Ainda sobre o post acima onde comentei um artigo do jornal Público acerca do currículo da investigadora Raquel Varela, o qual é pertinente recordar em poucas horas recebeu tantas visitas que se tornou logo no post mais visto dos últimos 7 dias e pouco depois também quebrou o recorde dos posts mais vistos nos últimos 30 dias, acho importante divulgar que o jornal Público resolveu entretanto fazer mais um artigo, onde fornece mais pormenores sobre os artigos da Raquel Varela, no mesmo são apontadas discrepâncias entre o número de artigos que estarão
indexados e o número daqueles que não estarão.
https://www.publico.pt/2021/09/21/sociedade/noticia/raquel-varela-contabilizou-67-artigos-cientificos-so-metade-numero-1978291
Eu custa-me estar a defender novamente a investigadora Raquel Varela porque discordo frontalmente da maior parte das opiniões dela, mas acho que a gravidade do assunto o justifica. Ora bem, sobre a problemática da indexação é importante recordar aqueles muitos que não o sabem o seguinte. A anterior plataforma De Góis onde os investigadores tinham que colocar os seus currículos possuia uma ligação directa à Web of Science e também à Scopus que permitia confirmar de forma automática se uma publicação estava ou não indexada naquelas bases de dados. Pois bem essa funcionalidade deixou de existir na nova plataforma Ciência Vitae, o que permite confusões como a presente que só podem ser dissipadas acedendo ás referidas plataformas, pelo que se há culpas de indexação a apontar a alguém então também aqueles que fizeram desaparecer essa funcionalidade agora as devem assumir.
Além disso parece que o jornal Público se esquece que nos termos do concurso a que a investigadora Raquel Varela se candidatou, só interessam
as principais actividades e resultados, pelo que é assim secundário o número total de publicações, mas sim somente o conteúdo (e não o número) das mais importantes. Mas vamos ainda assim admitir, por hipotese, que a investigadora errou de forma grosseira na contabilização do numero de publicações indexadas,
como alega a Direcção do IHC, factualidade que só pode porém ser devidamente comprovada no local próprio, isto é
em sede de processo disciplinar, respeitadas as garantias de defesa da acusada (algo que está longe de tipificar uma grave infracção de integridade científica pois que essas envolvem segundo o famoso MIT,
a fabricação de resultados, a falsificação da investigação, o plágio do trabalho de terceiros e a interferência dolosa no trabalho de outros investigadores), será que esse erro de contabilização pode induzir os avaliadores da sua candidatura ao engano ?
Só se eles fossem extremamente incompetentes é que isso se poderia admitir, porque nenhum avaliador que se preze perde muito tempo com a longa lista de publicações que os candidatos inserem nos seus currículos, tentando sempre confirmar essa informação nas plataformas Scopus (ou Web of Science) pois é uma pesquisa que se faz em poucos segundos. E foi aliás sempre isso que fiz nas várias dezenas de projectos de investigação que nos últimos dez anos fui convidado a avaliar em quize países de quase todos continentes.
Assim sendo devo dizer que me preocupa muito menos o currículo da investigadora Raquel Varela, que até possui mais publicações indexadas que vários catedráticos da sua área científica e que de forma regular teve de se candidatar a uma bolsa de investigação, tendo por isso sido repetidamente avaliada por peritos estrangeiros, do que o currículo daqueles muitos anónimos professores universitários, que passando entre os pingos da chuva chegaram à segurança da tenure em concursos combinados (o tal Reitor dixit) com jurados nacionais muito pouco exigentes e até com um número de publicações indexadas bastante inferior ao da investigadora Raquel Varela e alguns até mesmo sem um único artigo em revista indexada. Porém sobre esses incompetentes, que estão efectivos em lugares para os quais não possuem currículo científico minimo, muito estranhamente, nunca o jornal Público escreveu uma única linha.
Eu fico por isso muito contente em saber que o Público irá doravante "dar caça" aos titulares de currículos académicos duvidosos e sem dúvida alguma irá começar por questionar alguns famosos catedráticos da Academia Portuguesa, para saber como é que conseguem ser
donos de milhares de publicações (será que trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana ou será outra a receita do seu sucesso ?) e já agora também para que eles possam esclareçer porque é que ao mesmo tempo apresentam zero revisões na plataforma Publons-Clarivate, em
evidente incumprimento de um dever científico, quando é sabido que no mínimo deveriam ter um numero de revisões igual ao número de publicações, para assim evitarem o carimbo de
Cheats (vigaristas, charlatães, trapaceiros) cunhado pelos catedráticos Jeremy Fox e Owen L. Petchey