terça-feira, 22 de outubro de 2019

Se a água é mais rara do que o ouro porque é que a tratamos como lixo ?

Num bastante interessante e importante livro publicado em Portugal pela Gradiva na década de 1980, Um Pouco Mais de Azul, o astrofísico Hubert Reeves escreveu que, à escala do Universo, a água é mais rara do que o ouro. 

Esta perspetiva ajuda a compreender a pertinência da pergunta colocada num artigo recente do Público: por que razão continuamos a utilizar água potável, um recurso cada vez mais escasso e valioso, para, pasme-se, levar a cabo ma prática ambientalmente irracional, insustentável e anacrónica, simplesmente empurrar dejetos nas sanitas? https://www.publico.pt/2019/10/20/sociedade/noticia/devemos-usar-sanitas-agua-podemos-beber-nao-faz-sentido-1890443 

Essa prática torna-se ainda mais difícil de justificar em países como Portugal, onde se desperdiçam anualmente cerca de 180 milhões de metros cúbicos de água devido a roturas e fugas nas redes de abastecimento. Continuar a usar água de qualidade para consumo humano como simples mecanismo de transporte de resíduos, enquanto uma parte significativa desse recurso se perde antes sequer de chegar aos consumidores, revela um modelo de gestão profundamente desajustado aos desafios da escassez hídrica do século XXI. https://www.dn.pt/vida-e-futuro/deco-denuncia-desperdicio-de-90-milhoes-de-euros-por-ano-com-perdas-de-agua-11044123.html