domingo, 14 de novembro de 2021

A guerra entre universidades

 


Depois do vergonhoso negócio da inflacção de notas do ensino secundário, vide post acima, que impunemente permitiu e ainda continua a permitir a muitas familias ricas deste país colocarem os seus acomodados filhinhos em cursos de medicina, chega-nos agora a inflação de notas nas universidades, como dá conta o artigo no link abaixo, onde se revela que há universidades que inventaram esquemas para inflacionar as notas dos seus alunos 

Uma coisa é certa, no final vai acontecer rigorosamente o mesmo que aconteceu no ensino secundário, absolutamente nada, porque se o Ministro Heitor já tinha afirmado que a inflação de notas no acesso ao ensino superior não era um assunto relevante não irá agora dizer coisa diferente e também porque é preciso não esquecer que estamos no país onde as ilegalidades compensam https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/o-pais-indecente-onde-as-ilegalidades.html

PS - Não constitui qualquer supresa que a inflação de notas supra referida tenha motivado uma guerra somente no curso de Direito, que é aquele curso que dá acesso à segunda carreira mais bem paga da função Pública, logo a seguir à diplomacia, sendo por isso pertinente recordar a pergunta que foi feita neste blogue há alguns meses atrás:

Governo prefere desperdiçar dinheiro a gastar na saúde ou a aumentar pensões miseráveis



O tal artigo sobre as valorizações astronómicas de terrenos agrícolas superiores a 2000%, do semanário Expresso que foi mencionado no post acima, não foi o único artigo causador de espanto. Havia também um outro artigo sobre como o Estado Português gasta dezenas de milhões de contos a despejar areia em praias, leia-se deitar dinheiro literalmente para a água:
2783 milhões de metros cúbicos na zona do Porto, 
5500 milhões de metros cúbicos na zona de Lisboa 
10406 milhões de metros cúbicos na zona do Algarve
12079 milhões de metros cúbicos na zona de Aveiro

Segundo o artigo só há três países na Europa que gastam mais dinheiro do que Portugal a encher praias, são eles a Holanda (por óbvios motivos), a Alemanha e a Espanha, porém se tivessem analisado esse gasto em percentagem do PIB facilmente concluiriam que Portugal é o campeão europeu no que respeita a gastar o dinheiro dos contribuintes a encher praias com areia. 

Esse artigo porém a mim não me supreendeu absolutamente nada porque já por diversas vezes critiquei esse desperdicio de verbas públicas, pois um país que não tem dinheiro para financiar o SNS e paga pensões de 275 euros não pode dar-se ao luxo de gastar dezenas de milhões de euros em praias https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/desperdicar-milhoes-de-euros-dos.html

sábado, 13 de novembro de 2021

Expresso - Terrenos agrícolas valorizam mais de 2000% devido a elevada procura dos fundos internacionais

 
Eu até posso perceber que a procura por fundos internacionais tenha levado os terrenos agrícolas deste país a valorizarem-se bastante, como hoje se pode ler num artigo publicado na secção de Economia do Expresso (páginas 18 e 19), já me custa muito mais a perceber que seja logo na região de Tavira que os terrenos agrícolas tenham aumentado 2400% na última década, vendendo-se agora um hectare por 120.000 euros, (o valor mínimo por hectare de 30.000 euros é revelado para o Alentejo) na justa medida em que como se comentou neste blog em 2019, o Algarve será precisamente a primeira região deste país a tornar-se num deserto https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/desertoa-nova-realidade-do-sul-de.html 

An innovative and radical solution to tackle the crisis in peer reviewing

 

A few years ago, professors Owen Petchey and Jeremy Fox coined the term "cheats" to highlight a growing issue in academia—scientists who accumulate a large number of co-authored publications without reciprocating with an adequate amount of peer reviewing. This practice, they argue, places an undue burden on other researchers to conduct the essential task of reviewing. In response to the ongoing crisis in peer reviewing, a recent article in Times Higher Education suggests a radical solution: journals should implement a policy of automatically rejecting submissions from authors who have published significantly more papers than they have provided peer reviews for  https://www.timeshighereducation.com/opinion/publishing-more-they-are-reviewing-reject

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Novo Acórdão do Tribunal Constitucional protege os sádicos torturadores de animais

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/o-supremo-descaramento-de-uma-casta.html

Já não bastava que a tal casta (cujas mordomias os contribuintes são obrigados a sustentar) que foi mencionada no post acima há pouco tempo tenha insultado milhões de Portugueses ao terem escrito que é insuportável viver fora de Lisboa e agora os mesmos acabam de brindar o país com mais uma pérola escabrosa absolutamente incompreensível, que defende que a lei que criminaliza os torturadores de animais não é constitucional e logo não produz quaisquer efeitos na ordem juridica, é como se não existisse https://www.publico.pt/2021/11/12/sociedade/noticia/tribunal-constitucional-machadada-lei-maus-tratos-animais-companhia-1984617

Ou seja se alguém tiver a tara de torturar animais esse acto hediondo não pode ser criminalizado em Portugal.  Já se sabia que a Constituição deste país protegia os corruptos, o que era abundantemente evidente pelo facto de terem sido declaradas inconstitucionais todas as tentativas que tentaram criminalizar o enriquecimento ilicito (a maioria das 22 tentativas tiveram sempre o voto contra do PS, as poucas que escaparam encontraram pela frente os juizes do Tribunal Constitucional que sem surpresa também sempre votaram contra) e agora fica-se a saber que a mesma Constituição também protege os sádicos e até mesmo aqueles sádicos violentos cuja satisfação sexual é obtida com a tortura de animais. Esses tarados devem hoje estar em grande festa aproveitando para torturar mais uns quantos. Restando por isso apenas saber quanto tempo levará a que essa noticia se espalhe e haja sádicos de outros países a emigrarem para Portugal para poderem torturar animais à vontadinha sem que ninguém os possa incomodar. 

Mas se até a Rússia, mandou para a cadeia duas adolescentes psicopatas, Alyona Savtchenko e Alina Orlova, fotos acima, que se filmaram a torturar quase duas dezenas de cães e gatos até á morte, tendo espancado, estripado e crucificado os mesmos https://www.holidogtimes.com/the-2-sadistic-teens-who-filmed-themselves-torturing-and-killing-animals-were-just-found-guilty/ então só pode concluir-se que a Constituição da Rússia é muitíssimo menos complacente com os sádicos violentos do que a Constituição Portuguesa, o que significa que é absolutamente urgente adaptar a nossa Constituição ao século 21 expurgando-a de tudo aquilo que protege os sádicos e também daquilo que protege os corruptos que há muito andam a empobrecer Portugal. 

Times Higher Education__ Revistas científicas devem rejeitar de forma automática artigos de investigadores que violam o dever de revisão


"...o Público irá doravante "dar caça" aos titulares de currículos académicos duvidosos e sem dúvida alguma irá começar por questionar alguns famosos catedráticos da Academia Portuguesa, para saber como é que conseguem ser donos de milhares de publicações...e já agora também para que eles possam esclarecer porque é que ao mesmo tempo apresentam zero revisões na plataforma Publons-Clarivate, em evidente incumprimento de um dever científico, quando é sabido que...no mínimo deveriam ter um numero de revisões igual ao número de publicações, para assim evitarem o carimbo de Cheats (vigaristas, charlatães, trapaceiros) cunhado pelos catedráticos Jeremy Fox e Owen L. Petchey" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/ainda-grossa-polemica-volta-curriculo.html

O pequeno texto acima foi retirado do último parágrafo de um post publicado neste blogue do final de Setembro e a sua utilização serve como introdução ao conteúdo de um artigo publicado na Times Higher Education há apenas dois dias atrás, onde se defende que todos aqueles investigadores que se andam a aproveitar do trabalho de revisão dos Colegas já que possuem um numero de publicações muito inferior ao número de revisões devem ver os seus artigos automaticamente rejeitados por conta da sua falta de integridade https://www.timeshighereducation.com/opinion/publishing-more-they-are-reviewing-reject


quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Faleceu o co-autor do livro mais citado

 

Aproveito este post para recordar o trabalho do Professor-Coordenador Principal José Tenreiro Machado, falecido há poucas semanas https://www.ipp.pt/noticias/faleceu-jose-tenreiro-machado  

Não só foi um dos 15 investigadores nacionais mais citados de acordo com o recente ranking da Universidade de Stanford https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/os-15-cientististas-portugueses-melhor.html como foi também co-autor do livro "Advances in fractional calculus: Theoretical developments and applications in physics and engineering" que foi seleccionado para indexação na base Scopus e que já tinha sido mencionado neste blog, como sendo o livro com a contribuição de investigadores Portugueses mais citado de sempre https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/os-20-livros-mais-citados-produzidos-em.html

Nos vários emails que troquei com o referido Colega houve um em particular, no qual me revelou pormenores sobre situações escabrosas ocorridas na Academia (que infelizmente não foram caso único pois também ocorreram com outros Colegas), porém não consegui convencê-lo a que permitisse que os factos referidos fossem tornados públicos, pois ele disse-me que receava que os visados depois se quisessem vingar tentando prejudicar os seus filhos. É uma opção com a qual não concordei, mas que respeitei. Seja como for acho que não cometo falta indesculpável por tornar pública, a última frase do email que me enviou (que muito me honra), onde me revelou os referidos episódios: "...O meu email foi mais para lhe dar um abraço e dizer que há mais pessoas que acompanham a sua guerra e apreciam a sua coragem" . 

PS - Em 2016 um catedrático de Sociologia da Universidade da Geórgia foi autor de um interessante artigo publicado no Journal of Higher Education de título "Honor in the Academic Profession: How Professors Want to be Remembered by Colleaguesque não por acaso já foi mencionado neste blogue em 2019, e no qual se afirma que na Academia há quem seja lembrado pelos seus pares, por ter feito descobertas muito importantes, mas também há quem seja lembrado por ter sido um Académico de elevada integridade, os Colegas do Tenreiro Machado, saberão por isso melhor do que ninguém como é que se irão lembrar dele. 

Os 15 cientistas Portugueses melhor classificados no ranking da Universidade de Stanford 2021

 


Ainda na sequência do posta cima listam-se abaixo os 10 cientististas Portugueses melhor classificados no ranking Stanford 2021, onde curiosamente não aparece o nome da Nobelizada pelo Expresso nem o mesmo aparece nas primeiras 50.000 posições do referido ranking. 

Posição                                      Nome                                                          Instituição
469                     António Damásio (Catedrático)                               Univ. Southern California 
3870                   João Pedro Hespanha (Catedrático)                             Univ. California 
4559                   Miguel Bastos Araújo (Catedrático)                                      CSIC
4881                   Pedro Domingos (Catedrático)                                      Univ. Washington
5178                   João Paulo Davim (Catedrático)                                        Univ. Aveiro
5282                   João Mano (Catedrático)                                                    Univ. Aveiro
5287             Fernando L.da Silva (Catedrático, faleceu em 2019)            Univ. Amsterdam
5744                   Caetano Reis e Sousa (Senior Group Leader)                 Francis Crick Inst.
7561                   Carlos Guedes Soares (Catedrático)                                   Univ. Lisboa
8528                   José Ferro (Catedrático)                                                     Univ. Lisboa
9384                   Nuno Peres (Catedrático)                                                    Univ. Minho
10097           José Biouca-Dias (Catedrático, faleceu em 2020)                    Univ. Lisboa
10796                 Mário Figueiredo (Catedrático)                                           Univ. Lisboa
11208           Tenreiro Machado (Prof. Coord. Pr., faleceu em 2021)             Pol. Porto
12498                 Manuela Chaves (Catedrática)                                            Univ. Lisboa

PS - Interessante será saber qual deles será o primeiro a ter honras de Panteão Nacional, onde até hoje ainda não há ninguém ligado à Ciência ?

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Academia Portuguesa refém do princípio de Eleutério



A ameaça mencionada há poucos meses no post acima acaba de se tornar efectiva, já que foi recentemente aprovada pelo Governo e brevemente terá força de lei https://www.publico.pt/2021/11/06/sociedade/noticia/sindicatos-apanhados-surpresa-mudancas-carreiras-ensino-superior-1983883

Uma legislação que irá permitir que todos aqueles que entraram na Academia sem mérito suficiente, unicamente por serem familiares de Catedráticos ou por conta de amizades politicas ou maçonicas, cheguem mais rapidamente a catedráticos, significa que doravante na Academia Portuguesa irá passar a vigorar o principio de Eleutério, vide texto abaixo, ontem publicado:"...“princípio de Eleutério” enunciado por Eça de Queirós estipula que a incompetência demonstrada por uma pessoa no seu trabalho é critério essencial para a sua promoção"  https://www.publico.pt/2021/11/09/opiniao/opiniao/principio-eleuterio-1984165

Infelizmente e em boa verdade a principio de Eleutério já há muito que estava entranhado na Academia Portuguesa, porque como escreveu o catedrático Orlando Lourenço, há duas décadas atrás: "é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas" principio esse que foi confirmado em 2016, por declarações publicas do catedrático Jorge Calado da mesma universidade, ao semanário Sol. 

PS - Tendo em conta que a nova legislação vai na prática consolidar a elevadíssima endogamia existente na Academia Portuguesa, convém por isso recordar o tal estudo levado a cabo em 140 países https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/study-on-academic-inbreeding-involving.html

Responsabilizar o Estado Português por homicídio negligente

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/universidades-recusam-abertura-de-mais.html

Tendo em conta que como se viu no post acima o Governo deste país está refém dos interesses egoístas dos médicos e é unicamente por causa disso que muitos jovens Portugueses tiveram e ainda continuam a ter que ir estudar para o estrangeiro, será que os pais daquele estudante de medicina que agora apareceu morto na República Checa não deveriam colocar o Estado Português em tribunal, pelo facto da morte do filho deles ser pelo menos em parte, devida a um facto cuja responsabilidade pode ser assacada ao Estado Português, o de não ser capaz de meter as Faculdades de Medicina no seu devido lugar ? 

Imagine-se que a empresa pública TAP num caso de overbooking (venda de bilhetes em número superior ao número de lugares do avião) deixa um passageiro em terra, que não tem outro remédio senão apanhar outro avião. Se esse avião cair será que os seus familiares não podem colocar a TAP (o que é o mesmo que o Estado Português) porque essa morte só ocorreu porque não lhe foi permitido viajar na TAP ?