quinta-feira, 2 de julho de 2020

IPCB versus IPBragança versus UBI__Publicações Scopus no último decénio e projecção até 2030


Ainda sobre o tal ex-Secretário de Estado de José Sócrates, que foi mencionado no post acessível no link acima, a quem os contribuintes pagam, via IPCB, um salário de professor-coordenador, atente-se na primeira imagem abaixo, que compara a produção científica dessa instituição com a produção científica da UBI e do Politécnico de Bragança. 

Se é certo que o IPBragança e a UBI possuem (grosso modo) respectivamente mais 30% e 70% dos docentes ETI do que o IPCB, a verdade é que o crescimento da produção científica daquelas duas instituições é muitíssimo superior à produção do IPCB, e a manter-se a tendência da última década, isso significa que em 2030  a produção científica do IPBragança e da UBI serão 300% e 700% superiores à do IPCB. 

Mas como é evidente, o baixo crescimento da produção científica de uma instituição, tem óbvios culpados, e a segunda imagem compara a evolução da produção científica indexada total do IPCB, com a produção de uma das suas escolas (ESGIN), escola essa que nos últimos meses tem estado no centro de um grande e inusitado berreiro público, que foi iniciado pelo Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Novahttps://www.reconquista.pt/articles/esgin-e-um-golpe-de-estado-do-ipcb como se pode ver, a produção dessa escola é praticamente inexistente, e é preciso esperar por 2030 para que ela consiga finalmente ultrapassar as duas dezenas de publicações indexadas anuais. 




Contaminação do rio Douro__estranhas explicações e estranhas ocorrências

https://www.publico.pt/2020/07/01/local/noticia/poluicao-douro-regressa-valores-anteriores-estado-emergencia-1922690

O jornal Público contém hoje uma estranha noticia (com uma figura muito elucidativa) sobre a contaminação fecal do Rio Douro, link acima, onde se pode ler que: 
"A diminuição da mobilidade nos municípios urbanos que drenam para o estuário — Porto, Gondomar e Vila Nova de Gaia — havia provocado uma descida significativa na quantidade de esgoto produzido...Sem as pessoas que se deslocam para essas urbes para trabalhar, estudar ou como turista, as cidades passaram a produzir muito menos esgoto"

Acho que o autor das palavras acima se esqueceu que quando não se produz esgoto num determinado sitio é porque ele está a ser produzido noutro. E em que rios é que esses esgotos foram descarregados ? Por algum estranho sortilégio serão por acaso afluentes do Mondego ou do Tejo ?

Igualmente estranha é a parte onde se pode ler que:
"nas oito ETAR que drenam para o estuário do Douro, lida-se com uma “carga adicional inadmissível”. Além de fraldas, pensos higiénicos, preservativos, cotonetes e pedaços de roupa, que se foram tornando comuns nestes locais, estão a chegar quantidades significativas de “máscaras, luvas e toalhetes desinfectantes”. As sanitas parecem continuar a ser encaradas como um caixote do lixo"

P.S - Está visto que é uma péssima ideia alguém lembrar-se de ir nadar para o rio Douro pois é mais do que garantido que vai acabar a engolir resíduos fecais....e ainda Covid-19. E isso apesar das garantias (pouco tranquilizadoras) da Senhora Directora Geral da Saúde.




Michael Shellenberger__Environmentally speaking "we live in the best of all possible worlds"



Michael Shellenberger (author of 9 publications indexed on Scopus) author of the joke book "Apocalypse Never" is almost like the famous endlessly-optimistic character of Voltaire (Prof. Pangloss) who kept saying that "we live in the best of all possible worlds" even after having being tortured! 

The difference between Shellenberger (the poster boy of the nuclear business) and Prof. Pangloss is that the latter had no idea what nuclear energy was while the former believes that only nuclear energy will save Humanity:
"few things make one feel more immortal than saving the life of a nuclear plant. Maybe that´s because nuclear energy itself could be said to be immortal...Today´s nuclear plants can easily operate from eightyyears and might run for one hundred..."  
https://www.amazon.com/Apocalypse-Never-Environmental-Alarmism-Hurts/dp/0063001691

Unfortunately, the moment we "speak" nuclear energy is already "saving" the ocean 



The Economist__The next catastrophe and the skewed academic priorities


This week's The Economist draws attention to a disturbing weakness in modern governance: our persistent tendency to underestimate catastrophic risks. The two articles linked above examine threats capable of causing disruption on an extraordinary scale, including powerful coronal mass ejections similar to or stronger than the Carrington Event of 1859. A sufficiently severe solar storm could damage electrical infrastructure across large areas of the planet, potentially leaving societies without reliable grid electricity for months or longer.

Such risks cannot simply be dismissed as remote possibilities. Some estimates discussed by The Economist place the probability of a major solar event occurring during this century at greater than 50:50. Yet governments remain naturally focused on electoral cycles and immediate demands, while preparing for events that may occur decades from now offers few visible political rewards.

The second article broadens the discussion to catastrophic and existential risks, an area closely associated with Nick Bostrom, previously mentioned on this blog. Particularly relevant is David Manheim's recent open-access paper, The Fragile World Hypothesis: Complexity, Fragility, and Systemic Existential Risk,” published in Futures, which examines how increasing technological and societal complexity may create systemic vulnerabilities capable of producing cascading failures. 

There is, however, a more uncomfortable question, can governments alone be blamed when academia may exhibit a similar hierarchy of attention? A Scopus search conducted at the time produced 6,733 documents containing “catastrophe” in their titles, compared with 11,955 containing “fashion.” Such a crude comparison obviously cannot establish the relative social value of research fields, but the contrast remains provocative.

It raises a broader question, does academic attention reflect the magnitude of the challenges confronting humanity, or is research increasingly shaped by commercial demand, fashionable subjects and institutional incentives? If civilization devotes more intellectual attention to what is profitable or immediately publishable than to threats capable of destabilising civilization itself, the failure identified by The Economist may reveal something deeper about our collective hierarchy of priorities.

A invasão dos Holandeses chateados

Relativamente a uma análise feita aqui durante o mês de Março constata-se na figura abaixo que a Índia ainda não largou o 4º lugar, embora se note que a distância para o 5º classificado se reduziu pelo que é provável que não se consiga manter naquela posição muito mais tempo. Verifica-se também que a Holanda, que naquela data tinha pouca frequência neste blog, subiu rapidamente no mesmo, quem sabe talvez por conta disto https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/04/netherlands-has-cost-eu-countries-10bn.html e talvez também por causa de algo que é próprio de quem não tem vergonha e que foi mencionado aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/newsweek-from-netherlands-claims.html


quarta-feira, 1 de julho de 2020

The Economist__"A próxima catástrofe mundial (e como sobreviver a ela)"

https://www.economist.com/briefing/2020/06/25/the-world-should-think-better-about-catastrophic-and-existential-risks

O grande tema da edição desta semana da The Economist diz respeito ao facto de os governos pela sua impreparação quase parecerem estar desensibilizados quanto aos riscos de catástrofes. O artigo no primeiro link acima menciona várias catástrofes possíveis a nível mundial, como por exemplo, a ocorrência de uma erupção solar de elevada magnitude (como aquela que ocorreu em 1859 ou ainda pior) que pode colocar grandes partes do planeta por meses ou até durante anos sem eletricidade, catástrofe essa cujas possibilidade de ocorrência neste século rondam 50%. Já o segundo artigo acima fala entre outros do trabalho do Sueco Nick Bostrom, já mencionado neste blog há vários meses atrás cuja hipótese que o tornou conhecido foi analisada recentemente num artigo (de acesso aberto) publicado na revista Futures pelo David Manheim. 

 A parte irônica é que os governos não são os únicos culpados por essa "negligência" porque uma pesquisa na Scopus por publicações com o termo "catastrophe" no título encontra 6733 documentos, enquanto se a mesma pesquisa for sobre a palavra "fashion", encontra 11955 documentos. Será que esse resultado significa que a Academia, a nível mundial, está menos preocupada com catástrofes do que com a moda ou que indústria da moda (e outras indústrias como a do luxo, que o Scopus informa que também aparece referida em milhares de publicações) subverteu aquilo que deviam ser as prioridades da Academia ?

PS - Uma questão crucial no que respeita a catástrofes é a relativa às profissões ditas essenciais em contexto de catástrofe, que faria todo o sentido que fossem mais valorizadas, senão socialmente pelo menos financeiramente, já que é um absurdo que um herói da bola ganhe milhares de euros por hora enquanto quem realmente conta ganha meia dúzia de euros por hora. Vide post de 17 de Março.https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/coronavirusnao-ha-medalhas-que-cheguem.html 



Europen Union ban tourists from countries like USA, Brazil, Russia and many others

https://www.dw.com/en/eu-agrees-to-reopen-borders-to-14-countries-extends-travel-ban-for-us-tourists/a-53986435

Infographic showing which countries are subject to an EU travel ban

American selfishness, both in the use of masks and in science

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/the-economistwearing-masks-is-act-of.html

When the not so much altruistic The Economist urged for wearing masks to tackle the rising of Covid-19 (post above) it forgot the fact that our Planet has a special country that seems to care very little on altruism issues. 
https://www.marketwatch.com/story/why-do-so-many-americans-refuse-to-wear-face-masks-it-may-have-nothing-to-do-with-politics-2020-06-16

And that country does not show its selfishness only in mask wearing but also in science. USA  has a ratio of 633 (Revised papers in the last 12 months /million population) which puts it very far from countries like Portugal that have a ratio of 3500
https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/covid-19-has-changed-peer-review.html



Carleton Univ.__Architecture__"Building the Paper Economy"


Jesse John Bird was the first place winner of the ACSA Here+Now International Design Competition, between almost 600 candidates

Conflict of interest statement - I must say that I have an unusual appreciation for Carleton University. See in this respect the post below when i cited a doctoral thesis from that University https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/09/the-responsibility-of-intellectuals-to.html