Assim sendo devo dizer que me preocupa muito menos o currículo da investigadora Raquel Varela, que até possui mais publicações indexadas que vários catedráticos da sua área científica e que de forma regular teve de se candidatar a uma bolsa de investigação, tendo por isso sido repetidamente avaliada por peritos estrangeiros, do que o currículo daqueles muitos anónimos professores universitários, que passando entre os pingos da chuva chegaram à segurança da tenure em concursos combinados (o tal Reitor dixit) com jurados nacionais muito pouco exigentes e até com um número de publicações indexadas bastante inferior ao da investigadora Raquel Varela e alguns até mesmo sem um único artigo em revista indexada. Porém sobre esses incompetentes, que estão efectivos em lugares para os quais não possuem currículo científico mínimo, muito estranhamente, nunca o jornal Público escreveu uma única linha. 

Eu fico por isso muito contente em saber que o Público irá doravante "dar caça" aos titulares de currículos académicos duvidosos e sem dúvida alguma irá começar por questionar alguns famosos catedráticos da Academia Portuguesa, para saber como é que conseguiram o milagre de serem donos de milhares de publicações e já agora também para que eles possam esclarecer porque é que ao mesmo tempo apresentam zero revisões na plataforma Publons-Clarivate, em evidente incumprimento de um dever científico, quando é sabido que no mínimo deveriam ter um numero de revisões igual ao número de publicações, para assim evitarem o carimbo de Cheats (vigaristas, charlatães, trapaceiros) cunhado pelos professores catedráticos Jeremy Fox e Owen L. Petchey  https://esajournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1890/0012-9623-91.3.325

terça-feira, 21 de setembro de 2021

O currículo da investigadora Raquel Varela e a hipocrisia do jornal Público



O jornal Público dedica hoje uma inusitada atenção ao currículo da investigadora Raquel Varela, que alegadamente possuirá "entradas repetidas". Um leigo que hoje leia o referido artigo será (erradamente) levado a concluir que ela terá feito algo muitíssimo reprovável. 

Recordo que neste blog a dita investigadora Raquel Varela sempre foi repetidamente criticada por conta das suas opiniões, pelo que estou por isso muito à vontade para estranhar a atenção que o jornal Público deu ao terrível "crime" alegadamente cometido pela referida investigadora. Note-se porém que uma simples consulta à Web of Science ou à Scopus (onde estão as publicações que realmente interessam) soluciona qualquer questão de "entradas repetidas", porque aquelas bases de dados não permitem a repetição de publicações.

Note-se que uma rápida pesquisa na Scopus mostra que a investigadora Raquel Varela possui 17 publicações indexadas naquela base de dados, trata-se de um valor que é superior à produção científica de muitos Professores da mesma área científica, como por exemplo a do Professor Catedrático José Pedro Paiva da Universidade de Coimbra (16 publicações), da Professora Catedrática Amélia Polónia da Universidade do Porto (15 publicações), da Professora Catedrática Irene Vaquinhas da Universidade de Coimbra (13 publicações), da Professora Associada Ana Cristina Araújo, da Universidade de Coimbra (8 publicações), da Professora Associada Paula Pinto da Costa, da Universidade do Porto (7 publicações),  da Professora Associada Mafalda Soares da Cunha, da Universidade de Évora (6 publicações) do Professor Associado José Sotto Mayor Pizarro da Universidade do Porto (4 publicações) ou do conhecido Professor Associado Manuel Loff da Universidade do Porto (4 publicações) que costuma escrever no jornal Público. 

Mas se o jornal Público está de facto muito preocupado com o currículo dos professores e investigadores deste país porque é que nunca disse nada sobre o caso daquela "Ex-eurodeputada do PS acusada de mentir no currículo" quanto à "leccionação e regência de unidades curriculares, orientações, comissões científicas e organizadoras de colóquios e bibliografia, entre outras", que foi comentado neste blog em dois posts anteriores ?

Trata-se da mesma ex-eurodeputada do PS, cuja brilhante tese de doutoramento, alguém já tinha classificado como sendo um trabalho "absurdo, pueril, frívolo", e também que "algumas crianças do pré-escolar teriam feito melhor as contas aos dados estatísticos apresentados" https://passosnacalcada.files.wordpress.com/2021/02/para-a-historia-de-um-concurso-2.pdf

PS - Não deixa de ser bastante hipócrita que o jornal Público esteja tão preocupado com o currículo da investigadora Raquel Varela, o qual recorde-se irá ser analisado por peritos estrangeiros, os quais não deixarão de dizer o que de importante houver a dizer sobre o mesmo, ao mesmo tempo que não mostrou qualquer preocupação sobre a grave acusação de que os júris académicos para lugares de professores universitários são todos combinados https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/reitor-diz-que-os-juris-academicos.html

How do university systems' features affect academic inbreeding? The cases of France, Germany, Italy and Spain



Still following the post above check below a link for a paper published in Higher Education Quarterly: "institutional inbreeding has been approached as a negative and problematic institutional practice. From an ethical perspective, it has been linked with nepotism or in-group favouritism...a practice that can ‘ultimately place the university's legitimacy and social utility in jeopardy’ https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/hequ.12302

PS - If the inbreeding of European Royal families led to the freakish Habsburg jaw then to what aberration will academic inbreeding lead to ?


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A falta de preparação da Presidente da Agência Nacional de Inovação-ANI



As afirmações da Presidente da Agência Nacional de Inovação-ANI, comentadas no post anterior, revelam não só desconhecimento sobre aquilo que é efectivamente a realidade empresarial Portuguesa, como também sobre aquilo que foi publicado em termos científicos, nomeadamente um artigo na revista Economist, onde já se tinha previsto que a classificação de Portugal no ranking europeu da inovação iria piorar  https://www.mdpi.com/2227-7099/9/1/11/htm 

E porque é que Portugal não abriu um concurso internacional para escolher o Presidente da ANI ao invés de ter entregue o lugar a alguém (amigo) sem qualquer experiência empresarial e cujo CV se resume basicamente a exercício de cargos por convite e a duas dezenas de publicações indexadas, sem grande impacto científico e um diminuto h-index=10 ? 

Uma rápida pesquisa mostra que o responsável da Agência de Inovação do Reino Unido é alguém cujo CV se sintetiza da seguinte forma:
"highly experienced technology executive and business leader with a track record of leading innovation and technology commercialisation at businesses of all sizes across the world"

Será que a verdadeira razão porque Portugal não tem à frente da ANI alguém com um perfil similar ao do cargo equivalente no Reino Unido, é a mesma deplorável falta de ambição e de favorecimento de amigos, que também explica porque é que a execução do nosso plano de resiliência ficou a cargo de um amigo do Primeiro-Ministro enquanto que na Grécia o mesmo ficou a cargo de um prémio Nobel da Economiahttps://expresso.pt/economia/2021-05-15-PRR.-Missil-grego-arrasa-bazuca-portuguesa-17f67a63

domingo, 19 de setembro de 2021

The Economist - The world’s biggest carbon-removal plant switches on


The last edition of The Economist notices that on September 9, the world’s biggest carbon-removal plant located in Iceland has started sucking carbon dioxide directly from the air. It will capture 4000 tons of CO2 every year https://www.economist.com/science-and-technology/2021/09/18/the-worlds-biggest-carbon-removal-plant-switches-on

Of course, 4000 tons is almost nothing (it would require 125 years just to reach 0.5 million tons), the same as the carbon dioxide absorbed by 200.000 trees and much less than the 1 million tonnes per year that will be sequestered by the massive carbon removal plant that is now being built in Scotland to become operational by 2026 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/06/a-massive-plant-capable-of-removing-one.html

Even assuming that the aforementioned Iceland carbon removal plant would already be able to suck 1 million tons per year wouldn´t it be better to avoid massive deforestation that is able to store 7.6 billion tons of carbon per year https://www.nature.com/articles/s41558-020-00976-6 than to built expensive carbon removal plants (Iceland plant cost almost 15 million USD which means 75 USD/ton of carbon just for plant cost) ? 

Wouldn´t it be better for Iceland to copy Norway's example the country that paid 24 million USD to Indonesia to avert almost 4.8 million tons of carbon-related deforestation which means a cost of just 5 USD per ton of carbon ?

It´s worth mentioning that Norway has also agreed to paý Colombia 50 million USD per year to avoid deforestation https://www.regjeringen.no/en/aktuelt/colombia-og-noreg-styrkjer-skogsamarbeidet/id2596990/ And let´s not forget that paying poor countries to avoid deforestation is also an excellent way to reduce the number of the many "millions of young people living in miserable conditions that can easily be radicalized to engage in terrorist actions"

PS - Not to mention that building carbon removal plants will be unable to prevent the biodiversity crisis caused by deforestation that even worries the Financial Times. See the article below where one can read that Swiss Re estimates the value of biodiversity at 33 trillion USD a year  https://www.ft.com/content/d29231ca-3bdc-4bd1-a477-5504c772259a