quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Os bolseiros que apresentaram queixa por assédio moral contra a investigadora Raquel Varela



No mês passado defendi neste blog a investigadora Raquel Varela numa polémica sobre número de artigos (vide post no link acima, que se tornou o terceiro mais visto de sempre), porém os vários factos, muito graves, que hoje constam de um extenso artigo na revista Sábado, baseados em queixas assinadas por alguns corajosos bolseiros (não me custa acreditar que outros bolseiros tiveram medo de falar, pois naquela universidade é público que até mesmo professores tem medo de falar), contra a mesma investigadora, não me parecem passíveis de igual defesa ou sequer de qualquer defesa, mas antes de uma forte condenação. 

As várias acusações listadas no referido artigo (que a Universidade Nova muito estranhamente desvalorizou, facto que por si só deveria merecer uma investigação da Inspecção do Ensino Superior, que talvez não tenha ocorrido pelo facto do IHC, ser dirigido pela catedrática Fernanda Rollo, que se tornou Secretária de Estado, assim evitando um evidente embaraço para aquela), incluem a humilhação de bolseiros de investigação, a utilização de trabalho de bolseiros em beneficio da investigadora Raquel Varela e exigências daquela aos bolseiros para executarem tarefas que nada tinham a ver com o plano de trabalhos da bolsa https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/bolseiros-queixam-se-de-inferno-laboral-de-raquel-varela

Recordo que neste blog se condenou de forma veemente o criminoso assédio moral a que foi submetida uma professora na universidade do Porto (a mesma que depois viu um tribunal sentenciar que lhe fossem pagos 30.000 euros de indemnização) num post que durante bastante tempo foi o mais visualizado neste blog e no qual se recordou que no estrangeiro houve catedráticos que foram despedidos por conta de assédio a bolseiros de doutoramento https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/condenacao-da-universidade-do-porto-e-o.html

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Mais três previsões acertadas sobre os vencedores do Nobel em 2021


Acabou de saber-se há bocado que o cientista Benjamim List é um dos vencedores do Nobel da Química de 2021, ontem já se tinha ficado a saber que o David Julius, foi um dos vencedores do Nobel da Medicina e na segunda-feira soube-se que o Giorgio Parisi tinha sido um dos vencedores do Nobel da Física. 

Ambos os três partilham entre si um facto singular, o de fazerem parte de um restrito grupo de cientistas seleccionado pela firma Clarivate Analytics, pelo facto de terem uma obra científica com um nível de citações invulgarmente elevado, "Citation Laureates

Com a sua metodologia de citações a referida firma já conta assim com mais de 60 previsões acertadas, tendo 5 (cinco) delas ocorrido no ano passado https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/metodologia-da-clarivate-analytics.html 

Infelizmente, até hoje nenhum cientista Português conseguiu alcançar um nível de citações suficientemente elevado para integrar o grupo daqueles selecionados pela Clarivate Analytics, e isto apesar do nosso país ter muitos cientistas (que nunca dormem) com milhares de publicações, mais até do que a própria Alemanha, o país que em 2021 volta a ter mais dois prémios Nobel, Klaus Hasselmann, na área da Física e o supracitado Benjamim List na área da Química, o que significa que a receita para ganhar um Nobel, não é de todo, ter milhares de publicações https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/portugal-com-excesso-de-publicacoes.html

PS - O que é que o Ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior está à espera para enviar uma delegação à Alemanha para tentar saber qual a receita para ganhar um prémio Nobel ? Será que ele receia que os Alemães, que possuem percentagens de endogamia académica inferiores a 5%, lhe digam que não existe nenhuma receita que valha a países com percentagens de endogamia de 80%, 90% e até 100% como sucede em Portugal?  

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Emeritus Professor Terry Young: Academics’ time would be far better spent on assessment, curation and mentoring


Within the framework of the article published today on Times Higher Education by Emeritus Professor Terry Young (link provided above), it becomes apparent that universities are poised to play a crucial role in curating and validating research conducted in the corporate sector. 

The rationale behind this is straightforward: universities have relinquished the monopoly on research, with approximately 200 companies generating 40% of global research output. Furthermore, the challenge lies in establishing trust in corporate research results, particularly when negative outcomes could have severe implications, potentially leading to bankruptcy. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/the-university-of-future.html

Continuing the discussion on curation and assessment, it is worth recalling a 2019 paper authored by a Full Professor at Stanford. This paper meticulously analyzed nearly 50 unicorns, including the infamous case of Theranos fraud: “Highvaluation companies that publish little or nothing in the peerreviewed literature may still have patents related to their products. One may argue that patents undergo rigorous evaluation. However, patents do not offer the same level of documentation as peerreviewed articles. For example, Theranos had over 100 patents, but these were unable to supplant the vacuum in their evidence....when a team of investigators used the Theranos technology to run 22 common lab tests versus the same tests run with other companies’ technologies, the problematic error rates became manifest.." https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/eci.13072

PS - Just within the last two days, Clarivate Analytics took a significant step by incorporating peer review history into the extensive repository of nearly 30 million author records within the Web of Science platform. This recognition underscores the vital importance of meticulous paper curation as an essential academic duty. Whether by coincidence or design, Web of Science has chosen to spotlight my personal profile as an exemplary case  https://publons.com/announcement/#your-review-contributions-in-web-of-science


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Portugal com excesso de publicações científicas e também de investigadores que não têm tempo para dormir


Ainda na sequência do post acima sobre a invulgar produção científica Portuguesa entre 2000 e 2020 e agora que faltam apenas três meses para concluir o ano de 2021, é possível confirmar que se nesses três meses restantes se mantiver o mesmo ritmo de produção dos primeiros nove então a produção no fim do corrente ano será aquela abaixo, onde se percebe que em 2021 a vantagem de Portugal sobre a Alemanha aumentou para 40%. 

Portugal.................3303 publicações/milhão de habitantes
Itália.......................2486
Alemanha..............2372
Estados Unidos.....2138
França...................1841 

O rácio entre a produção científica indexada na base Scopus para o ano 2021 e os 19418 investigadores doutorados integrados nas 348 unidades de investigação avaliadas no último exercicio dá uma média anual de 1,4 publicações indexadas/por doutorado, valor que para uma carreira de 40 anos dará um número médio total de 56 publicações indexadas. 

Que algum incansável investigador consiga produzir 100%, 200% ou até mesmo 300% a mais do que a referida média total até se pode entender, já é porém muito mais difícil de entender que haja, quem ainda por cima estando longe do fim da carreira, consiga (talvez por trabalhar quase 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano) ter uma produção científica que é 1000%, 2000%, ou mesmo 3000% superior ao referido valor médio total. Percentagens essas que fazem prova de uma aberração estatística que devia merecer mais atenção por parte da Academia. 

Se olharmos para os tais investigadores que nunca dormem, com mais de 1100 publicações indexadas, que representam um valor que é quase 2000% superior ao tal valor médio total de 56 publicações, constatamos que Portugal possui um rácio de investigadores que nunca dormem por milhão de habitantes que é o triplo do rácio da Alemanha e isto muito embora os investigadores Alemães não sejam conhecidos por serem preguiçosos nem muito menos burros, atentas as dezenas de prémios Nobel da ciência que os investigadores daquele país já receberam https://www.research-in-germany.org/en/research-landscape/nobel-laureates.html

Também a Finlândia possui um rácio que é metade do Portugal mas em contrapartida possui um rácio de prémios Nobel da ciência por milhão de habitantes que é o dobro do rácio do nosso país. A própria Noruega que não possui um único investigador daqueles que nunca dormem possui muito mais prémios Nobel na área da ciência do que Portugal. Mais curioso é o caso da França que possui 5 vezes menos investigadores que nunca dormem por milhão de habitantes do que Portugal embora possua largas dezenas de prémios Nobel da ciência. 

domingo, 3 de outubro de 2021

The Economist valida a controversa decisão do Reitor da Universidade de Coimbra

 


Depois do Reitor da Universidade de Coimbra ter ficado sem resposta perante as contundentes criticas, inclusive de ignorância, de um professor da Universidade do Porto, comentadas no post acima, eis que o último número da revista The Economist vem dar uma importante ajuda ao referido Reitor, com números que deixam poucas dúvidas sobre o elevado impacto carbónico dos bifes de vaca:
"Forgoing steaks may be one of the most efficient ways to reduce your carbon footprint" https://www.economist.com/graphic-detail/2021/10/02/treating-beef-like-coal-would-make-a-big-dent-in-greenhouse-gas-emissions

sábado, 2 de outubro de 2021

Seis livros cruciais para entender o futuro, pelo menos de acordo com o Presidente da YCombinator



De acordo com o presidente da YCombinator (a conhecida aceleradora de startups cujo valor global excede 300.000 milhões de dólares) o livro que foi mencionado no post acessível no link acima, é um dos seis livros cruciais para entender o futuro. Os outros cinco livros são: 

- Superforecasting
- The Undoing Project
- Warnings: Finding Cassandras to Stop Catastrophes
- Profiles of the Future: An Inquiry into the Limits of the Possible
- A Crack in Creation: Gene Editing and the Unthinkable Power to Control Evolution

Six books to understand the future according to the President of YCombinator



According to YCombinator’s President, the book mentioned in the post above is one of the six books essential for understanding the future  https://www.fastcompany.com/90656869/6-books-about-the-future-ycombinator

Another standout in this category is "Superforecasting: The Art and Science of Prediction" by Philip E. Tetlock and Dan Gardner. This fascinating work explores the nuanced art and rigorous science behind making accurate predictions, offering invaluable insights for anyone keen on understanding how to anticipate future trends and events effectively.

On the topic of forecasting, the image above, taken from the document linked below, offers a fascinating glimpse into Russia's foresight efforts. https://www.jstor.org/stable/pdf/resrep28788.pdf?acceptTC=true&coverpage=false&addFooter=false The image encapsulates an extraordinary historical narrative: the gradual yet transformative migration of the global economic epicenter from Asia to the Western world. This profound shift, which unfolded over a staggering 1,900 years, underscores the long-term dynamics of economic power distribution on a global scale.

Equally captivating, if not more so, is the recent and dramatic reversal of this trend. In little more than a century, the global economic center of gravity has swung back toward Asia. This rapid and unprecedented rebalancing is a testament to Asia's explosive economic growth and burgeoning influence in the international arena. It highlights the profound impact of modern globalization and technological advancement, reshaping the world's economic landscape.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Masoquismo académico__Parte 2

 


Ainda sobre o post acima em cuja parte final se pode ler: 
"...enquanto que actualmente os Professores universitários se aposentam com um rácio de pouco mais de 70% sendo porém que no futuro essa percentagem irá baixar para menos de 60%"
 
Convém ter presente a este respeito o relatório da Comissão Europeia, hoje mencionado no semanário Expresso, onde é possível ler que as percentagens futuras para Portugal são as seguintes até 2050 (o relatório possui projecções até 2070 na Tabela III.1.83: Gross replacement rate at retirement (old-age earnings-related public pensions, %): https://ec.europa.eu/info/publications/2021-ageing-report-economic-and-budgetary-projections-eu-member-states-2019-2070_en

2040................54,5%
2045................48,2%
2050................43,5%

Portanto quem começou a sua vida profissional como professor Universitário no ano 2000 ou depois dessa data já sabe o que o espera. Uma pensão muito inferior ao vencimento, pouco mais do que miserável, muito ao contrário da casta dos juizes com a sua inabalável percentagem de 100%. 

The 2021 Ageing Report: Projections for the EU Member States until 2070



In the excel file "Cross country tables" check Table III.1.83: Gross replacement rate at retirement (old-age earnings-related public pensions, %).  The gross replacement rate is defined as gross pension entitlement divided by gross pre-retirement earnings. 

For those that will retire by 2050, it would be better that they do not live in Latvia, Lithuania or Poland that have low replacement rates between 23 and 25%. Austria and Luxembourg have the highest rates above 50% in 2050. Spain, Latvia and Portugal are the countries that will lose the most from 2019 until 2070, more than 30% each while the European Union average loss is just 8.9%. 

Os mortos vivos que os contribuintes são obrigados a sustentar

 


Ainda na sequência do post acima é importante chamar a atenção para um artigo hoje no Público, da autoria da professora mais corajosa da universidade Nova de Lisboa, onde aquela escreve sobre as firmas Portuguesas que já morreram e se recusam a permanecer mortas:
"As empresas zombie...Estão mortas, mas alimentam-se do sangue (que é como quem diz, dinheiro), alheio para não morrerem (que é como quem diz, falirem).Uma empresa zombie vive de dívida...Uma empresa zombie é sempre má, mas estas que vivem de dinheiro dos contribuintes são ainda piores..."

O que ela não disse é que de acordo com um relatório da Comissão Europeia, Portugal é um dos países da Europa com mais empresas zombies 
file:///C:/Users/Admin/Downloads/jrc111915_jrc111915_jrc-oecd_fear_the_walking_dead_-_withpubsynumbers.pdf o que contradiz a tese daqueles, como a Presidente da ANI, que muito erradamente achavam que Portugal tinha das firmas mais inovadoras da Europa. Só se for no campeonato zombie. 

PS - E claro convém não esquecer aquela empresa pública que contratou o pior Swap do mundo https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/estado-portugues-paga-milhares-de.html