terça-feira, 9 de março de 2021

Os catedráticos da Universidade de Lisboa que levaram sopa na reclamação da avaliação



A FCT divulgou na semana passada os resultados das reclamações finais sobre a avaliação das unidades de investigação. Link acima. Algumas delas levaram sopa, como a unidade dirigida pelo Catedrático Menezes Cordeiro da Universidade de Lisboa (foto acima), vide link https://www.fct.pt/apoios/unidades/avaliacoes/2017/docs/Law_5916_CIDP.pdf

Ou por exemplo a unidade de investigação dirigida pelo catedrático Vera-Cruz Pinto https://www.fct.pt/apoios/unidades/avaliacoes/2017/docs/Law_4843_THDULisboa.pdf

Outra unidade de investigação da Universidade de Lisboa (CIDPCC) que teve igual pouca sorte foi aquela dirigida por uma famosa catedrática de Direito Penal, que costumava escrever lindas pérolas jurídicas no Correio da Manhã 

Quem também não teve sorte alguma com a reclamação foi a unidade de investigação dirigida, há quase 30 anos (!!!) por um conhecido catedrático (aposentado) de Engenharia Electrotécnica, da mesma Universidade de Lisboa, de nome Carlos Salema que foi Presidente da JNICT entre 1989 e 1992, cuja avaliação inicial (que o novo painél que agora apreciou a reclamação acaba de confirmar) criticou de forma muito incisiva:  
“large number of underperforming researchers....no plan to encourage greater productivity...The leadership structure of the Institute seems to have been static…" 


segunda-feira, 8 de março de 2021

The Economist__What´s the cheapest way to cut carbon dioxide emissions ?

 https://www.economist.com/finance-and-economics/2021/02/22/what-is-the-cheapest-way-to-cut-carbon

An interesting article on The Economist, link above, shows that switching from diesel to electric vehicles delivers carbon cuts but at a very high cost while making buildings more energy-efficient provides one of the highest carbon abatement with low or even negative costs. No surprise then that the European Commission is putting so much "pressure" in building energy renovation https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/progress-made-by-eu-countries-towards.html



domingo, 7 de março de 2021

Universidades Portuguesas versus Universidades Alemãs__Alguns números interessantes e importantes

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/publicacoes-cientificasem-2009-portugal.html

Ainda na sequência do post acima vale a pena olhar para a lista abaixo, sobre o aumento da produção científica, indexada na base Scopus entre 2010 e 2020 e a comparação com a evolução das três universidades Alemãs mais produtivas:

Universidade Nova.........................................259%
UBI.................................................................236%
Universidade de Évora...................................230%
Universidade do Minho...................................212%
Universidade de Coimbra...............................208%
Portugal.........................................................198%
Universidade de Aveiro..................................192%
UTAD.............................................................191%
UALG.............................................................189%
Universidade de Lisboa.................................147% 

Technical University of Munich.......................158%
Ludwig-Maximilians-Universität München......142%
Universität Heidelberg....................................141%
Alemanha.......................................................127%

Tendo em conta que a ultima avaliação de unidades de investigação em Portugal envolveu 19418 investigadores (um número menor que os 23105 docentes ETI do ensino superior público e privado, porque muitos deles não fazem qualquer tipo de investigação, embora pelo menos os das universidades públicas estejam vinculados por contratos que a isso obrigam) isso significa que no ano 2020 o rácio médio de publicações indexadas na base Scopus por investigador foi de 1.6/ano, exactamente o mesmo rácio da Alemanha.  

Note-se que os valores relativos ao número de investigadores alemães, a trabalhar no ensino superior daquele país, foram obtidos do cruzamento entre o valor total no site do Ministério Federal da Educação e Investigação e as percentagens do Eurostat que indicam os diferentes sectores onde trabalham esses investigadores "Researchers by sector". 

Muito menos agradável é saber que a Alemanha gasta em investigação (despesa pública e privada) em termos de milhões de euros por habitante 400% a mais do que Portugal e isso já utilizando aquele valor mirabolante de 3000 milhões euros, do total da despesa em investigaçção em Portugal, mencionado num artigo do Expresso de Agosto de 2020 valor relativamente ao qual, como já escrevi anteriormente, me merece muitas dúvidas, pelo facto do nosso regime fiscal permitir contabilizar como despesas de investigação despesas que tem muito pouco ou até nada de investigação. Vide página 5 relativa às despesas elegíveis no doc no link: https://www.gee.gov.pt//RePEc/WorkingPapers/GEE_PAPERS_158.pdf

PS - A imagem acima diz respeito a um auditório da Universidade de Heidelberg


Estudo__Intenção de aposentação na área do Direito é zero, em Arquitectura é 11%, em Engenharia é 31% e em Ciências é de 50%

O Presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho, tornou público há poucos dias o Relatório Final resultante do estudo "Corpo Docente da Universidade do Minho: Caraterização Demográfica e Estratégias de Rejuvenescimento". O referido relatório pode ser consultado no site do Conselho Geral www.conselhogeral.uminho.pt, na área Documentos.

Porque será que na Escola de Ciências (e de Enfermagem) a percentagem daqueles que se querem aposentar é de 50% (vide tabela 35 abaixo) enquanto que na Escola de Direito a percentagem daqueles com a mesma intenção é zero ? E porque será que a intenção de aposentação é muito menor em homens do que em mulheres ? 

O que dizer do facto da área do Direito ter a percentagem máxima de intenções de jubilação enquanto na área da Medicina (e da Enfermagem) a percentagem é rigorosamente zero ? E será que se um estudo similar for levado a cabo noutras universidades públicas os resultados serão muito diferentes ? 

PS - Merecedor de análise é o facto de na figura na página 39 se mostrar que as universidades Alemãs possuem o segundo mais baixo índice de envelhecimento entre 26 países europeus (relação entre o número de docentes com 50 ou mais anos e os docentes com menos de 39 anos, por cada 100 docentes)



sexta-feira, 5 de março de 2021

How many papers can a super-scientist author in a single week ?


Didier Raoult currently has 3253 Scopus-indexed publications and on his Wikipedia page one can read the following: "Raoult's extremely high publication rate results from his "attaching his name to nearly every paper that comes out of his institute",[31] a practice that has been called "grossly unethical" by Steven Salzberg" https://en.wikipedia.org/wiki/Didier_Raoult

The reality is that publishers do not retract papers solely based on exceedingly high prolificacy, not even if authors have 7 (seven) papers per week, every week of a year. This reluctance may stem from the publishers' belief in the existence of scientists possessing extraordinary capabilities or superpowers.

Let's consider the scenario where a scientist is discovered to have authored 14 papers every week throughout an entire year. What actions will the publishers take? Will they retract the papers, perhaps by removing the scientist's name, or will they persist in adopting an ostrich-like approach, burying their heads in the sand? Moreover, can we unequivocally designate 14 papers per week as the threshold for scientific misconduct?

Regrettably, Raoult is not the sole perpetrator of "grossly unethical" authorship practices. It's essential to remember that in 2018, a Full Professor at Stanford University asserted in Nature that approximately 10,000 super-scientists were publishing an average of one paper every day of the week. Fortunately, they take a break on Saturday and Sunday; otherwise, the count of their publications would be even higher.

Hence, publishers opt to adopt an ostrich-like approach rather than retracting papers from a substantial group engaged in widespread false authorship. In matters of publishing misconduct, publishers often adhere to Realpolitik principles, prioritizing business interests over scientific integrity. To them, the significance of scientific integrity is conditional, safeguarded only when it does not jeopardize the colossal profits of the publishing industry. Ultimately, the core focus of the publishing business transcends integrity and even Science itself; it revolves around generating substantial profits, reaching into the billions.

The repercussions of the aforementioned Reapolitik publishing strategy are manifold. Firstly, if Full Professors and Lab Directors can exploit this approach, it sets a precedent for junior researchers to emulate, harboring dreams of accumulating numerous publications themselves one day. Secondly, if this becomes the norm in Western countries, third-world nations may be inclined to replicate these "successful" practices, cultivating their own super-scientists. Consequently, if an African super-scientist were to emerge with 10,000 or 20,000 publications at the summit of the publishing rankings, there would be little ground for criticism. Moreover, in an era where Science faces challenges from alternative facts and fake news, this "grossly unethical" authorship behavior undermines scientific authority, inadvertently aiding those who oppose Science.

quinta-feira, 4 de março de 2021

A infeliz, injusta e até injuriosa proposta da professora mais corajosa da Universidade Nova


Depois de ter elogiado neste blog, mais do que uma vez, uma professora da Universidade Nova, de nome Susana Peralta, inclusive naquele que é o post que recebeu mais visualizações de sempre, foi com bastante desilusão que li a sua recente proposta de lançar um imposto extraordinário sobre os afortunados "ricalhaços" que constituem a "burguesia do teletrabalho" para pagar a crise Covid-19. 

Se ela muito infelizmente é absolutamente incapaz de apresentar propostas mais felizes, mais justas e menos injuriosas do que aquela eu relembro algumas mencionadas neste blog. Desde logo pode lançar-se um imposto sobre aqueles 3600 ricos contribuintes que trouxeram dinheiro de off-shores para Portugal a uma taxa escandalosamente reduzida https://www.publico.pt/2021/02/06/economia/noticia/amnistias-fiscais-desvendam-6000-milhoes-ocultados-3600-contribuintes-1949563 pelo que é mais do que justo, que agora não só paguem tudo o que deviam ter pago na altura, mas paguem  igualmente aquela conhecida multa que as finanças aplicam a quem se atrasa a pagar impostos, tudo a título de um imposto Covid-19.  Pode-se ainda criar um imposto sobre produtos de luxo e acabar de uma vez por todas com a aberração das deduções fiscais em viaturas de luxo https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/acabar-com-aberracao-das-deducoes.html

E também se pode criar um imposto sobre a riqueza a nível europeu, incidindo somente sobre o reduzido grupo dos 1% mais ricos, exactamente nos moldes em que foi proposto por três corajosos e muito lúcidos professores universitários, que dão bom nome à classe, e do qual dei conta no final de um post de Abril de 2020 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/04/recessao-coronavirusum-aviso-ao-dr-rui.html  proposta essa  que convém relembrar permitirá arrecadar anualmente uma quantia astronómica, equivalente a 1.05% do PIB de todos os países europeus ! 


quarta-feira, 3 de março de 2021

Science_The $450 question: Should journals pay peer reviewers?

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/peer-review-may-2020-to-february-2021_28.html

Still following the post in the link above check the provocative article just published on Science in the link below. Yes, $450 may seem a lot for a single review but what if no money changes hands, what if the reviewers are just accumulating virtual money that can only be used to pay for open access articles or to purchase books or services like high-quality translations (or others) provided by the publishers? https://www.sciencemag.org/news/2021/03/450-question-should-journals-pay-peer-reviewers 

In fact that already happens in MDPI journals that give reviewers 100 CHF (90 euro) vouchers but only for fast reviews. So a $450 voucher would mean that MDPI needs to increase its vouchers by 400% ! Surely journals would not go bankrupt if they start giving $450 vouchers to reviewers. 


Três singelas perguntas ao Ministro Heitor

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/o-estrondoso-choque-entre-as-frageis.html

Ainda sobre o post acessível no link acima, é importante atentar no facto do rácio da Suiça em termos de empresas mais inovadoras do mundo, por milhão de habitantes, ser quase 500% superior ao rácio dos EUA, e como a Suíça é também o país com o maior rácio de prémios Nobel por milhão de habitantes, então como escrevi em tempos seria muito mais vantajoso que Portugal andasse a fazer protocolos com as universidades da Suíça e não com as dos EUA, nas quais o Ministro Heitor já gastou uma autêntica pipa de massa sem obter os resultados fabulosos que a justifiquem e a que alguns já chamaram de turismo científico, atentas as elevadas verbas gastas em viagens de avião e em estadias. Aliás um catedrático da Universidade Nova, que trabalhou nos EUA, disse que as universidades daquele país só aceitaram as colaborações propostas pelo Ministro Heitor porque viram nelas uma maneira de ganharem dinheiro fácil, o que é especialmente importante no país onde onde impera o principio fundamental "Show me the money". 

Recorde-se que só na primeira fase destas colaborações foram gastos nada menos do que 150 milhões de euros. Seria assim conveniente, que no mínimo dos mínimos, o Sr. Ministro Heitor fizesse um esforço para tentar explicar aos contribuintes deste país o seguinte:

1 - Quanto dinheiro foi gasto, em viagens, estadias e honorários de professores Norte-Americanos  ?

2 - Quantas centenas de milhares de euros custou aos contribuintes Portugueses cada doutorado formado no âmbito destes programas de luxo ?

3 - Será que os muitos excelentes investigadores Portugueses que estão desempregados porque o Ministro Heitor preferiu antes gastar muitos milhões em viagens, estadias e a pagar honorários de professores de unidades dos EUA, não merecem um pedido de desculpas ?


PS - Que óptimo seria, se o Ministro Manuel Valsassina Heitor conseguisse copiar a esperteza Norte-Americana, e também conseguisse convencer Angola (ou a rica Guiné Equatorial) a enviar-nos 150 milhões de euros para que as universidades Portuguesas formassem algumas dezenas de doutorados provenientes daqueles países.  Porque será que o não consegue ?

terça-feira, 2 de março de 2021

Inquérito Universitário - Qual a causa que mais ajuda a subir na carreira académica ?

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/catedratico-de-coimbra-queixa-se-que.html

Sobre o post acima um Colega enviou-me um link para um interessante artigo com resultados de um inquérito, realizado na universidade do Minho, onde se pode ler que se a actividade de investigação é a principal razão para subir na carreira académica,  já a pertença a grupos de influência aparece em segundo lugar (Tabela 2) https://redie.uabc.mx/redie/article/view/379/939 

Seria por isso muito interessante saber que resultados se obteriam se este inquérito fosse efectuado em todas as universidades públicas (não se percebe porque ainda o não foi), para se saber em quais delas é que a subida na carreira se fica a dever em primeiro lugar, à pertença aos tais grupos de influência (familiares, politicos ou maçónicos). 

É certo e seguro que isso deverá ocorrer se não em muitas universidades pelo menos nalgumas delas como parecem indicar os inúmeros testemunhos nesse sentido, inclusive por catedráticos que sabem melhor do que ninguém "o que a casa gasta" e até por um conhecido ex-Reitor de uma universidade pública, que agora até ocupa importantes funções https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html já para nem falar daquelas universidades onde existe uma invulgarmente elevada coincidência de apelidos entre catedráticos e jovens professores. 

E depois de se ter apurado quais as universidades públicas que mais privilegiam a pertença aos tais grupos de influência como factor de subida na carreira académica, importa desagregar os resultados por unidades orgânicas, porque se como mostrou o tal estudo da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência-DGEEC sobre a endogamia académica, há unidades orgânicas (UOs) onde ela é muito forte (a área do Direito possui um nível de endogamia de 100% na Universidade de Coimbra e 99% na Universidade de Lisboa) há outras UOs onde não o é tanto e até há algumas onde só o é de forma residual (caso da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa) pelo que é assim expectável que também a pertença a grupos de influência, como causa principal para a subida na carreira seja muito maior em certas áreas científicas e muito menor noutras. 


segunda-feira, 1 de março de 2021

O estrondoso choque entre as fragilíssimas teses do Ministro Manuel Heitor e a duríssima parede da realidade

                        


Ainda sobre o post acima de há 7 dias atrás, sobre um triste e até delirante artigo do Ministro Manuel Valsassina Heitor, onde ele chega inclusive a dar crédito à tese mirabolante que Portugal já é mais inovador do que a Suiça, constitui sem dúvida um terrível choque com a realidade dos factos ler o relatório que acaba de ser publicado pela conhecida Clarivate Analytics (a tal firma que possui uma capacidade extraordinária para adivinhar o nome de vencedores de prémios Nobel tendo acertado em 59) sobre as 100 empresas mais inovadoras do Planeta, grupo onde a Suiça aparece como sendo nada menos do que precisamente o país com o maior rácio mundial, número das empresas mais inovadoras por milhão de habitantes https://clarivate.com/top-100-innovators/  Já Portugal essa "grande" potência da inovação empresarial, nunca lá teve, não tem e é altamente improvável que algum dia lá venha a ter uma única empresa ! Tudo o resto é conversa da treta para entreter patêgos !

E é por demais evidente que em Portugal nunca haverá empresas altamente inovadoras se elas continuarem a ter como tem andado a receber milhares de milhões euros em créditos fiscais (há 20 anos atrás já o nosso país era o segundo da OCDE a dar mais créditos fiscais às grandes empresas e de lá para cá esse bónus sempre se manteve, ao contrário da Suíça onde esse crédito fiscal era então ZERO e ainda continua a ser ZERO) por conta de despesas que muitas vezes nada tem a ver com investigações comprovadamente inovadoras, quando na verdade essas empresas deviam ter de cumprir pelo menos uma de duas condições para poderem beneficiar desses créditos ou resultarem de protocolos com unidades de investigação do SCTN ou implicarem a contratação de um número mínimo de doutorados, exactamente da mesma forma que as empresas de construção civil que pretendem concorrer a obras públicas, só o podem fazer se e só se possuírem no seu quadro de pessoal um número mínimo de engenheiros. Algo que convém relembrar já sucede há várias décadas.  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/porque-e-que-construcao-civil-esta.html Ou será que Portugal é o país em que estranhamente se fazem mais exigências formativas à actividade de construção civil do que à actividade de investigação ?

PS - Ainda sobre fabulosas inovações empresariais Portuguesas é importante relembrar uma noticia que há tempos deu conta de buscas efectuadas pela Policia Judiciária na Agência Nacional de Inovação, que levaram á constituição de 30 arguidos, por suspeitas de crimes de associação criminosa e fraudes na obtenção de subsídios, que mostram um país muito diferente daquele (campeão da inovação) que só existe na cabeça do Ministro Heitor  https://expresso.pt/sociedade/2016-09-21-30-arguidos-apos-buscas-a-Agencia-Nacional-de-Inovacao