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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Reitor de universidade pública revela que os concursos são todos combinados

 


Ainda na sequência do post acima é interessante ler hoje na página 6 do jornal Público um professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa a confessar publicamente aquilo que faz título do presente post e que alegadamente lhe foi dito por um Reitor de uma universidade pública. 

Verdade seja dita, porém para mim essas declarações nem sequer são assim tão surpreendentes, na justa medida em há muito que isso é há muito do conhecimento da comunidade académica, como bem se percebe pelas muitas declarações de vários professores catedráticos que foram compiladas aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html 

A mim o que mais me surpreende é que a sempre tão eficiente e eficaz Policia Judiciária, que até foi capaz de "caçar" os dois corruptos condenados pela viciação de concursos CRESAP https://www.dnoticias.pt/2019/1/4/216894-caso-vistos-gold-condena-antonio-figueiredo-e-maria-antonia-anes/ se tenha revelado tão estranhamente incapaz de estar à altura daquilo que que fez a policia na Itália, quando prendeu vários professores universitários  por viciação de concursos de igual modo não foi até hoje capaz de descobrir uma única viciação, entre as largas centenas que ocorreram em Portugal nas últimas décadas. 

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Endogamia académica e viciação concursal



Reproduzo novamente abaixo um post (que estava alojado noutra plataforma), que tinha sido originado por conta de uma petição iniciada no final de 2015, da qual fui o primeiro subscritor, contra as elevadíssimas percentagens de endogamia académica, próprias de um país do terceiro-mundo, e o qual desde essa data foi sendo objecto de várias actualizações, mas que hoje constatei que tinha desaparecido, alegadamente ao que me contaram, por conta de um problema informático, sendo pertinente referir que antes desse estranho desaparecimento o mesmo contava já com mais de 16.000 visualizações:


Aqueles largas centenas de Colegas que subscreveram esta petição, no link acima, fizeram-no porque reconhecem que existem problemas graves na Academia, relacionados com o recrutamento, seleção e promoção de Professores, vide os vários textos mencionados abaixo e bem assim as centenas de comentários deixados no site da petição. Questão diferente e bem mais controversa, reside em se saber porque motivo as instituições que lá fora lideram ou simplesmente seguem as melhores práticas internacionais, a que alude o preâmbulo do ECDU, conseguem tal sem a isso estarem obrigadas por nenhuma Lei, enquanto outras por cá denotam uma estranha atracção por divergir dessas mesmas práticas, necessitando por conseguinte de Leis que obstem a essa pulsão desviante.

Em 5-04-2019 o professor catedrático Diogo Ramada Curto da Universidade Nova de Lisboa afirmou ao Jornal de Negócios que: “os mecanismos clientelares nas universidades são muito fortes”

Em 6-03-2019 o escritor João Pedro George escreveu na revista Sábado artigo sobre os cursos de Direito referindo que “a FDUL é uma espécie de grande família...composta de várias pequenas famílias (ou grupos tribais) onde os cargos docentes são tratados como mercadorias..."

Em 2-03-2019 David Marçal e Maria Manuel Mota dão entrevista sobre a academia Portuguesa e enquanto o primeiro fala daqueles que sobem pela vassalagem já a Maria Manuel Mota, diz que a endogamia académica: “dá mau nome ao parasitismo”

Em 1-03-2019 Gonçalo Quadros, Fundador e CEO da Critical Software, vencedor do Prémio Universidade de Coimbra disse ao jornal Público disse que: "Há uma certa cultura de consanguinidade na universidade portuguesa, de endogamia, que limita fortemente o mérito"

O jornal Público de 16-02-2019 contém artigo que aborda a endogamia académica e relata que as suas consequências são que: “As pessoas em vez de ciência estão a fazer política de corredores e a universidade torna-se uma maneira de arranjar salários para os amigos...” https://www.publico.pt/2019/02/16/ciencia/prepublicacao/endogamia-academica-vale-bebado-conhecido-alcoolico-anonimo-1862161

Em Outubro de 2018 a A3ES publicou um estudo sobre a Caracterização do corpo docente do ensino superior português, onde a palavra endogamia aparece referida bastantes vezes, nada menos do que 194.

Em 17 de Junho de 2018 o catedrático jubilado José Ferreira Gomes escreve no Público que:
"Beneficiam aqueles que acumulam mais trabalho (e alguns favores aos mais velhos)... Os lugares são muitas vezes abertos apenas quando alguém da casa bateu à porta do reitor e poucos candidatos externos se prestam ao provável vexame de uma avaliação caseira,..." https://www.publico.pt/2018/06/17/sociedade/opiniao/sim-a-uma-nova-carreira-universitaria-1834000#gs.VmQ3Pfmq

Em 23-09-2017 o Expresso publicou declarações do Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior pelas quais o mesmo comenta o estudo da DGEEC e em que aquele diz ser inadmissível que haja cursos com percentagens de endogamia de 100% e também que é preciso combater as corporações nas universidades
porém logo aproveita pa ra lavar as mão dizendo que não é polícia das universidades ! Palavras de um Ministro cuja coragem só lhe chegou para combater as praxes e que sem dúvida alguma não ficará para a história pelo denodo com que combateu as tais corporações universitárias, cegamente confiando/esperando quiçá que elas se combatessem a elas próprias !

Em 21 de Setembro de 2017 foi tornado público um estudo da DGEEC sobre o fenómeno da endogamia académica nas universidades Portuguesas. Estudo esse que foi objecto de artigo no jornal Público https://www.publico.pt/2017/09/21/sociedade/noticia/no-ensino-superior-nao-e-o-merito-que-comanda-as-contratacoes-17861461786146 No mesmo merecem destaque as compugentes declarações do Catedrático José Ferreira Gomes, Secretário de Estado do Ensino Superior no XIX Governo e do Ensino Superior e da Ciência no XX Governo, que diz (pasme-se) que a endogamia existe porque na sua génese está um problema humano ! No entendimento daquele Colega a violação dos princípios constitucionais do mérito e da igualdade têm afinal uma explicação humanística. Os júris não são assim culpados de violação do dever de imparcialidade mas apenas "culpados" de terem um coração muito generoso...para com os candidatos da casa Também muito se estranha que o Público tenha logo ido pedir conselho precisamente a quem enquanto Secretário de Estado durante 2 Governos fez rigorosamente nada para tentar resolver o problema da endogamia. Não menos estranha é a afirmação do antigo Secretário de Estado quando diz que o diploma do emprego científico constitui "uma oportunidade dourada" para reverter o fenómeno, esquecendo-se porém que em artigo publicado no inicio deste ano tinha escrito que o referido diploma até iria agravar o problema da endogamia !

Também em Março foi conhecido recente documento interno do Dep. de Física do IST disponível em https://www.docdroid.net/Qv14n3X/seleo-de-candidatos-fsica-ist.pdf.html
o qual contém recomendações sobre as linhas de selecção de candidatos pode ler-se que: "a justificação das propostas de abertura de concursos e/ou dos critérios/pesos adotados na elaboração dos editais deve ser acompanhada dos curricula vitae de potenciais candidatos"

Em Março o Presidente do SNESUP escreveu que [/b]"No Ensino Superior e Ciência, acusações de endogamia e concursos viciados caminham em paralelo com fenómenos de desvalorização e precarização"

Na edição do semanário Sol publicada em 25 de Fevereiro o Professor Catedrático José Ferreira Gomes refere que as propostas que se preparam para a ciência vão incentivar a mediocridade e agravar ainda mais o problema da endogamia académica. https://www.docdroid.net/xYXU9s1/artigo-25-fev-2017-ex-secretrio-de-estado.pdf.html

Em 9 de Fevereiro o Professor Catedrático Arnaldo Videira escreveu a propósito da avaliação de desempenho universitária sobre um regime "que frequentemente privilegia os “amigos” e lambe-botas em detrimento do mérito

Em 13 de Janeiro de 2017 o historiador Rui Tavares, escreveu que "contrata-se quem já é da casa ou já fez favores à casta, em concursos de regras abstrusas que servem mais para eliminar candidatos inoportunos do que para ampliar o leque de escolha " 

O Professor Catedrático José Ferreira Gomes que foi Secretário de Estado do Ensino Superior no XIX Governo e do Ensino Superior e da Ciência no XX Governo, escreveu em 30 de Dezembro de 2016 que "Não é surpreendente que as decisões de recrutamento de docentes a todos os níveis nem sempre favoreçam os mais promissores. É compreensível que as decisões de abertura de concursos, de constituição de júris e de seriação pelos júris pareçam perseguir outros objetivos...Todos estão de acordo em criticar o inbreeding, mesmo aqueles que participam nos processos que o reforçam" 
Foi por certo a primeira vez que um Colega que exerceu funções governativas ainda por cima logo em dois Governos da República reconhece, ainda que o tenha feito em termos abstratos, a existência de concursos manipulados na academia.

O Presidente do Conselho Nacional da Educação escreveu no relatório do Estado da Educação apresentado em 26 de Setembro de 2016, que a endogamia académica coloca em causa a equidade e o mérito na carreira universitária e é responsável pela paroquialização das equipas de investigação cientifíca cuja maioria não vai além da mediania: https://www.publico.pt/2016/09/24/sociedade/noticia/professores-convidados-mantem-tendencia-do-ensino-superior-para-a-endogamia-1745056?frm=ult

 No mesmo relatório consta ainda o seguinte texto: Em países onde a endogamia representa um problema,a possibilidade de contratar os melhores candidatos é reduzida, apesar da “fachada” dos concursos abertos, aparentemente transparentes e competitivos...Os processos de seleção, embora formalmente baseados na avaliação padronizada das candidaturas, são na prática baseados na avaliação informal das competências individuais e dos relacionamentos pessoais durante a formação, o que resulta no ‘favoritismo do candidato local’... Este tipo de contratação não só abre a porta à corrupção, como é injusto para aqueles que não criaram relações pessoais dentro do departamento ou que mudaram de instituição de ensino superior. Desde modo, a independência intelectual e a mobilidade são castigadas.

Em 6 de Agosto de 2016 o semanário Sol publicou uma longa entrevista ao Professor Catedrático Jubilado Jorge Calado do IST, onde aquele afirmava que muitos Professores Universitários são selecionados tendo como critério não irem fazer sombra aos que já lá estão. Trata-se de um básico mecanismo de sobrevivência de Professores medíocres que apenas um sistema de recrutamento caduco permite e o qual já foi analisado aqui https://link.springer.com/article/10.1007/s11024-013-9231-0

Durante o ano de 2016 nove colegas divulgaram uma carta aberta sobre um concurso para selecionar um Professor de Matemática que recebeu 38 candidaturas (algumas até de colegas com prémios Gulbenkian, alguns com currículos longos tanto cientifica como pedagogicamente) e onde o candidato selecionado foi precisamente aquele que não tinha nenhum artigo científico nem atividade científica conhecida na área do concurso.

O Professor Catedrático Luís Campos e Cunha da Universidade Nova de Lisboa escreveu no site da petição, em 2016, que endogamia académica é um problema muito grave que incita e fomenta o lambe-botismo das hierarquias instaladas. Também o Professor Catedrático Armando Machado da Universidade do Minho escreveu "A progressão na carreira universitária portuguesa depende ainda em larga medida de padrões de obediência e subserviência a mentores e exorientadores que, por sua vez, com muita frequência manipulam os júris de avaliação"  

Destaque para o texto abaixo extraído de uma comunicação dos investigadores Orlanda Tavares, Vasco Lança e Alberto Amaral apresentada em Setembro de 2015 numa conferência realizada na Áustria, comunicação essa onde se refere que Portugal é um dos campeões europeus da endogamia académica: “inbreeding is likely to damage candidates’ equal opportunities and the university’s quality of teaching and research...academic inbreeding restricts the possibility of hiring the best potential candidates for academic appointments... Although in many countries recruitment procedures occur through open calls for positions, which appear to be fair and transparent... in inbred countries "these ‘open and competitive’ procedures are essentially pretense, as no one believes in the possibility of genuinely fair chances for outsiders”

Em 1 de Novembro de 2014 recebi de um conhecido ex-Reitor de uma universidade pública um email onde se podia ler o seguinte: "Conhecem-se concursos que são ganhos por candidatos exteriores, devido ao mérito dos seus curricula, mas que são acolhidos nessas instituições como se se tratassem de intrusos ou mesmo de inimigos. A introdução no ECDU de alguns critérios que impedissem a endogamia seria de enorme interesse"

O Professor Catedrático Jubilado Mário Vieira de Carvalho da Universidade Nova de Lisboa escreveu em 2009 "tem-se dado como provado em tribunal que há membros do júri que, com o intuito de favorecer um candidato em detrimento de outro, fazem tábua rasa das grelhas de avaliação que o próprio júri aprovara

O Professor Emérito do MIT Michael Athans escreveu em 2001 sobre a sua estada no IST e em particular sobre o problema da endogamia merecendo destaque a trágica previsão "inbreeding may also lead to a serious mediocrity in the Portuguese educational system for the next 30-40 years...some “academic dictators” encourage hiring their mediocre students and employ inbreeding as a means of hiding their academic incompetence and inferior research capabilities"

O Professor Catedrático Vital Moreira da Universidade de Coimbra escreveu em Julho de 2000, sobre o problema da endogamia em geral e os consequentes concursos com fotografia em particular "na maior parte dos casos os lugares só são postos a concurso quando alguém "da casa" esteja em condições de concorrer. Depois, normalmente ninguém de fora da instituição ousa apresentar-se a concurso. Finalmente, o concorrente único é sempre admitido... com a ajuda de júris amistosamente escolhidos.":

O Professor Catedrático Orlando Lourenço, da Universidade de Lisboa, deve ter sido o primeiro, quando em Junho de 2000 escreveu que a endogamia era o primeiro inimigo da universidade Portuguesa. Mas disse muito mais, disse também que na Academia Portuguesa, "é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas"

Aqui ao lado na vizinha Espanha a academia padece de idêntica enfermidade, ainda assim com uma percentagem de endogamia média inferior à das universidades Portuguesas, contudo os Colegas Espanhóis há muito que estão conscientes da gravidade deste problema e das consequências perversas da endogamia para a docência e para a investigação. Como refere o Catedrático Jordi Caballé, da Universidade Autónoma de Barcelona: "Los centros más endogámicos, los que se muestran menos abiertos a la incorporación de talentos externos, son también los más fosilizados".

Um recente artigo do Catedrático José Ginés-Mora, da Universidade de Valência é também bastante incisivo na condenação da endogamia universitária "la endogamia es consecuencia de corruptelas: se favorece al familiar, al amiguete o simplemente al “cliente” del que se espera fidelidad en el futuro" 

Igual destaque merece um outro artigo muito esclarecedor do Catedrático Andrés Betancor "Es corrupción cuando se trata de un contrato de 10.000 euros para organizar un evento...pero cuando se trata de la adjudicación de una plaza de catedrático es … endogamia" 

E também um outro recente do Catedrático Carlos Gorriarán que escreveu que "Todos estos escándalos tienen una raíz común: la endogamia y sus redes clientelares, que hacen muy difícil acceder a la universidad como profesor e investigador si no es bajo el patrocinio clientelar del grupo dominante en el departamento, que después tratará de condicionar y dirigir la carrera académica del novato. Bajo la regla del favor debido y concedido, y del silencio de los beneficiados y aspirantes a serlo, se toleran y perpetran demasiados atropellos."

Ou ainda mais recentemente em Fevereiro de 2017 a acusação da Catedrática Rosa Berganza candidata a Reitora da Universidade Rei Juan Carlos de Madrid instituição que acusou de funcionar como uma rede clientelar "ao mais puro estilo mafioso" http://politica.elpais.com/politica/2017/02/09/actualidad/1486639585_879039.html

No entanto os Colegas Espanhóis são muito mais proactivos a denunciar irregularidades concursais e outras através de uma plataforma criada pela Associação para a Transparência: http://www.corruptio.com/web/main/main.htm  iniciativa que está longe, pelo menos num futuro próximo, de vir a ser replicada em Portugal, talvez porque, como escreveu no Público o Colega André Freire do ISCTE em 8 de Janeiro de 2016, existem na universidade Portuguesa várias condicionantes que "estimulam a domesticação dos docentes".

Ricardo Cabral, Francisco Louçã e Bagão Félix escreveram sobre a importância de se contribuir para combater a danosa tendência para a indiferença, que transforma a omissão num caminho, o adiamento num meio, a apatia numa consequência, a insensibilidade numa regrae o antropólogo António João Maia escreveu recentemente que “os atos de corrupção e fraude que as mais das vezes ocorrem no contexto da ação de organizações (públicas ou privadas) são praticados por indivíduos (funcionários ou trabalhadores) dessas organizações que revelam deficiências na interiorização dos valores éticos e morais...” é por isso lícito perguntar:

1 - será que um Professor que participa activamente na viciação de um procedimento concursal, ou que seja o beneficiário directo dessa viciação, reúne suficientes condições de ética, isenção e imparcialidade, para poder avaliar os seus alunos de forma rigorosa, sem que se corra o risco de favorecer alguns ou algumas, com ou sem troca de contrapartidas ?

2 - será que um Professor que participa activamente na viciação de um procedimento concursal, ou que seja o beneficiário directo dessa viciação, reúne suficientes condições de ética, isenção e imparcialidade, que minimizem o risco de no futuro se dedicar à pratica de actos ilícitos, como plagiar o trabalho de colegas ou falsificar resultados de investigações ?

3 - e será que quando se acaba de saber que um projecto de investigação financiado pela FCT, que envolveu 180 cursos, 7.292 alunos e cerca de 2.700 docentes com o título A ética dos alunos e a tolerância de professores e instituições perante a fraude académica no Ensino Superior” confirma a existência de uma elevada incidência de fraude académica em Portugal, num país onde muitos daqueles que deviam constituir-se como modelos de comportamento, se pautam afinal por uma relatividade ética, permanente e generalizada, não deveria a contratação de Professores Universitários merecer neste contexto redobradas preocupações, por forma a ser feita de forma transparente, rigorosa e no respeito pelos princípios da justiça, da imparcialidade e do mérito, consagrados na Constituição da Republica Portuguesa ? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Post sobre viciação concursal ultrapassa 16.000 visualizações


O post sobre viciação concursal, no link acima, criado por conta de uma petição em Dezembro de 2015 mostra que a cronologia dos eventos lá relatados aponta para uma elevada aceleração a partir de 2016. 

O referido post merece ser visto à luz do conteúdo de um email que em 31 de Outubro de 2016  enviei a muitos Colegas e onde reproduzi o resumo de um artigo com o título "The Culture of Mediocrity":
Abstract: This article examines the conditions under which mediocrity is selected and maintained by groups over time. Mediocrity is maintained by a key social process: the marginalization of the adept, which is a response to the group problem of what to do with the highly able. The problem arises when a majority of a group is comprised of average members who must decide what to do with high performers in the group. To solve this problem, reward systems are subverted to benefit the less able and the adept are cast as deviant.  http://link.springer.com/article/10.1007/s11024-013-9231-0 



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Juízes__"impõe-se uma operação de limpeza de grande envergadura, de alto a baixo"


Sobre o vergonhoso caso de viciação de atribuição de processos detectado no Tribunal da Relação de Lisboa, post acima, comparem-se as infelizes declarações da Ministra da Justiça que mandou dizer que não há nenhum problema com a distribuição dos processos ! com as declarações do representante dos juízes, Presidente da ASJP, hoje no jornal Público:
"impõe-se uma operação de limpeza de grande envergadura, de alto a baixo, sem portas fechadas nem “vacas sagradas”
Nem de propósito, também hoje um outro artigo no Público informa que o Tribunal Europeu de Direitos do Homem acaba de condenar Portugal (mais uma vez, no mês passado foi por conta do caso da morte de estudantes na praia do Meco) por conta das decisões de juízes do mesmo Tribunal da Relação de Lisboa (um deles Sua Excelência Rui Rangel) no caso Bragaparques, o que mostra que a justiça Portuguesa bem precisada está de uma grande limpeza. Na minha modesta opinião, sempre que o TEDH condenasse Portugal por conta das más decisões de um juiz, a única solução admissível era o despedimento desse juiz por justa causa !

Informa o artigo em causa que o corruptor Domingos Névoa, condenado por tentar subornar o advogado Ricardo Sá Fernandes, com pena suspensa (ao contrário desta investigadora aqui) e também condenado a pagar o produto do suborno, 200.000 euros ao Estado Português, pagou porém zero euros, porque o processo prescreveu. E para ajudar à festa o mesmo jornal Público traz um outro artigo onde se diz que a acusação a Ricardo Salgado "está presa" por conta do facto de um ex-administrador do BES se recusar a levantar o sigilo profissional. O culpado de toda esta vergonha têm nome, é o fascista Direito Romano-Germânico, que nos mantém acorrentados à corrupção e à pobreza. 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Acordão__erros grosseiros em Concurso para 2 vagas de professor Associado

Universidade de Santiago - Ex-Ministra da Administração Interna ...

http://www.dgsi.pt/jtcn.nsf/89d1c0288c2dd49c802575c8003279c7/4fdbd2b8fb8bcd40802584cc003b1e80?OpenDocument

No Acórdão acima relativo a um concurso na Universidade do Porto os juízes afirmam que o júri cometeu erros grosseiros. Assim sendo, porque é que sempre que um concurso é anulado por erros grosseiros do júri, não há lugar a processo disciplinar contra os jurados para apurar se os mesmos traduzem "desconhecimento das disposições legais e regulamentares" que constituem infracção disciplinar ? 

E será que essa omissão (leia-se irresponsabilidade) não têm levado a um aumento da reincidência dos jurados (seja em termos de erros ditos grosseiros seja mesmo em termos de viciação concursal como já denunciado por alguns poucos corajosos catedráticos) já que dificilmente se acredita, que um júri se vá preocupar muito em não cometer erros grosseiros, durante um concursom, se isso nem sequer têm sido punido em sede disciplinar ?

É claro que este e muitos outros Acórdãos, como aqueles referidos neste blog, só existem porque houve candidatos suficientemente corajosos para desafiarem as avaliações de júris que se julgam omniscientes, mas que muitas vezes cometem erros. 

domingo, 4 de julho de 2021

Custa ter de admitir isto


Depois de por várias vezes ter criticado o Ministro Heitor, como por exemplo naqueles três posts acima, custa ter de admitir que se for a verdade a previsão que ele ontem fez no Expresso, que no prazo de 2 anos haverá um novo curso de Medicina em Aveiro, e que também haverá um curso de medicina na UTAD, no prazo de três anos, então este Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, até pode ter feito muito poucas reformas na Academia (rigorosamente nada no respeitante a combater a endogamia universitária e viciação concursal) mas há que reconhecer que teve pelo menos um mérito, o mérito de ter enfrentado com sucesso o poderoso lobby médico, que odeia a abertura de novos cursos de medicina

Leia-se a este respeito o que escreveu no seu blog há alguns anos atrás o catedrático jubilado Vital Moreira:
"a criminosa política de "numerus clausus" em Medicina...para assegurar o lugar e as altas remunerações dos médicos existentes...Ainda está por fazer o julgamento político dos ministros da saúde e da educação que, juntamente com a Ordem dos Médicos, conspiraram para reduzir criminosamente o número de vagas em Medicina" 

E foi essa politica criminosa que fez de Portugal um país que até precisa de importar médicos de Cuba. Alguém compreenderia que o nosso país necessitasse de importar Engenheiros de Cuba ?

E porém as mesmas Faculdades de Medicina que diziam que não se importariam de abrir mais vagas para estudantes estrangeiros recusam que as mesmas sejam abertas para estudantes Portugueses https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/universidades-recusam-abertura-de-mais.html o que mostra bem como em má hora alguém permitiu que instituições financiadas pelo dinheiro dos contribuintes se possam estar literalmente a cagar para as necessidades dos mesmos contribuintes. Por mim aquilo que deveria ter sido feito era levar os directores das referidas Faculdades perante a justiça  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/accionar-judicialmente-os-diretores-das.html ou no minimo que lhes fosse retirada a abusiva possibilidade de poderem ditar o número de vagas a abrir. 

No ano passado o Bastonário da Ordem dos Médicos disse que os membros daquela associação profissional ganham "péssimamente mal" e que necessitam de carinho. Pelos vistos ele ainda não deve saber como é a vida dos médicos na China, país onde, ao contrário de Portugal, são de facto bastante mal pagos e ainda são frequentemente agredidos pelos pacientes, de tal maneira que é sabido que naquele país, ao contrário de Portugal, "nenhum filho de médico quer seguir medicina" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/the-economistno-doctors-child-becomes.html

PS - Só por piada se pode considerar que uma profissão que tem direito a um bónus mensal de mil euros só para fazer o favor de ir trabalhar para o longínquo Interior do país (50.000 euros se aceitarem ir para a ilha da Madeira) se pode considerar péssimamente mal paga, como afirmou de forma hipócrita e até sem qualquer vergonha o Bastonário da Ordem dos Médicos.  

terça-feira, 5 de maio de 2020

Produção científica Portuguesa___Preguiça (incompetência) ou talvez não ?


Alguns Colegas não gostaram (ou não perceberam) a comparação entre Portugal, Espanha e Itália feita no post acima, achando que era uma forma de demonstrar a preguiça (ou incompetência) nacional. Porém só pode dizer isso quem não está seguro daquilo que é a produção científica Portuguesa. E uma rápida pesquisa na Web of Science mostra que a produção acumulada durante os últimos 5 anos deixa Portugal confortavelmente à frente daqueles dois países:
Portugal ............11436 publicações WoS/milhão de habitantes
Espanha..............9673
Itália   ..................8631


E o facto é que mesmo uma análise num período mais recente, como por exemplo nas publicações em 2019 e 2020 (desta vez na base Scopus) mostra que Portugal ainda continua a manter a vantagem referida, até mesmo quando se alarga a amostra para incluir outros países, desde que esses não incluam porém o altamente produtivo relógio Suiço, cujo rácio é só o dobro do nosso, mas cuja elevada riqueza alocada à investigação (total, tanto pública como privada, que é 7 vezes superior em termos de euros/habitante) também explica a grande parte desse diferencial:
Portugal..........3838 publicações Scopus/milhão de habitantes
Espanha.........2919
Itália................2822
Alemanha.......2496
França............2388

O grande calcanhar de Aquiles da ciência Portuguesa não é o número de publicações indexadas mas de citações onde o nosso país nem sequer consegue competir com a pobre Gécia e onde nem sequer a Universidade de Lisboa consegue fazer boa figura face a universidades Espanholas e Italianas https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/universidade-de-lisboamais-evidencias.html

E qual é a estratégia do MCTES para aumentar as citações das publicações Portuguesas ?
É a estratégia DA, exactamente a mesma que é utilizada para combater a endogamia e a viciação concursal. Deixar Andar que talvez o problema se resolva por si próprio ! 
https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/04/post-sobre-viciacao-concursal.html

P.S - Como um Colega da UBI não gostou de ver a sua universidade no fim da lista sobre a produção relativa ao primeiro quadrimestre de 2020, aproveito esta oportunidade para publicitar um interessante artigo de título "Technology transfer, climate change mitigation, and environmental patent impact on sustainability and economic growth: A comparison of European countries" e cujo primeiro autor pertence aquela universidade 
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0040162519310662






sábado, 20 de março de 2021

O Ministro catedrático especialista em propaganda de baixa qualidade


O semanário Expresso cumprindo um papel que lhe é bastante conhecido de fazer publicidade às politicas da Geringonça, talvez como contrapartida pelos vários milhões de euros que este Governo obrigou os contribuintes deste país a pagar ao Grupo do Dr. Pinto Balsemão resolveu dedicar as suas duas páginas centrais do último caderno principal a divulgar rasgados e acriticos elogios aos "Laboratórios Associados", numa peça de pura propaganda politica onde nem sequer faltou o próprio Ministro Valsassina Heitor a elogiar-se a si próprio e à sua brilhante estratégia que consiste basicamente em despejar dinheiro sobre problemas para que eles se auto-resolvam de forma milagrosa. Só ficou a faltar que ele tivesse aproveitado para declamar aquela famosa canção dos Xutos e Pontapés, onde se canta "Eu cá sou muito bom... bom, bom, bom...sou o maior  https://www.letras.mus.br/xutos-e-pontapes/259756/

Os factos são porém muito diferentes da delirante realidade cor de rosa vendida pelo Expresso. Sobre Laboratórios Associados não me irei alongar nos comentários porque já anteriormente os fiz aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/ciencia.html a única coisa que na altura ficou por dizer é que nalgumas dessas unidades o excesso de dinheiro é de tal ordem que até lhes permite que gastem milhões em Article Processing Charges em revistas de aceitação garantida https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/um-cientista-de-etica-muito-rasteira-e_2.html  e isso ao mesmo tempo que há investigadores de reconhecido mérito a quem não resta outro caminho senão irem enriquecer outros países como recentemente se deu conta aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/quando-estar-desempregado-e-uma-medalha.html 

Para se perceber melhor a aberração supracitada atente-se nas percentagens abaixo, das candidaturas seleccionadas para financiamento em diferentes concursos:
Concurso de Laboratórios Associados.................89%
última Call de projectos de investigação...............9%
Concurso CEEC para investigadores....................8%
que demonstra claramente que o recente concurso de candidaturas para Laboratórios Associados foi afinal um exercício muito pouco selectivo, quando na verdade devia ser o mais exigente de todos os concursos.  E como prova inequívoca daquilo que foi o baixo rigor da avaliação que levou à renovação do estatuto a todos (!) os laboratórios Associados existentes (e ainda a mais alguns), basta lembrar que o famoso laboratório Associado, do qual faz parte o Sr. Reitor da Universidade de Lisboa, recebeu criticas muito incisivas dos avaliadores que apontaram o dedo ao facto de muitos investigadores nessa unidade produzirem muito pouco e não haver qualquer estratégia para o aumento da produtividade dos mesmos mas mesmo assim recebeu uma elevada classificação, o que se percebe bem pelo autêntico regabofe de Excelentes e Muito Bons que caracterizaram a avaliação e que representam quase 80% dos investigadores. Sendo muito provável que na próxima avaliação esse número chegue aos 100%, apesar da ciência Portuguesa andar há décadas a patinar abaixo da ciência da Grécia. 

A academia Portuguesa já era desgraçadamente conhecida por possuir um padrão terceiro mundista de viciação de concursos docentes por conta do qual se contratam de forma despudorada familiares, amigos e conhecidos (da politica ou da maçonaria), e agora que os laboratórios associados também vão passar a poder contratar, para posições por tempo indeterminado, é absolutamente evidente que aquilo que de muito mau já se passava na carreira académica se irá repetir no campo da investigação, como aliás já se tinha percebido aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/a-ciencia-portuguesa-nao-necessita-de.html O resultado prático das politicas do Ministro Valsassina Heitor é que se agora estamos atrás da Grécia, daqui a uns anos depois de muitos milhões de euros terem sido desperdiçados a financiar unidades pouco competitivas e a contratar amigos e conhecidos, será o de Portugal ficar abaixo de países como o Chipre (como se percebe aqui) ou inclusive abaixo de países como a Turquia, o Irão ou até mesmo o Paquistão, como se percebe aqui 

PS - Fazendo jus à sua fama de produzir artigos com meias verdades (e até mentiras) o artigo do Expresso acima citado afirma que "os laboratórios associados recebem um financiamento adicional da FCT e em troca assumem dois compromissos...Um implica integrar numa carreira científica pelo menos 10% dos doutorados...O segundo objectivo é desenvolver actividades relacionadas com politicas públicas". A afirmação é contudo muito pouco rigorosa porque estranhamente esquece o terceiro compromisso que passa pela "capacidade de diversificar as fontes de financiamento do Laboratório e de aumentar a atração de financiamento da União Europeia ou de outras entidades internacionais..". Um esquecimento que é tanto mais suspeito tento em conta que existe um fraco histórico nessa área, que é tanto mais inadmissível nas unidades melhor classificadas, que nem sequer foram capazes de submeter um mínimo de candidaturas ás bolsas milionárias da ERC como se deu conta aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/sera-que-os-investigadores-portugueses.html