domingo, 8 de agosto de 2021

Quanto é que Portugal perde com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?

 


Sobre a tal empresa fundada por um catedrático Sueco mencionada no post acima faz sentido perguntar, quantos catedráticos de engenharia ou ciências em Portugal fundaram empresas para valorizar o resultado das suas investigações, que possuem dezenas de funcionários e que ajudam este país a subir na cadeia do valor?  E será que na Academia existe algum estimulo para que os catedráticos criem empresas ou antes pelo contrário aqueles que proactivamente o façam serão castigados perdendo 33% do seu vencimento ? 

E será que foi uma boa ideia que a universidade do Porto tenha vendido por 5 milhões de euros, a uma empresa estrangeira, uma patente de um catedratico de engenharia de nome Adélio Mendes em vez de criar uma startup que permitisse criar emprego qualificado (que o Ministro Heitor disse ser uma prioridade) e assim gerar muito mais riqueza do que os tais 5 milhões de euros? Ou alguém acredita que a tal empresa estrangeira que pagou 5 milhões pela referida patente não irá ganhar muitíssimo mais do que aquilo que pagou ?

O emérito catedrático mencionado no inicio do post disse-me há pouco tempo que na Suécia um professor universitário pode dedicar um dia por semana a actividades remuneradas fora da universidade, sem ser prejudicado no seu vencimento, já em Portugal se algum professor universitário fizer isso mesmo que o faça apenas ao fim de semana leva com um corte de 33% do seu vencimento. Será que isso não será uma razão de peso que leva os professores universitários a evitarem realizar colaborações remuneradas com a indústria ou a eles próprios criarem empresas para poderem beneficiar da valorização das suas investigações ? Quanto é que Portugal já perdeu e continua a perder com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?

PS - Se tivermos em conta que os vencimentos dos professores universitários em Portugal não são aumentados há muito tempo, há mais de uma década, o que significa que neste momento só por conta da inflação os catedráticos perdem quase 500 euros por mês, quase 7000 euros por ano (os Auxiliares e Associados perdem todos os meses também algumas centenas de euros, representando vários milhares de euros a cada ano que passa) então talvez fizesse sentido que Portugal copiasse o que se faz na Suécia, para dessa forma tentar compensar pelo menos as perdas salariais decorrentes da inflação.