quarta-feira, 11 de novembro de 2020

A ciência Portuguesa não necessita de investigadores excelentes mas sim de muitos Executive Managers !

Um Português muito indignado fez-me chegar informações oficiais, sobre um muito recente concurso para um lugar na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com vista à contratação de 1 doutorado (vencimento 3201,39 €), para a unidade de investigação Cintesis, concurso esse no qual curiosamente não interessam para rigorosamente nada as actividades de investigação desenvolvidas pelos candidatos e a sua produção científica: 

Critérios e fatores de ponderação da avaliação curricular: 
a) Doutoramento em Psicologia da Saúde
b) Formação complementar em Gestão de Projetos
c) Experiência no apoio à submissão de projetos de investigação nas áreas das Ciências da Vida e da Saúde
d) Experiência na coordenação de equipas de gestão científica
e) Experiência na avaliação de projetos financiados por organizações internacionais

A este concurso apresentaram-se 8 concorrentes. Sete candidatos foram excluidos (incluindo, pasme-se, uma candidata excelente, com nada menos do que 125 publicações indexadas na Scopus) porque segundo o júri (constituído pelos senhores professores doutores, Presidente Altamiro Costa Pereira e Vogais Armando Cardoso, Lia Fernandes e João Fonseca) não tinham experiência na gestão e comunicação da ciência. O único candidato que sobrou, é um feliz titular de um absolutamente crucial doutoramento em Psicologia da Saúde, e de uma fraca produção cientifica de 2 publicações Scopus e 2 citações. 

Porque será que um doutoramento em Psicologia da Saúde é crucial para uma unidade que investiga na área da medicina preventiva e um doutoramento em qualquer outra área de medicina não é ? Trata-se de um facto curioso, tão curioso quanto a informação sobre a portentosa equipa de gestão deste unidade de investigação, onde trabalham 9 pessoas, sendo que o Executive Manager é por uma feliz coincidência, o tal candidato único que sobrou no concurso supracitado e que já exercia essas funções desde 2012: 

1 - Executive Manager 
1 - Research Manager
2 - Financial Managers
1- Innovation & TT Manager
1 - Media Relations Specialist
1 - Communication Manager
1 - Digital Marketing Manager
1 - Office Manager & Translator

Será compreensível que ao mesmo tempo que há unidades que recebem um financiamento inferior a 100.000 euros por ano, para fazerem investigação, haja outras que só com a "equipa de gestão" gastam mais de 250.000 euros por ano e isso ainda por cima quando lá fora dizem que o futuro passa pela redução dos cargos de gestão ?   https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/the-economistprimeiro-e-preciso-demitir.html 

E será provável que enquanto se andarem a contratar investigadores, com duas publicações indexadas e duas citações para fazer essa coisa importantissima que é a gestão da ciência, em detrimento de outros com uma obra científica muitssimo superior, como a tal candidata que possui 125 publicações indexadas (um valor superior ao da produção científica de muitos professores catedráticos da Universidade do Porto), para fazerem investigação com impacto, a ciência Portuguesa irá conseguir ultrapassar a do Chipre ? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/stanford-universityupdated-ranking-of_7.html 

Cientistas que há muito perderam a virgindade



Ainda na sequência do tal post acima, onde comentei as palavras da cientista e actual Secretária de Estado da Valorização do Interior, que criticou aqueles cientistas oficialmente virgens, que não cumprem o dever académico da revisão, e contribuem com zero para o exepcional desempenho internacional de Portugal, segue abaixo a lista dos 10 revisores mais prolificos pertencentes ao Ensino Superior Politécnico, segundo a plataforma Publons (opção Web of Science only não activada), que pertence à conhecida Clarivate Analytics:

J.C Metrôlho..........................Politécnico de Castelo Branco............446 revisões
J.A. Tenreiro-Machado...........Politécnico do Porto............................440 revisões
J.Bernardino...........................Politécnico de Coimbra.......................409 revisões
Isabel Ferreira........................Politécnico de Bragança.....................408 revisões
R.Caldeirinha.........................Politécnico de Leiria............................406 revisões
Nidía Caetano........................Politécnico do Porto............................397 revisões
António Abreu........................Politécnico de Lisboa..........................352 revisões
P. Caldas................................Politécnico de Viana do Castelo.........350 revisões
J.Calado.................................Politécnico de Lisboa..........................328 revisões
Vasco Soares.........................Politécnico de Castelo Branco............285 revisões



terça-feira, 10 de novembro de 2020

Os resultados do Concurso de Projetos de investigação da FCT e o pouco respeito que o Governo tem pela Ciência


A FCT revelou há poucos dias os resultados dos concurso dos projectos de investigação. Link acima. Das 5847 candidaturas iniciais 2530 foram excluídas porque não cumpriam requsitos de elegibilidade. Significa isto que milhares de investigadores andaram a trabalhar para aquecer, porque não leram o regulamento e não sabiam quais os critérios de elegibilidade ?  

E tendo em conta que o custo da avaliação dos projectos é proporcional ao seu número e que este é muito elevado, na ordem dos milhões de euros, porque utiliza peritos estrangeiros, não faria sentido tentar minimizar a avalanche de projectos (cujo destino é na sua maioria a rejeição, porque não conseguem sequer uma classificação relevante no critério B, da qualidade científica da equipa) definindo requisitos mínimos para o Investigador Responsável ? Recorde-se que o dinheiro que se gasta a avaliar projectos de baixa qualidade é dinheiro que podia ser muito melhor utilizado a contratar jovens investigadores. 

Relativamente ás 3317 candidaturas consideradas elegíveis somente 312 foram selecionadas para financiamento 9.4% (ou 5.3% se considerarmos o total das 5847 candidaturas) às quais está alocado um financiamento de quase 75 milhões de euros. Este valor que à primeira vista e para um observador pouco informado parece elevado, deve no entanto ser comparado com outras despesas do Orçamento de Estado para 2021, como por exemplo, com os 500 milhões para a TAP (a somar aos 1200 milhões gastos em 2020), 850 milhões de euros para o Fundo de Resolução da Banca (leia-se financiar o Novo Banco e ainda o BPN) e a cereja no topo do bolo de 1600 milhões de euros para PPPs, despesa que no entender do Paulo de Morais não devia exceder 300 milhões de euros e isto mostra bem o pouco respeito que a Ciência merece a este Governo. https://rr.sapo.pt/2020/11/09/economia/paulo-de-morais-e-outros-17-cidadaos-questionam-governo-sobre-despesas-incompreensiveis-no-oe-2021/noticia/214215/

A respeito de PPPs convém recordar as palavras do Engenheiro Conselheiro, Luís Todo Bom, que em Abril deste ano, escreveu no caderno de economia do Expresso sobre as sanguessugas da “renda garantida tendo aquele inclusive proposto que não se aceitem “taxas de remuneração dos capitais próprios superiores a 6% e/ou aplicando taxas extraordinárias sobre os resultados que se situem acima destes valores” 

PS - E note-se que acima nem sequer mencionei os muitos milhões de euros que o Governo costuma gastar em pareceres juridicos, contratados a conhecidos escritórios de advogados 


The American tradition of taking credit for the efforts of others



Trump friends are now demanding credit for the most recent Covid-19 vaccine (link above) but that should not be a surprise because American scientists are the ones that invented the nice tradition that allows some super scientists to have thousands of papers conveniently forgetting the authorship standards. See paper below. And if USA scientists act like that how can it be surprising that Trump friends act in the same way?

“When cardiologists become directors of major clinical and research centers, for example, they can see their authorship go up 10-fold. Their names get embedded in what their center produces. It’s a norm that field has adopted, even though it doesn’t necessarily meet rigorous authorship standards.” https://www.sciencemag.org/news/2018/09/some-scientists-publish-more-70-papers-year-here-s-how-and-why-they-do-it

PS - Truth be told the American tradition of taking credit for the work of others is not as damaging as the other American tradition of not paying taxes in Europe https://www.taxjustice.net/2018/06/25/new-report-is-apple-paying-less-than-1-tax-in-the-eu/




Em Portugal as mentiras nos currículos académicos não são criminalizadas para favorecer os políticos ?

         


Entre os culpados da ciência Portuguesa estar pior do que a do Chipre (vide post acima) incluem-se não só o tal "nepotismo movido a favores" de que falou o Director do jornal Público (e que um magistrado aposentado no inicio deste ano comentou de forma mais contundente aqui) mas incluem-se também, obviamente, todos os professores que ganharam concursos com currículos contendo mentiras. 

Nesse contexto convém lembrar que o último número da revista Visão, achou boa ideia dedicar a sua atenção ao caso daquela Professora da Universidade da Madeira (foto acima) em artigo de título muito esclarecedor "Ex-eurodeputada do PS acusada de mentir no currículo"  tema esse que neste blog foi comentado em post de 17 de Outubro,  quando se ficou a saber que o Ministério Público mandou arquivar uma queixa, com a incrível justificação de que mentir no currículo não constitui um crime em Portugal https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/professores-universitarios-podem-mentir.html

O que a revista Visão não fez e devia ter feito era ter ido perguntar a alguns Penalistas qual a suprema razão porque não existe no Código Penal Português, rigorosamente nada, para criminalizar as mentiras nos currículos académicos, submetidos a concursos públicos ? Será que esta foi a forma, que os políticos arranjaram para se proteger, já que como estão tão habituados a mentir não conseguem fazer um currículo sem mentiras ?

PS - Nos países a sério, mentir no currículo, é crime, como sucede por exemplo no Reino Unido com o Fraud Act 2006,  ou como sucedeu na Austrália no caso de uma senhora condenada a uma pena efectiva de um ano de cadeia https://www.abc.net.au/news/2019-12-03/veronica-theriault-gets-12-months-jail-for-lying-to-get-job/11761316 mas é claro que nesses países não é a gatunagem que manda e desmanda, como já tinha comentado o famoso Medina Carreira, naquela entrevista,  https://www.youtube.com/watch?v=EzDAoHJ5NHs que já foi visualizada mais de 100.000 vezes e como também já tinha sido comentado aqui  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/o-bilionario-portugues-e-o-parlamento.html  

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Engenharia Civil__Qual a percentagem de auto-citações dos SHCS Portugueses no ranking Stanford 2020 ?

  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/engenharia-civil-em-portugalranking.html

Ainda na sequência do post acima segue a abaixo a percentagem de auto-citações dos Scopus Highly Cited Scientists da área da engenharia civil: 

Rodrigo Gonçalves......UNova............49.64%
D. Camotim.................ULisboa..........44.10%
Jorge de Brito.............ULisboa...........27.4%
Joaquim Barros...........UMinho..........26.83%
L.Simões da Silva.......UCoimbra.......25.82%
Paulo B. Lourenço......UMinho...........23.6 %
Álvaro Cunha..............UPorto............22.57%
J.R. Correia.................ULisboa..........22.25%
F.Pacheco Torgal........UMinho............9.97%

PS - A título de comparação, o catedrático de engenharia civil melhor classificado neste ranking na posição 367, Zdenek Bazant https://www.scopus.com/authid/detail.uri?authorId=35564759900 apresenta uma percentagem de auto-citações de 15.8%.



Ranking Stanford 2020__ Catedrático jubilado da UCoimbra é campeão da modéstia


Ainda na sequência do post acima listam-se abaixo os 20 Scopus Highly Cited Scientists (SHCS) Portugueses que possuem uma menor percentagem de auto-citações: 

Boaventura Sousa Santos (UCoimbra).............1.71%
José Luís Martins (ULisboa)..............................2.27%
Jorge Batista (UCoimbra)..................................2.94%
P. Verdelho (ULisboa)........................................3.09%
P.J. Costa (UPorto)............................................3.44%
Luís B. Almeida (ULisboa).................................4.19%
Nuno Peres (UMinho)........................................4.34%
J.Sobrinho (ULisboa).........................................4.61%
António Damásio (Southern California).............4.89%
P.J.Ferreira (ULisboa)........................................4.95%
Mário Figueiredo (ULisboa)................................5.03%
J.Peças Lopes (UPorto)......................................5.96%
M.M.Chaves (UNova).........................................7.19%
Caetano Reis e Sousa (Francis Crick Inst) .......7.35%
António Sarmento (UPorto)................................8.06%
Teresa Mata (UPorto).........................................8.15%
Maria Carmo-Fonseca (ULisboa).......................8.51%
Luís A. Alexandre (UBI).....................................8.63%
Rui Moreno (UNova)..........................................8.67%
Paulo Davim (UAveiro).......................................8.80%

Prémio Nobel excluído de um concurso para um lugar de professor catedrático numa Universidade Portuguesa


O que dizer do facto de nas Universidades Públicas Portuguesas, ter havido há pouco tempo, largas centenas de concursos, aos quais só puderam concorrer aqueles candidatos que já estivessem na "casa" há pelo menos 10 anos (que parece ser o tempo necessário para se adquirir o estatuto de mobíliário nobre), mesmo que o seu currículo fosse muitíssimo inferior ao de outros possíveis candidatos da mesma "casa", que lá estivessem há  6, 7, 8 ou 9 anos ou de "outras casas" e até mesmo à hipótese extrema de haver algum cientista galardoado com um prémio Nobel, que quissesse trabalhar numa universidade Portuguesa e que pelas referidas regras nem sequer poderia atrever-se a participar no concurso ? 

Será que isto é que é a legalização e cristalização da tal "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada" de que falou aquele conhecido cientista que ganhou o prémio Pessoa em 2018 (que agora no ranking Stanford 2020 é o cientista português com a segunda melhor classificação, o melhor classificado em termos absolutos é o conhecido catedrático António Damásio) ? 

E de que forma é que as bizarras e incompreensíveis regras de recrutamento de professores, que determinam que a idade é um posto, exactamente como sucede nos fossilizados e acéfalos regulamentos das praxes académicas, em instituições financiadas pelos impostos dos Portugueses, trarão algum beneficio ao futuro de Portugal e dos Portugueses ?

PS -  Compare-se a tal burocracia Portuguesa, acima descrita, com a forma como nos EUA selecionam professores em universidades de topo. Ou mesmo na Alemanha, vide descrição na secção II do artigo, pág 6, http://www.geaba.de/wp-content/uploads/2017/07/DP_17-22.pdf que é prova de um sistema de selecção extremamente competitivo, que não tem qualquer semelhança com aquilo que acontece no nosso pobre e endividado país. Não admira por isso que a Alemanha tenha 23 universidades no ranking das 100 mais inovadoras da Europa (ranking elaborado pela conhecida firma de nome Clarivate Analytics que é especialista em acertar em previsões de prémios Nobel), e onde até a Espanha tem 5 universidades, enquanto que Portugal tem zero e nos próximos anos vai continuar a ter zero. como bem se percebeu aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/foi-hoje-publicado-o-unico-ranking.html

domingo, 8 de novembro de 2020

Segadães Tavares__As 6 fases de um projecto



O jornal Sol publicou ontem uma entrevista ao conhecido projectista de estruturas, Segadães Tavares, para falar da pala do Pavilhão de Portugal e onde a certa altura aquele falou sobre as 6 fases de um projecto:
-Entusiamo
-Desilusão
-Pânico
-Procura dos culpados
-Condenação dos inocentes
-Pompa e honra para os não participantes

Tendo em conta que hoje uma noticia no Expresso, debruçou-se sobre um recente relatório do Eurostat e o resultado coloca Portugal nos primeiros lugares europeus por péssimas razões. https://expresso.pt/economia/2020-11-08-Classe-media-portuguesa-tem-das-piores-casas-da-Europa quem é que são os inocentes e quem é que são os culpados, pelo péssimo estado do parque habitacional Português, que pasme-se, até faz má figura quando comparado com o da Roménia ?

PS - A imagem no inicio deste post, relativa ao doutoramento Honoris Causa do mesmo Segadães Tavares, foi tirada daquele documento comentado no post https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/universidade-nova-de-lisboa-quem-nao.html


Os sacos pretos de uma rica instituição


A tal rica instituição, com milhões em depósitos bancários, que acumula lucros de ano para ano e onde os contribuintes Portugueses metem mais de um milhão de euros por ano (mesmo contra a decisão de um tribunal, vide link acima), e onde até já foram detectados  ″Indícios de violação grave dos Direitos Humanos″, corrupção e burla 
continua a dar que falar, pois hoje o jornal Público dá conta de um testemunho, sobre a directora da referida instituição, em termos muito pouco elogiosos e que mostra que os contribuintes Portugueses não só pagam muito como ainda por cima pagam um péssimo e vergonhoso serviço:
"A directora...chamava aos idosos ‘caquécticos’...Quando calhava morrer alguém, a reacção dela era...‘Há por aí sacos pretos para despachar a encomenda?"


PS2 - Quanto é que ganhará o ex-deputado Penedos que há 15 anos é Presidente da Assembleia Geral da referida rica instituição ?