sábado, 11 de julho de 2020

"A nova fronteira arquitectónica: O microbioma dos edifícios"


Ainda sobre o tema do livro "Virus, Bacteria and Fungi in the Built Environment: Designing healthy indoor environments" comentado em post anterior e iniciado muito recentemente (em co-edição conjunta com o professor catedrático jubilado Joseph Falkinham e o professor Volodymyr Ivanove mencionado em Maio passado no final do post acima, é curioso constatar que poucas semanas depois foi publicado um post sobre o mesmo tema 
https://theconversation.com/the-new-architectural-frontier-buildings-and-their-microbiomes-139777 cujo título adaptei como título para o presente post, o que só mostra que se trata de um tema de grande actualidade.

Facto esse que por sua vez vem de certa forma contraditrar a teoria de um professor-auxiliar de arquitectura da FBAUL, José Nuno Beirão que há poucos anos escreveu um ensaio de título "Educação para o Arquitecto desempregado na era do Educador analfabetoonde até mencionou a existência de plataformas que alegadamente tornam os arquitectos irrelevantes:
“...a plataforma que torna o arquitecto praticamente irrelevante. O website architechtures 2 presta um serviço baseado numa plataforma com suporte em inteligência artificial, onde o utilizador pode desenvolver, para um lote, o projecto de um edifício de habitação manipulando um conjunto de parâmetros e descarregar o modelo BIM para eventuais ajustes. Este modelo de negócio fornece em poucas horas o projecto de execução acabado incluindo orçamento e infra-estruturas a qualquer interessado..."

Previsão catastrófica essa, que pelo menos a meu ver, é altamente improvável, na justa medida em que é desde logo por demais evidente que nenhuma plataforma de arquitectura consegue (ou conseguirá tão cedo, ou algum dia) simular o microbioma de um edifício.

Excelentes notícias__Tribunal condena ex-banqueiro a prisão efectiva e o ayatollah que levou um pontapé


https://rr.sapo.pt/2020/07/10/pais/joao-rendeiro-ex-presidente-do-bpp-condenado-a-pena-de-prisao-efetiva-de-cinco-anos-e-oito-meses/noticia/199889/?utm_source=cxemdestaque

Espero bem que o ex-banqueiro Rendeiro não morra de Covid-19 antes de cumprir a pena de 5 anos. Com um bocado de sorte ao fim de 2 anos está cá fora, embora seja verdade que cumprir 2 anos num estabelecimento prisional, onde há muito menos luxos do que na moradia onde ele tem vivido, na Quinta Patino, não seja pêra doce. 

De qualquer maneira ele pode sempre telefonar ao Dr. Isaltino Morais que lhe explicará, estou certo, qual a melhor forma para não ter problemas com os reclusos e até cair nas suas boas graças. Cada recluso custa aos contribuintes Portugueses aproximadamente 50 euros por dia, porém no caso deste ex-banqueiro são 50 euros muito bem gastos, é uma espécie de investimento em marketing que serve de aviso a outros banqueiros.  

Porém como uma boa noticia nunca vem só também ontem se ficou a saber que uma inqualificável figura que tinha como apelido “ayatollah” de Barcarena acaba de deixar de ser director de informação da TVI. 

Igualmente excelente é hoje a noticia que aparece em grande destaque no jornal Público, informando que o ex-dono disto tudo vai ser acusado de ser o líder de uma organização criminosa, essa porém é a única parte excelente porque como o processo vai levar 50 anos (uma gentileza que os Portugueses podem agradecer ao Direito Romano-Germânico mas também e principalmente à obra de vários catedráticos de Direito, pois na Alemanha onde se aplicam as mesmas teorias juridicas não há processos que durem 50 anos e claro também aos advogados que beneficiam da bizarra possibilidade da submissão de um número incontável de recursos (em favor dos clientes ricos que os podem pagar) que levam à eternização dos processos) então isso significa que na realidade o Dr. Ricardo Salgado pode estar descansado que é certo e seguro que irá morrer de velhice sem que passe um único dia na cadeia. 

No passado mês de Fevereiro comentei nest blog uma frase da Presidente do banco Santander "Precisamos de mais engenheiros! Mas continuam a sair tantos advogados das universidades..." e note-se que ela não estava a falar de Portugal, o país onde segundo a Pordata, desde 1970 o número de advogados cresceu 1200%. A nível Europeu a Holanda que tem mais 70% de população do que Portugal, seria natural que tivesse mais advogados do que o nosso país porém a realidade é que Portugal tem mais 15.000 advogados do que a Holanda. Já a Suécia que tem aproximadamente a mesma população que Portugal possui menos de 6000 advogados enquanto que Portugal possui cinco vezes mais, é uma pequena diferença de 500%. Mas ainda há muito pior pois Portugal possui apenas o dobro da população da Finlândia mas possui um numero de advogados que é 1600% superior, o que significa 800% a mais para a mesma população. 

Como é evidente deste absolutamente irracional excesso de advogados nada de bom pode vir, como seja a captura da Assembleia da República e do processo legislativo impedindo a aprovação de leis que belisquem os seus interesses, nem muito menos permitindo que a República Portuguesa (apesar de ter milhares de funcionários públicos diplomados em Direito) deixe de gastar todos os anos milhões de euros com sociedades de advogados privadas. https://www.dinheirovivo.pt/economia/advogados-custam-15-milhoes-por-ano/

Factos que também ajudam a perceber porque é que Portugal é um país muito mais pobre e mais fustigado pela corrupção do que a Holanda, a Suécia e a Finlâbdia, acima referidos, onde não há como cá um elevado número de advogados a ajudar os seus clientes a fugir ao fisco. Isto já para nem falar da forma como o Bastonário da Ordem dos Advogados reagiu há poucos meses atrás a um modestissimo pacote de medidas anti-corrupção, menos parecendo alguém preocupado com a corrupção que empobrece este país, mas muitissimo mais preocupado em garantir que não haja mexidas no processo penal, sejam elas quais forem, que reduzam os rendimentos dos advogados. O que teve pelo menos a vantagem de mostrar que o referido código foi concebido para tratar em primeiro lugar dos interesses dos advogados e somente secundariamente dos interesses dos Portugueses. 


sexta-feira, 10 de julho de 2020

"Ministro nomeia BOY" para cargo que paga mais de 6000 euros/mensais


A revista Sábado informou ontem (que embora venha por aí uma grande crise económica não há que recear porque ainda há muitos bons cargos por preencher) em artigo de título "Ministro nomeia BOY" para Administrador da Navegação área de Portugal-NAV, continua assim aquela bela tradição de dar uma ajudinha aos amigos (e amigas) do partido que não tem CV suficiente para ganhar concursos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/vergonhosa-contratacao.html  

Mas se está visto que é impossível impedir os Governos de nomearem BOYS (e GIRLS) não vejo porque não será possível minorar os efeitos da coisa. A minha proposta é por isso no sentido de todas as nomeações para cargos de assessor, chefe de gabinete e de direcção/administração em empresas públicas não poderem ser remuneradas em valor superior ao que recebe um professor-auxiliar. Bem vistas as coisas como esses BOYS jamais por mérito próprio conseguiriam sequer ganhar um concurso para professor-auxiliar então já se podem considerar sortudos por irem receber o mesmo que aqueles recebem. 

Prostituição lidera

A imagem abaixo mostra que os posts sobre prostituição lideram, ocupando os dois primeiros lugares do pódio dos últimos 7 dias, ficando o terceiro lugar para estranhos eventos ocorridos na Universidade de Coimbra.



The Economist__"How migth carbon-tracking turn into a giant surveillance system ? An imagined scenario from 2030"

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/is-it-possible-to-achieve-good-life-for.html

Still following the post above concerning a paper published on the journal Third World Quarterly based on the paper of O´Neill et al.  that defined individual (social and environmental) thresholds, for example, the carbon footprint cannot exceed 1.6 tonnes/ person/year check the recent article in The Economist https://www.economist.com/the-world-if/2020/07/04/what-if-technology-tracked-all-carbon-emissions 
Yes the prediction is not an optimistic one but is not as pessimistic as this one 


quinta-feira, 9 de julho de 2020

Académicos Portugueses cuja obra científica foi citada por vencedores do Prémio Nobel da Economia


https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/nova-school-of-business-and.html


Ainda sobre o post acima seguem abaixo alguns nomes de académicos Portugueses da área da economia, cuja obra científica foi suficientemente meritória para ser citada em artigos de prémios Nobel e que justificam a pergunta, porque é que será que em vez de se dedicar  a ter relações estranhas com empresas tão estranhas que irão agora ser escrutinadas por uma comissão criada de propósito para esse efeito, porque é que a Nova SBE não se deixa de imbróglios empresariais que deixam a comunidade científica (Ministro da tutela incluído) em cuidados e não ambiciona algo maior, como seja estimular os seus docentes no sentido de produzirem uma obra científica que seja suficientemente meritória para vir a ganhar um Nobel da Economia ou será que por aquelas bandas já se sentem satisfeitos por serem citados, nem que seja por anónimos alunos doutoramento ou até mesmo apenas por alunos de mestrado?

Nobel Paul Romer citou o Sérgio Rebelo
Nobel Robert F. Engle citou o Miguel Ferreira
Nobel Edward C. Prescott citou o Sérgio Rebelo
Nobel Joseph Stigltz citou Luís Cabral e José Mata
Nobel Finn E. Kydland citou o Luís Aguiar-Conraria
Nobel Angus Deaton citou a Mónica Costa Dias e a Paula Santana
Nobel  Robert J. Shiller citou a Cristina Viegas e o José Azevedo-Pereira
Nobel Clive Granger citou Luís Catela Nunes, Paulo M.M. Rodrigues e o João Nicolau

P.S - Como é evidente não analisei as citações de todos os vencedores do Nobel da Economia, mas relativamente aqueles que analisei e foram quase duas dezenas a regra geral é a não citação de académicos do nosso país, como sucede por exemplo com os conhecidos Paul Krugman ou o Richard Thaler, cuja obra científica não mostrou qualquer interesse pelas publicações dos académicos Portugueses

Nova School of Business and Economics__Escola Universitária ou Escola Politécnica ?


A imagem acima dos 6 posts mais visualizados, mostra que o post de 5 de Julho sobre a polémica na Nova SBE, (que continua a fazer correr tinta, vide artigo ontem no Público  ou o pedido de esclarecimentos do Ministro Manuel Heitor que já obrigou à constituição de uma peregrina comissão escrutinadora e isto já para nem falar do artigo do Daniel Oliveira em 6 de Julho do artigo da Vera Barros em 7 de Julho ou um anterior da Fernanda Câncio) continua a bater recordes neste blog, pois não contente em ser o 4º post mais visualizado de sempre subiu ontem para o 2º lugar e arrisca tornar-se o mais visualizado de sempre.

Ainda sobre Nova SBE, uma pesquisa na conhecida plataforma Publons, mostra que os professores daquela escola não gostam muito de fazer revisões de artigos, abaixo uma lista das áreas dos professores/investigadores da Universidade Nova, que tem mais revisões confirmadas. Onde se constata que nenhum professor da Nova SBE consegue aparecer entre os dez primeiros lugares, nem entre os vinte primeiros lugares, nem entre os trinta primeiros ou sequer os quarenta primeiros lugares que constam na lista abaixo. Eu ainda analisei os vinte seguintes e nem aí encontrei ninguém da Nova SBE. Ou seja nas primeiras 60 posições dos revisores mais prolificos da Universidade Nova de Lisboa nenhum se encontrou da Nova SBE, nicles ! Ou talvez na Nova SBE não tenham tempo para rever artigos científicos, porque preferem gastar o tempo a fazer reuniões para analisar queixinhas de "financiadores". 

Não foi assim possível encontrar na referida plataforma professores da Nova SBE, com algumas poucas dezenas de revisões confirmadas, nem muito menos com centenas de revisões como acontece com o o Axel Dreher Professor de Economia da Universidade de Heidelberg, que possui 368 revisões confirmadas ou o Stephan M Wagner, Chair of Logistics Management, do ETH Zurich que possui mais de 200 revisões confirmadas ou o Odd Straume, Professor na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho que possui quase 200 revisões confirmadas. É por isso caso para dizer que a Nova SBE contribuiu muito pouco ou quase nada para o excelente resultado de Portugal comentado neste blog aqui. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/covid-19-has-changed-peer-review.html

Comparem-se aliás as 63 publicações indexadas na Scopus do referido Odd Straume  que receberam quase1000 citações, com a medianissima produção científica do Dean da Nova SBE, Daniel Traça, consubstanciada numa dezena de publicações indexadas na base Scopus que receberam nem sequer 200 citações, professor-gestor bancário (ou gestor bancário-professor) que publica (na base Scopus) em termos médios anuais, sete vezes menos, do que o professor da Universidade do Minho, Odd Straume. 

E nem sequer falo das revisões de artigos do Dean da Nova SBE que não se conseguem achar na plataforma Publons-Clarivate. "Esterilidade" científica essa que somada à sua obsessão quase patológica com o sector empresarial (quase como se fosse o alfa e o ómega da missão universitária e até da própria civilização, quando a prioridade da Nova SBE deveria ser a de fazer investigação do tipo "frontier research" de que se falou aqui  e também mais recentemente em documento da FCTcolocam a questão de se saber saber se o professor/gestor (ou gestor/professor) Daniel Traça tem realmente a certeza que está a dirigir uma Escola Universitária ou se não estará antes a fazer o que fazem os dirigentes dos Politécnicos?

Abaixo a lista das 40 áreas científicas em que trabalham os autores, pertencentes à Universidade Nova, que possuem mais revisões confirmadas na plataforma Publons-Clarivate 
Eng Industrial
Ciências da Vida
Elec Comput Eng
Eng Civil
Medicina
Eng Civil
Elect Eng
Mat Eng
Medicina
Information
Ambiente
Mat Eng
Mat Eng
Physics
Medicina
Elect Eng
Ambiente
Physics
Medicina
Medicina
Medicina
Chemistry
Medicina
Materials
Industrial
Elect Eng
Civil Eng
Physics
Chemistry
Physics
Civil Eng
Computer
Mech Eng
Chemistry
Medicina
Anthropology
Medicina
Medicina
Chemistry
Chemistry


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Psicopatas Portugueses e os dois novos mortos do distrito de Castelo Branco




Sobre o post acima que se inicia com o noticia do falecimento de um GNR que estava a tomar conta de uma ocorrência numa auto-estrada do Norte do país, abaixo link para uma noticia muito similar que hoje dá conta do falecimento de dois agentes da mesma GNR (ambos do distrito de Castelo Branco) por conta de contra a viatura deles ter chocado uma viatura da marca BMW que se deslocava a mais de 150 Km/hora. 

Tenho contudo quase a certeza que o tribunal vai mandar o condutor homicida aguardar o julgamento em liberdade e depois não custa acreditar que o mesmo seja condenado com uma pena suspensa, já que o código penal aprovado pelos senhores deputados não considera que as mortes estradais sejam um crime muito grave, como se percebe pela sentença no link abaixo de um individuo que matou dois jovens quando conduzia a mais de 100 Km/hora dentro de uma localidade e se despistou

Neste país o que dá direito a pena de prisão efectiva, mesmo a quem não tenha cadastro, são as injúrias e a difamação https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/injuria-e-difamacao-merecem-cadeia-ja.html



The Economist__"What if carbon removal became the new Big Oil? "


https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/edmond-de-rothschildbold-builders-of.html

Still following the post in the link above about the investment house Edmond De Rothschild and other ironic events it's worth noting another interesting article in the current edition of The Economist, which serves as the inspiration for the title of this post. https://www.economist.com/the-world-if/2020/07/04/what-if-carbon-removal-becomes-the-new-big-oil

The primary issue lies in the inconsistency between the numbers presented in the current article and those published in a different edition of The Economist nearly two months ago. It's a perplexing mysteryhttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/the-economisthumans-have-unbalanced.html

A lição da Universidade de Coimbra: Suspeitas de troca de votos por cargos




O jornal i de ontem trazia uma matéria choque, link acima, que não vou comentar porque os factos lá relatados dispensam comentários e também porque há alguns anos atrás recebi um email pouco simpático do actual Reitor da Universidade de Coimbra, quando ele era apenas Vice-Reitor responsável pela investigação (e mostrou assim conviver mal com criticas à sua gestão pouco competente, a mesma que foi depois estranhamente recompensada com a sua eleição para Reitor) por conta de comentários, vertidos em dois emails, que eu produzi sobre a classificação daquela Universidade no ranking de Xangai e que o Carlos Fiolhais colocou no blog De Rerun Natura em Agosto de 2018, comentários esses que agora abaixo novamente reproduzo, Aliás acho igualmente pertinente revisitar o artigo no jornal Público onde o mesmo Carlos Fiolhais avaliou o desempenho do então Vice-Reitor como não tendo sido capaz sequer de atingir os minimos. E esse facto somado a todos os outros acima referidos justificam de certa forma o parágrafo final do meu post de 22 de Novembro de 2019. 

"Um extenso artigo hoje nas páginas 6 e 7 do jornal Público tenta explicar porque razão a Univ. de Coimbra desceu no ranking Xangai. Tenha-se presente que há um mês atrás, escrevi no email abaixo, que o pagamento que aquela mesma Universidade andou a fazer a uma firma de consultoria para subir no ranking não impediria que a mesma descesse ao invés de subir.

No artigo o Reitor daquela Universidade mostra-se confiante que para o próximo ano o resultado será melhor e tenta explicar que a chatice que agora teve lugar se fica a dever ao tamanho da instituição, pois como os seus competidores tem produtividade similar são favorecidos aqueles de maior dimensão, explicação bizarra pois as universidades de Aveiro e do Minho, que continuam no Top 500 têm menor dimensão que a de Coimbra. Diz também que os resultados se devem à entrada de novas universidades da China mas não diz porque é que esse facto não levou à saída das universidades de Aveiro e do Minho mas somente à saída da Universidade de Coimbra !

Curiosamente o artigo não menciona (talvez a jornalista se tenha esquecido dele) o segundo critério utilizado na ordenação, o número de "Highly Cited Researchers". A universidade melhor classificada neste ranking têm 109 HCR. https://clarivate.com/blog/news/clarivate-analytics-names-worlds-impactful-scientific-researchers-release-2017-highly-cited-researchers-list/  Curiosamente a Universidade de Coimbra não possui nenhum investigador dessa categoria ao contrário do que sucede com as universidades de Aveiro e do Minho e essa é pergunta que interessa fazer. Porque será que a Universidade de Coimbra não têm nenhum HCR ? Pergunta essa porém que o jornal Público preferiu não fazer.

É verdade que não é barato contratar um cientista que tenha um prémio Nobel no currículo (tema que é abordado pelo Reitor da Univ. de Lisboa no mesmo artigo) porém será por certo mais barato contratar um ou dois Highly Cited Researchers ? Talvez fizesse muito mais sentido essa alocação de verba do que andar a pagar a firmas de consultoria, despesa que não impediu a descida no presente ranking da Universidade de Coimbra.




De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 2 de Julho de 2018 8:34
Assunto: O vice-reitor explica

No Sábado um certo vice-reitor de universidade que prefiro não identificar, pois que em face da noticia em causa, me envergonho de me lá ter licenciado no inicio da década de 90, resolveu dizer numa certa imprensa paga maravilhas do ranking QS (aquele ranking comentado noutros emails meus) e muito pior do que isso explicar que aquela universidade é uma das contribuidoras para os lucros da empresa que elabora tal ranking para assim poder ter direito a uma série de estrelas. Explica o vice-reitor que o pessoal da firma que elabora o ranking, gente que sabe de rankings a potes e como bem subir neles, deu a receita após ter recebido o pagamento (ou depois já que o artigo não é claro neste detalhe) depois a Universidade aplicou a receita, voltam os tais especialistas para nova auditoria e toma lá 5 estrelas, confirmadoras de que se atingiu o firmamento da qualidade universitária. Note-se que estas 5 estrelas não garantem que noutros rankings a referida universidade não possa descer em vez de subir, mas isso é pormenor irrelevante pois o ranking da QS é que conta até porque têm estrelas e os outros não.

Desde logo é caricata a assunção que uma universidade como aquela onde há especialistas de craveira internacional nas mais diversas áreas não sabe qual a receita para se subir num ranking.  Sabendo-se também que há rankings de elevada qualidade que fazem o serviço de borla é espantoso que haja quem não se importe de pagar para estar em ranking de baixa qualidade. Talvez seja um caso de dinheiro a mais ou inteligência a menos. Ou o inverso. Se trabalhasse naquela universidade sentir-me-ia enxovalhado pelo acto e quero crer que aqueles que naquela instituição têm desempenho de elevadíssima qualidade não merecem que a sua reputação seja enxovalhada porque associada às estrelas sem brilho daquele ranking. 

Acho importante ressalvar que nos comentários acima parti sempre do principio que a verba que a referida universidade pagou à firma que elabora o tal ranking foi verba que não saiu do Orçamento de Estado. Tivesse eu conhecimento ou a profunda convicção que um milésimo de um cêntimo do dinheiro dos meus impostos tivesse sido utilizado no referido pagamento e teria que ampliar ainda mais o meu direito de opinião para ir de encontro ao vertido naquele Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça 3017/11.6TBSTR.E1.S1 onde se escreve sobre a crítica contundente, sarcástica, mordaz, com uma carga exageradamente depreciativa ou caricatural e com o uso de expressões agressivas ou virulentas pois este país não merece ter responsáveis universitários que acham que os dinheiros públicos são para ser gastos com tanta falta de inteligência. Se é assim que se gasta o dinheiro nas universidades imagine-se o que se fará noutras instituições públicas onde não existe sequer um milésimo da massa cinzenta !​

Para terminar e a custo zero aproveito para dar conselho ao referido vice-reitor para subir nos rankings. Trate de reduzir a endogamia pois é a diversidade que contribui para o impacto como se explica abaixo
Wagner, C. S., & Jonkers, K. (2017). Open countries have strong science. Nature News, 550(7674), 32.
Clauset, A., Larremore, D. B., & Sinatra, R. (2017). Data-driven predictions in the science of science. Science, 355(6324), 477-480.
E no entretanto enquanto não conseguir reduzir a endogamia peça aos professores e investigadores da sua universidade que tentem colaborar com professores e investigadores das melhores universidades do mundo. Como alguns já o fazem é só perguntar-lhes a receita pois estou certo que eles não lhe cobrarão nada por ela."