terça-feira, 24 de setembro de 2019

Acabar com o IRS


“John Cochrane, professor na Universidade de Chicago, fez uma sugestão que poderá responder a esta crítica. Imaginem que, em vez de se taxar o rendimento, apenas se cobram impostos sobre o consumo a uma taxa única de, por exemplo, 50%. Em contrapartida, para os primeiros 10.000€ gastos, o governo reembolsa todos os impostos pagos pelo contribuinte, pelo que, na verdade, a taxa de imposto efectiva é zero. Nos 20.000€ seguintes, o governo devolve quatro quintos dos impostos pagos, pelo que, na realidade, a taxa de imposto é de 10%. De seguida, devolve três quintos do imposto pago (a que corresponde uma taxa de 20%) e assim sucessivamente. Naturalmente para despesas acima de um determinado nível, por exemplo 100.000€, já não há lugar a qualquer devolução de imposto, pelo que a taxa efectivamente paga seria de 50%” https://observador.pt/opiniao/e-se-pagar-50-de-iva-fosse-uma-boa-ideia/


O artigo do Luís Aguiar-Conraria, acima, que analisou a eliminação do imposto sobre o rendimento do trabalho (IRS), substituindo-o por impostos sobre o consumo progressivos
ganha especial importância a partir do momento que Portugal começou a receber multimilionários que pagam apenas 20% de IRS, que é uma percentagem menor do que paga por exemplo um enfermeiro ou um professor do secundário, e o pior é que quando esses multimilionários se reformarem irão pagar zero, como por exemplo este brasileiro https://eco.sapo.pt/2019/05/21/portugal-e-a-nova-miami-para-brasileiros-ricos-diz-a-bloomberg/ ou seja só através de impostos sobre o consumo poderão contribuir de forma substancial para o Orçamento de Estado.

Esta situação é agravada pelo facto do Governo do PSD/CDS do Dr. Durão Barroso, ter eliminado em 2003 o imposto sobre sucessões e doações https://causa-nossa.blogspot.com/2005/05/repor-justia-fiscal.html e estranho é que o actual Governo da Gerinçonca não tenha tido coragem para o repor pois que como escreve o catedrático jubilado Vital Moreira:
“o imposto sobre sucessões e doações de valor elevado é o imposto mais justo que existe... por se tratar de riqueza não criada pelos beneficiários” 

sendo na minha opinião particularmente bizarro que o mesmo exista em países ricos como o Reino Unido https://www.gov.uk/inheritance-tax ou a Alemanha país onde se aplica uma percentagem de 50% para patrimónios acima de 13 milhões de euros para os beneficiários no terceiro escalão https://germaninheritance.com/2018/04/03/estate-taxes-and-inheritance-taxes-under-german-law/ e inexista por estas bandas, ao mesmo tempo que os rendimentos do trabalho são tratados como luxos que importa taxar fortemente, excepto claro se forem de multimilionários estrangeiros.