quarta-feira, 21 de julho de 2021

Ministro Heitor quer que os "concursos aconchegados" passem a ser ainda mais aconchegados



Afinal aquilo que se pensava ter sido uma excepção, vide post acima, como excepção tinham sido há algumas décadas atrás o caso dos tais professores que chegaram à cátedra por decreto (os catedráticos decretinos) vai afinal tornar-se a regra como hoje dá conta um artigo na página 15 do jornal Público. 

A hipocrisia vai ao ponto de nesse artigo se dizer que doravante o acesso à cátedra se vai fazer pelo mérito. Uma piada negra se tivermos em conta como se tem avaliado o mérito na academia, onde vigora um "nepotismo movido a favores", que passa pela distribuição de Excelentes a pataco, havendo até quem tenha Excelente,  com uma produção científica absolutamente nula, só por ter exercido um cargo de gestão, mesmo que esse exercício tenha sido bastante medíocre.  https://www.publico.pt/2017/02/09/sociedade/opiniao/da-patetica-e-nefasta-farsa-da-avaliacao-dos-docentes-universitarios-1761170

Atente-se aliás no artigo com o sugestivo título "No ensino superior não é o mérito que comanda as contratações" e compare-se isto com a forma como nos EUA selecionam professores em universidades de topo: "The focus is on people who have the potential to be (or are) stars -- e.g., who have done something that is viewed as seminal or "game changing"

Ou mesmo na Alemanha, vide descrição na secção II do artigo, pág 6, que é prova de um sistema muito competitivo que não tem qualquer semelhança com o nosso país. Não admira por isso que a Alemanha tenha 23 universidades no ranking das 100 mais inovadoras da Europa onde até a Espanha tem 5 universidades enquanto que Portugal tem zero e nos próximos anos vai continuar a ter Zero. 

Também não pode por isso constituir admiração que as Universidades Portuguesas, apesar de contarem com uma quantidade extraordinária de Professores alegadamente tão "Excelentes", tenham recentemente feito péssima figura no ranking Shanghai 2021 por áreas, quando comparadas com as Universidades Alemãs. 

PS - O que é absolutamente garantido que esta medida irá trazer é um agravamento do problema da endogamia académica, (aquela péssima tradição que segundo a conhecida Maria Manuel Mota directora do IMM e prémio Pessoa em 2013, dá mau nome ao parasitismo) onde Portugal é de forma muito pouco honrosa campeão internacional, sendo por isso hipócrita que no mesmo artigo se diga que é intenção do Governo reduzir a mesma. As únicas duas coisas positivas em todo o artigo são, a intenção de limitar o número de contratos por convite (que deram origem a uma autêntica pandemia)  e também o facto de se lá dizer que vão acabar as aulas grátis (que no futuro ficarão reservadas apenas a jubilados e reformados), uma aberração desavergonhadamente exploradora que permitiu a muitas instituições poupar muitos milhões de euros.