segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A receita simples para ganhar mais citações e mais financiamento na Ciência

Aquele conhecido Físico da Universidade de Nova York, que foi mencionado logo no inicio do post acima, explicou há poucos meses que é péssimo dizer a verdade aos politicos:

"On one of the last day of hearings, a congressman asked: “Will we find God with your machine? If so I will vote for it.” The poor physicist who had to answer that question didn’t know what to say. We should have said, this is a Genesis machine that will create the conditions of the greatest invention of all time...Unfortunately, we said Higgs boson. And people said, $10bn for another subatomic particle? And they cancelled the machine" https://www.theguardian.com/science/2021/apr/03/string-theory-michio-kaku-aliens-god-equation-large-hadron-collider

Moral da história ? Os cientistas nunca devem dizer a verdade nua e crua aos políticos, pela simples razão que eles são idiotas demais para a conseguirem entender. Assim sendo talvez não fosse má ideia, que aqueles que querem fazer carreira na investigação, devessem frequentar uma unidade curricular onde aprenderiam a traduzir as suas propostas de investigação para a linguagem rudimentar que os politicos consigam entender. 

A parte irónica é que a simplicidade é vantajosa não só para falar com politicos (e assim obter financiamento) mas também para receber mais citações, já que um estudo baseado em mais de 20.000 artigos, que foi publicado este ano, mostrou que aqueles que abusaram de terminologia especifica no titulo e no resumo dos artigos receberam menos citações. 


PS - E claro convém também não esquecer aquele estudo levado a cabo por investigadores de Harvard, do MIT, da Universidade Aix-Marseille e da Universidade de Northeastern que foi publicado nos Proceedings da Academia de Ciências dos EUA e que mostrou que se devem evitar os artigos em língua Tamil e também (pasme-se !) em língua Portuguesa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/as-linguas-mais-eficazes-para.html

domingo, 17 de outubro de 2021

Novas normas para edifícios no contexto da resiliência climática e as competências dos diplomados em Politologia

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/novo-livro-elementos-de-projeto-para.html

Ainda sobre o livro mencionado no post acima no inicio do mês passado (livro esse que não por acaso conta com o contributo de investigadores do Imperial College e do MIT) é interessante ler as declarações constantes do recente artigo acessível no link abaixo, que aludem à necessidade de alterar as normas de construção de edificios para garantir a resiliência climática daqueles  https://edificioseenergia.pt/noticias/cees-2021-michael-lacasse-resiliencia/?mc_cid=cdd94bb52b&mc_eid=1f027765a9

Ainda sobre a importância do parque edificado é pertinente recordar que no respeitante a reduções de carbono e como ficou bem patente num artigo publicado na conhecida revista The Economist, é muito pouco eficiente substituir veiculos de combustiveis fosseís por veículos elétricos, ao contrário de intervenções energéticas no parque edificado que conseguem as mesmas reduções mas com um custo muitíssimo menor https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-economistwhats-cheapest-way-to-cut_8.html  

Acresce que como reconheceu há um ano atrás a Comissão Europeia, ao contrário da indústria automóvel, que possui um elevado nível de robotização, a industria de reabilitação de edificios é recordista europeia na criação de emprego: "per euro invested, building renovation is our biggest job creator with 12-18 local jobs for every million invested" estimando a mesma Comissão que até 2030 a referida indústria possa criar 160.000 empregos, o que significa que a aposta neste sector é triplamente virtuosa. Na preparação para um futuro mais resiliente, na eficiencia económica e na criação de emprego. 

Assim e atento o contexto supra percebe-se muitíssimo mal que na composição do novo Conselho da Ciência e Tecnologia e Inovação, haja um politólogo, mas estranhamente não haja ninguém da área da Engenharia Civil  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/os-lideres-academicos-cientificos-que.html ou talvez quem sabe por conta de alguma reforma curricular, que eu desconheça, os diplomados em politologia já estejam em condições de dar palpites sobre as normas de construção de edificios no contexto da resliência climática !

sábado, 16 de outubro de 2021

Paper - excellencemapping.net: A new release of the excellence mapping tool

 

A few days ago the team of the well-known German researcher Lutz Bornmann, updated the tool that finds excellent universities, due to their pattern of Scopus citations. 

The new version also provides insight in terms of Mendeley Readers performance, an indicator of future impact, especially important for young researchers https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/early-indicators-of-scientific-impact.html

Novo lançamento da ferramenta de mapeamento da excelência científica

 


Ainda na sequência do conteúdo no post acima, sobre prémios Nobel e a desgraçada situação de Portugal no respeitante a citações, faz sentido divulgar que há poucos dias a equipa do conhecido investigador Alemão Lutz Bornmann, procedeu a uma actualização da distribuição de instituições consideradas de excelência, por conta do seu padrão de citações. https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-021-04141-4

A nova versão da ferramenta excellencemapping.net também permite conhecer o desempenho em termos da métrica Mendeley Readers, um indicador de impacto futuro, especialmente importante para jovens investigadores https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/early-indicators-of-scientific-impact.html 

A nível nacional a liderança pertence à Universidade de Coimbra na métrica de artigos altamente citados e à Universidade do Minho na percentagem de publicações com maior número de Mendeley Readers. Em ambas as referidas métricas constata-se que a Universidade de Lisboa não consegue aparecer nas três primeiras posições, apesar de ser aquela que de longe (e muito irónicamente) recebe mais verbas da FCT.  

Highly Cited Publications 
Univ de Coimbra.........17.2% 
Univ. do Porto.............16.6 
Univ do Minho............16.5  
Univ Nova...................16.5  
Univ de Aveiro............16.4  
Univ. de Lisboa...........16.0

Mendeley Readers)
Univ do Minho............20.4%
Univ Nova...................19.2
Univ de Coimbra.........19.0
Univ. de Lisboa...........17.5
Univ de Aveiro............17.3
Univ. do Porto.............16.6

Qual é pior para a imagem da justiça, o juiz negacionista ou o juiz Ivo Rosa ?


Sobre o juiz Ivo Rosa, relativamente ao qual no post acima se perguntou porque é que ainda não foi obrigado a voltar aos bancos da Faculdade de Direito, e que há alguns meses atrás foi objecto de uma petição subscrita por quase 200.000 Portugueses que tarda em ter consequências, acho importante divulgar que um magistrado aposentado fez ontem, no post abaixo, a pergunta que importa fazer, qual é pior para a imagem da justiça, o juiz negacionista Rui Fonseca e Castro que acaba de ser expulso pelo Conselho Superior da Magistratura ou o juiz Ivo Rosa que acumula dezenas de desautorizações em decisões de Tribunais Superiores ? https://portadaloja.blogspot.com/2021/10/ivo-rosa-nulidade-da-inexistencia.html

E será que alguém aceitaria ser tratado por um médico, cujo trabalho tivesse sido repetidamente avaliado por outros médicos como sendo incompetente ? E será que alguém aceitaria, que um engenheiro civil, cujo trabalho os seus colegas engenheiros civis avaliavam de forma rotineira como incompetente, fosse contratado pelo Estado Português para fazer o projecto de uma grande ponte? Ou será que o combate à corrupção, que empobrece este país em milhares de milhões de euros, é menos importante do que a construção de uma ponte ?

No contexto supra entendo pertinente recordar uma afirmação anterior, de 29 de Setembro, quando escrevi que se o juiz negacionista foi expulso então o juiz que deixou fugir o Rendeiro o deveria também já ter sido https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/qual-e-o-nome-do-juiz-que-deixou-fugir.html

PS - Quem também hoje descreve de forma implacável o juiz Ivo Rosa é o Director da revista Sábado que afirma que ele não é bem um juiz mas apenas "alguém capturado pelo seu próprio ego". 

Aditamento em 20 de Outubro - Atento o que acima escrevi a mim não me causa qualquer supresa o artigo onde hoje se diz que o juiz Ivo Rosa provocou uma queda abrupta na confiança nos tribunais https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/ivo-rosa-provocou-uma-queda-abrupta-na-confianca-nos-tribunais

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Uma já saiu do armário agora só faltam as mais conhecidas

 


Na sequência do post acima, onde logo a abrir se menciona o nome de alguns traficantes milionários, li com bastante satisfação o artigo recentemente publicado no Diário de Noticias, onde uma Portuguesa reconhece de forma corajosa os privilégios de ter sido descendente de um traficante de escravos.  https://www.dn.pt/sociedade/portuguesa-conta-sem-rodeios-a-historia-da-familia-que-traficou-escravos-em-angola--14202314.html 

Resta agora que os descendentes daqueles traficantes mais bem sucedidos e que mais facturaram nesse tráfico, também tenham a humildade de vir a terreiro admitir que a fortuna da família foi construída com muito sangue de escravos, já que muito estranhamente (e também muito cómodamente) os historiadores deste país evitaram, durante muito tempo, incomodar as referidas famílias com estudos exaustivos sobre essa matéria. 

Um livro sobre uma área emergente na Eng. Civil em Portugal e os grupos de investigadores que se desprezam entre si


https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/departamentos-de-engenharia-civil-das.html

Sobre  a tal área de investigação, iniciada no departamento de engenharia civil da Universidade do Minho e que depois se estendeu a outras universidades, sendo que as universidades de Lisboa e de Coimbra foram as últimas a "apanhar o comboio",  conforme foi demonstrado no post acima, através da análise da produção científica de vários departamentos em 7 universidades, é pertinente divulgar que está para breve a publicação de livro sobre a mesma pela conhecida Editora Elsevier, pois a data que aparece no site está errada https://www.elsevier.com/books/advances-on-alkali-activated-concrete/pacheco-torgal/978-0-323-85469-6  

Seja como for a edição anterior, publicada em 2015, ainda continua em fase crescente de citações, pois em 2020 recebeu 60 citações e em 2021 recebeu quase 60 nos primeiros 9 meses 

Sobre esta área é importante ter presente o conteúdo de um muito importante e muito recente artigo, de título "Portland Versus Alkaline Cement: Continuity or Clean Break: “A Key Decision for Global Sustainability”, publicado há apenas poucos dias, cujo primeiro autor é o conhecido investigador Angel Palomo (que não por acaso participou na supracitada edição de 2014) e onde se podem ler curiosas frases, pouco usuais em artigos científicos, como quando se refere ao mau ambiente que se vive entre dois grupos de investigadores, o grupo daqueles investigadores que representam o passado (ligado ao cimento Porland) e o grupo daqueles que querem uma ruptura com esse passado:
"a mutual disdain (each group shamelessly dispenses with the teachings that the other group might contribute)" https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fchem.2021.705475/full

É claro que há algumas coisas no referido artigo com as quais estou em desacordo, como por exemplo quando é dito que o conhecido e muito citado estudo dos investigadores Australianos Turner & Collins faz prova da sustentabilidade destes materiais. Não não faz, de todo. Na verdade, faz precisamente o contrário. Teria sido por isso muito mais rigoroso, citar antes o estudo dos investigadores Ouellet-Plamondon & Habert. Note-se aliás que o referido estudo do Turner & Collins até já tinha motivado um "artigo" furioso (mas pouco rigoroso) do Joseph Davidovits http://www.geopolymer.org/wp-content/uploads/False-CO2-values.pdf

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Os esquecimentos do catedrático Fiolhais


O catedrático Carlos Fiolhais comenta hoje no Público o lamentável orçamento que o Governo vai destinar à ciência, tecnologia e ensino superior. Porém a forma como o faz corre o risco de deixar criar nos leitores do Público a sensação de que afinal o ensino superior e a ciência não tem razão de queixa porque há um aumento do orçamento e o valor total é superior a 3000 milhões de euros. 

Teria por isso sido crucial que o Carlos Fiolhais tivesse referido por exemplo que em 2020 o Governo Português foi um dos que menos gastou em investigação, metade do que gastou a Estónia https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/governo-da-estonia-envergonha-governo_26.html

Podia também ter referido que mais valia gastar no ensino superior e na ciência os créditos fiscais (leia-se subsídios) de centenas de milhões de euros que foram gastos em actividades de suposta investigação empresarial https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/expresso-o-nada-surpreendente-recorde.html 

É ainda possível aumentar o orçamento da ciência e do ensino superior, cortando por exemplo nas indecentes subvenções vitalícias ou no elevado valor das milhares de viaturas adquiridas pelas autarquias e pelas empresas e institutos públicos como escrevi aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/primeiro-ministro-defende-reducao-de.html

Mas mais importante deveria também ter referido que é falsa a narrativa Governamental de que o dinheiro não chega para tudo. Tendo em conta que Portugal perde por conta da corrupção valores astronómicos é evidente que as disponibilidades orçamentais seriam maiores se o Governo estivesse minimamente interessado em pelo menos reduzir o valor daquilo que a corrupção custa a este país. No que respeita à corrupção, as coisas são bastante simples, há os Governos que combatem a corrupção e há aqueles que não a combatem e logo são Governos amigos da corrupção e como este Governo não combateu a corrupção mais não resta do que concluir que foi um Governo amigo da corrupção. 

Aditamento - Finalmente conseguiu-se saber (pois as más noticias convém que fiquem escondidas) que em 2022 a FCT terá direito a menos 41 milhões de euros do que em 2021. E isto num Governo que adora a ciência, só se for ciência baratucha, ou pelo menos muitíssimo mais baratucha do que a ciência da Estónia 


Engenharia Civil - Universidade de Coimbra volta a perder nas colocações da 2ª fase de acesso ao ensino superior



Sem qualquer surpresa as 40 vagas da FEUP foram todas preenchidas e também como já se tinha previsto no post acima de 26 de Setembro, o curso de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra, com apenas 9 colocados na segunda fase de acesso, voltou a ter um resultado muitíssimo abaixo daquilo que é o seu potencial científico, já que é o terceiro curso melhor classificado a nível nacional e o quarto melhor classificado a nível Ibérico https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/engenharia-civil-universidade-do-minho.html 

Nesta segunda fase mostraram maior poder de atracção o curso da Universidade do Minho (11 colocados) e principalmente os cursos de engenharia civil dos Politécnicos de Lisboa e do Porto respectivamente com 39 e 27 colocados. Com um total de 123 alunos nas duas fases os cursos dos Politécnicos de Lisboa e do Porto superam assim o número total de alunos colocados nas universidades do Minho, Coimbra, Aveiro, UBI e UTAD, o que de certa forma não é muito racional. 

Recordo que no ano passado sugeri que a atribuição do grau de Mestre fosse restringida aos cursos onde haja uma maioria de docentes que sejam membros de unidades de investigação que tenham sido avaliadas pelo menos com Bom. Condição essa que porém tenho dúvidas que pudesse ser cumprida pelos cursos de engenharia civil dos Politécnicos de Lisboa e do Porto https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/engenharia-civil-condicionar-atribuicao.html

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

The deluge of scientific papers is obstructing the rise of new ideas

 

Further elaborating on the topic of the paper deluge referenced earlier, link above, it is worth exploring a recent publication in the Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA. In this study, researchers examined a staggering 1.8 billion citations across 90 million papers spanning 241 subjects. Contrary to expectations, the sheer volume of papers does not foster the evolution of central ideas within a field. Instead, it leads to the entrenchment of established concepts, resulting in a form of intellectual stagnation:  "Examining 1.8 billion citations among 90 million papers across 241 subjects, we find a deluge of papers does not lead to turnover of central ideas in a field, but rather to ossification of canon..." https://www.pnas.org/content/118/41/e2021636118

The findings shed light on the pressing issue of the proliferation of academic publications, emphasizing the need for innovative solutions. Perhaps now, the radical proposal put forth by a Professor at University College to address the publication deluge, including concerns regarding the proliferation of paper mills and the emergence of consortia's influence, holds greater significance https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/university-college-londona-radical.html